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novembro 6, 2007

Ludopédio

Os dias mais felizes de minha vida futebolística

Cutucado por micieur Milton Ribeiro e imitando-o, espremi os neurônios em busca dos 5 dias mais felizes, futebolisticamente falando, de minha longa vida. Evidentemente, os cinco dias mais felizes nesse quesito envolvem razões mais sentimentais momentâneas bem subjetivas do que necessariamente dias com importância histórica.

Quem se dignar a ler notará que, à exceção do primeiro, todas as lembranças são relativamente recentes, anos 90 pelo menos. É que meu amor pelo ludopédio é coisa relativamente recente, graças à feliz confluência da necessidade de sociabilidade na faculdade (lá, se não manjasse de futebol não tinha com quem conversar) e o time do Raí.

Vamos aos tais:

5. Palmeiras 4 X 0 Bahia nalguma obscura noite de quarta-feira (eu acho) em algum ponto do comecinho dos anos 80. Foi a primeira vez que fui ao estádio, com amigos palmeirenses (numa vã tentativa de me desencaminhar). Pegamos chuva, xingamos, gritamos, pulamos, vimos 4 belos gols e, o melhor, um lance no qual o goleiro palmeirense saiu jogando com um chapéu sobre o atacante bahiense. Fiquei boquiaberto com o espetáculo. Sem saber, estava começando minha relação de amor com o estádio Cícero Pompeu de Toledo, o popular Morumbi.

4. São Paulo 3 x 1 Corinthians, final do Paulistão de 98. A razão desse dia entrar no meu top 5 é que: 1) eu estava no estádio;2) que havíamos perdido o jogo anterior; 3) que o Raí voltou da França ao tricolor naquele exato dia; 4) que eu vi quando, Marcelinho Carioca pronto pra cobrar uma falta no Rogério Ceni, Raí chega pra barreira do São Paulo já postada e, do alto de sua autoridade, manda ela se desfazer, pra no instante seguinte Ceni encaixar a bola no peito com a segurança de (quase) sempre; 5) que foi na minha frente que o Denílson deu um drible fantástico e rolou a bola pro França guardar no cantinho; 6) que eu havia apostado uma camisa do São Paulo com a corinthiana lá do meu trabalho.

3. São Paulo 3 X 2 Milan, 12/12/93, Estádio Nacional de Tóquio. O São Paulo chega a Tóquio com outra missão de Davi contra Golias e mais uma vez sagrou-se campeão com um gol completamente fortuito do Muller. Nesse dia eu estava no apartamento de amigos sãopaulinos vestidos a caráter. Os berros não deixaram o condomínio inteiro dormir. Também, ninguém mandou não nutrirem essa saudável e gratificante simpatia pelo tricolor do Morumbi. Vale lembrar que o Milan tinha o mítico Baresi, tido por muitos como o melhor zagueiro ever, além de Costacurta, Maldini, Desailly e Papin. Os milanistas ficaram sempre atrás no placar e conseguiram o empate. Aquele último gol foi catártico.

raí.jpg

2. Brasil 1 X 1 Holanda, Estádio Velodrome em Marselha, 07/07/98. Entre os tantos momentos especiais proporcionados pela seleção brasileira, selecionei este por razões bastante particulares. O jogo foi excepcional. Era semifinal da Copa do Mundo e o jogo da Copa de 94 entre canarinhos e laranjinhos já havia sido o melhor de toda a competição. Os caras estavam jogando muito bem, levaram perigo várias vezes e nós outras tantas, mas o jogo acabou empatado. Zagallo deu seu showzinho pra motivar os cansados jogadores e acabamos ganhando nos penalties. Eu estava na casa de uns amigos e assim que acabou a partida entrei no meu carro pra ir pra minha casa. No caminho todo havia uma pequena multidão pelas ruas, gritando, agitando bandeiras, tocando aquelas buzinas. E eu, bobo que só, saí buzinando também. Me senti parte de um momento de histeria coletiva, daquelas ingênuas patriotadas. Mas isso foi muito bom.

1. São Paulo 2 X 1 Barcelona, dia 13/12/1992 no Estádio Nacional de Tóquio, com 60 mil pagantes felizes. Esse jogo foi transmitido de madrugada no Brasil. Eu estava com meu irmão caçula numa barraca em Ubatuba, mas tínhamos uma televisãozinha em branco e preto e ficamos acordados pra ver o jogo. Era coisa rara, naquele tempo. Como eu disse, minha atração pelo esporte bretão era coisa ainda incipiente. O Barcelona tinha Zubizarreta no gol, Guardiola e Koeman na defesa, Amor no meio de campo e Laudrup e Stoichkov no ataque. Já o São Paulo tinha bagres como Vitor, Pintado, Ronaldão e Ronaldo Luís. Só que também tinha Palhinha, Toninho Cerezo, Raí e Muller. Sorte nossa que pra eles isso tudo era japonês, tanto uns como outros. Os espanhóis saíram na frente com um golaço de Stoichkov, o que me fez pressentir o nabo homérico que a imprensa brasileira tinha anunciado. Mas aí veio Raí. O Muller deu um drible desconcertante e cruzou pro nosso capitão empurrar pro gol por entre uns três jogadores, graças a um peixinho de cabeça improvável. Depois, aquela cobrança de falta magistral, até hoje bastante repetida em programas esportivos de respeito. Aquele dia me descortinou uma coisa totalmente nova, uma euforia desconhecida, como um orgulho de uma vitória que não era minha. Uma glória emprestada. E como era boa!

Menção honrosa para o 2 X 1 que o São Paulo fez no então favorito - e já embalado pela parceria com a Parmalat - Palmeiras, dois gols de Euller, o filho do vento. Foi na Libertadores de 94.

Sentiu falta do último domingo, quando o São Paulo sagrou-se penta campeão? É que o título já tava tão anunciado e garantido que a emoção se diluiu ao longo do tempo. Sentiu falta do título mundial de 2005? É que o espaço é curto, e, particularmente, senti que naquele jogo o São Paulo jogou assustado e apavorado, como time de várzea. Três gols anulados dos caras, pressão o tempo todo, a gente sem passar do meio campo. Isso tudo deslustrou um pouco esse terceiro título, embora tenha sido uma linda pedrada de Davi num muito arrogante Golias.

Posted by marcol at novembro 6, 2007 1:48 PM

Comments

São paulino falando de arrogância??? Ai meu são jorge... dai-me compreensão para tão distinto momento!


Brincadeiras a parte, adorei seu texto. Como fã de futebol (num fanatismo um pouco menor do que o que tenho pelo meu time), concordo que esses 5 dias aí foram bastante interessantes.
Aquele 1x1 com a Holanda, então...! A final dessa Copa foi o que nos pegou de surpresa. Até hj.

Abraços.

Posted by: Rachel at novembro 12, 2007 4:17 PM

E não és palmeirense... Estranho.

Menção honrosa...

Posted by: Milton Ribeiro at novembro 7, 2007 9:21 AM

Bom, eu sou Botafoguense e sou limpinho ;)

Posted by: Bruno Porto at novembro 7, 2007 6:09 AM

Os dias 5 dias mais felizes, futebolisticamente falando?

1 - America (Col) 1 x 1 Grêmio
Meu pai viu comigo esse jogo narrado pelo indeletável Silvio Luis. Foi o jogo do Bi-Campeonato da Libertadores. Inesquecível.

2 - Ajax(Col) 0 x 0 Grêmio (4 x 2 Penaltis)
Meu pai tb viu comigo esse jogo quando perdemos o mundial nos penaltis, jogando praticamente o jogo todo com um a menos. Um misto de orgulho pelo heroísmo e tristeza por perder a final do mundial.

3 - Internacional 1 x 2 Grêmio
Com gol de bicleta do Paulo Nunes. Precisa mais?

4 - BRASIL 2 X ITALIA 3 em 05 de julho 1982, no Estadio Sarriá em Barcelona. Perdemos e me lembro de chorar no colo do meu pai, na primeira memória futebolística efetiva que tenho. Estramente, não lembro da primeira conquista do primeiro título do mundial interclubes do Grêmio, um ano depois. Talvez pq eu more em SP.

5 - Nautico 0 x 1 Grêmio nos Aflitos.
A volta do Grêmio para a primeira divisão, com direito a entrar para a história do futebol mundial.


Posted by: Társis at novembro 6, 2007 4:22 PM

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