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novembro 26, 2007
Culturais
Sessões de cinema que marcaram minha vida
Outro dia o Inagaki publicou um post com o título acima. Resolvi chupinhar a idéia e dizer que é minha. Curiosamente, nossas listas cinéfilo-nostálgico-afetiva têm alguns pontos em comuns, certamente pelo fato de sermos contemporâneos.
1. Superman (1978)
O primeiro a gente nunca esquece. Mesmo sendo um filme legendado e você, com cinco anos apenas, não tenha entendido porquerie nehume. Mas lembro bem que o frisson pelo filme era tamanho que meu pai entrou em quatro cinemas antes de conseguirmos achar espaço em um pra assistirmos. Num deles, inclusive, quase saiu na mão com o cara do estacionamento, que quis cobrar mesmo a gente não tendo conseguido assistir ao filme. Depois de ver este filme, os panos de prato da minha mãe ganharam uma nova funcionalidade: amarrados ao pescoço, faziam as vezes de capa.
2. O cangaceiro Trapalhão (1983)
Este filme ainda é da fase de ouro dos Trapalhões, mas merece figurar nesta lista porque eu o assisti nada menos que 4 vezes no cinema. É que em 1984 mudamo-nos para uma casa em Santo Amaro. Meses depois, descobrimos que havia uma pequena sala de cinema na rua ao lado. Era o ocaso da fase das salas de bairro, das quais essa, cujo nome nem lembro, era uma digna representante em todos os quesitos. Como já estava quase fechando, o ingresso era baratíssimo. E o filme era realmente engraçado, pelo menos pra um menino de dez anos. Lembro de numa das sessões haver sentado ao lado duma senhora com excesso de carnes que ria quando eu ria. Percebi que ela era meio lerdinha então comecei a rir assim: "rárárá, é o cara que tava no casamento...." e ela: "o cara que tava no casamento! rárárárá".
3. A História sem Fim (1984)
Fomos ver esse filme no Shopping Morumbi. Era o começo do boom de shoppings em São Paulo e este tinha uma pista de patinação no gelo no piso inferior. Concorrência desleal. Quando chegamos no shopping, todo mundo preferiu ir patinar. Mas eu realmente queria ver o filme, então me rebelei e fui vê-lo sozinho. Só por isso valeria entrar nessa lista, já que foi a primeira de muitas sessões solitárias de cinema. Mas para aquele momento de minha incipiente adolescência, o filme, uma fábula sobre um menino que cai dentro da história de um livro, teve um impacto muito grande.
4. Cinema Paradiso (1989)
Este filme consta na lista de filmes prediletos de muita gente e na minha não é diferente. Embora havendo estreado em 1989, foi só bem depois, acho que por volta de 93 que o assisti. Ele estava em cartaz havia muito tempo em São Paulo e uma amiga queria ver a todo custo. Fui meio a contragosto, achei o nome meio pouco sugestivo. Era uma sessão vespertina no cine Belas Artes, na Av. da Consolação, havia pouca gente na sala, praticamente só eu e duas amigas e um velhinho com um punhado de moedas na mão que chacoalhava de quando em quando, alguns bancos atrás da gente. Eu já vivia meus dias de olhos secos (passei mais de uma década sem chorar, propriamente), e só por isso eu não segui os demais presentes e me debulhei de chorar. Acho que foi ainda pior. O bolo emocional dessa fita sentimental por demais ficou preso na minha garganta por anos. Assisti ao filme outras sete vezes depois disso, tenho o DVD, a trilha sonora (uma das mais belas de todos os tempos, graças a momentos inspirados de signore Enio Morricone e sua filha Monica, a autora do love theme).
5. A Liberdade é Azul (1993)
Assisti a esse filme numa das salas do Conjunto Nacional, ali na Paulista, com uma turma de amigos. Depois, andamos até a avenida 9 de julho pra pegar o ônibus para o aprazível Capão Redondo. É difícil descrever o impacto desse cinema sutil, cheio de simbolismos e fugas de clichês pra mim. Eu estava na Universidade, descobrindo um oceano de idéias até então insuspeitado, e conhecer aquela forma de cinema tão diferente foi como dar banana pra um macaco pela primeira vez. Foi com esse filme que se inaugurou pra mim a fase "filmes que você precisa ver umas cinco vezes pra começar a entender".
6. As melhores intenções (1992)
O filme é tão obscuro que só achei o cartaz dele nesse idioma osbcuro aí. Já que estamos na fase "filmes que precisam ser vistos trocentas vezes para serem entendidos", esse filme não poderia faltar. Vi no Cine Sesc, tido como o melhor de São Paulo, com dois de meus melhores amigos. Não vimos trocentas vezes, mas aparentemente cada um de nós tinha sacado uma coisa diferente a respeito desse filme dirigido por Bille August (de Pelle, o Conquistador e, posteriormente, A Casa dos Espíritos) sobre uma história escrita por Ingmar Bergman, que se inspirou na história de seus pais. Na troca das idéias formou-se o quadro de um filme absolutamente genial. Esses nórdicos, aliás, parecem ser muito hábeis em falar sobre coisas universais enfocando apenas o trivial.
7. Forrest Gump (1994)
O filme é bom, mas não haveria sido adicionado aqui não fosse o fato de eu tê-lo visto sozinho num dia particularmente solitário. Eu estava perturbado, sem saber exatamente porque e ingressei a sala do Conjunto Nacional sem esperar grandes coisas. E o que fez toda a diferença foi a seqüência inicial. Se você não lembra, trata-se daquela pluma voando sobre a cidade de Savannah, na Georgia, ao som do pianinho inspirado de Alan Silvestri. Foi um banho terapêutico naquele dia nublado. Eu precisava de um pouco de leveza, um pouco de inocência e singeleza e ali estava tudo isso. Até hoje, ouvir os acordes daquela música singela me despertam uma emoção bem específica, e ela é boa, muito boa.
8. Antes da Chuva (1994)
Um filme absolutamente brilhante, precursor do estilo Iñarritu, Guy Ritchie e Tarantino de construir roteiros, mas ousaria dizer que com um grau de classe a mais. No ano em que assisti esse filme eu parei pra pensar e vi que, embora sendo ainda abril ou maio, eu já havia visto 14 filmes aquele ano, dos quais apenas esse e Um Sonho de Liberdade poderiam ser classificados diferentemente da categoria "lixo". Decidi, então, largar o vício e evitar o cinema. Antes da Chuva foi, portanto, o último banquete de um longo período de jejum que, hojem dia, me parece ter sido bastante salutar, no geral.
9. A Paixão de Cristo (2004)
O único filme mais atual a figurar nessa lista tem seu impacto associado a minha fé. Quando fui ver, já conhecia o filme quase todo de ouvir falarem. Ainda assim, ver em cores vivas o contraste do que fizeram a Cristo com Sua atitude perdoadora foi um soco na boca do estômago. Demorei horrores pra me refazer e isso aconteceu mesmo eu pedindo pra não me refazer jamais. Infelizmente. Há coisas no filme que me parecem forçadas, outras desnecessárias, mas seja como for, se não pode ser taxado de um grande filme, é sem dúvida alguma um filme muito marcante.
* * * * * * *
Sinto que a tendência é os novos filmes que figurarão nesta lista aparecerem cada vez mais espaçadamente. Mas quem sabe não aparece outro ainda esta década?
Posted by marcol at novembro 26, 2007 1:05 PM
Comments
Ache opções de decoraçao de natal no Buscapé.
Posted by: Valentine Duarte at dezembro 14, 2007 2:37 PM
Antes da Chuva! A Liberdade é Azul! As Melhores Intenções! Que filmaço!
Mas vim aqui te mostrar isto. Lê o final: http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/2007/11/gauchos-resolve.html
Posted by: Milton Ribeiro at novembro 29, 2007 12:25 PM
Rapaz, só não incluí Super-Homem na minha lista porque não vi o filme no cinema. Senão entraria fácil, por conta daquela antológica cena em que o Superman muda o sentido da rotação da Terra e fez o tempo retroceder, atropelando todas as leis da física e inspirando o Gil a fazer aquela música sensacional...
Posted by: Inagaki at novembro 28, 2007 1:43 AM
Sou parceiro nesta sessão do Super-Homem. Fui fantasiado E DE CHAPÉU DE COWBOY.
Posted by: Bruno Porto at novembro 27, 2007 4:36 AM