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outubro 9, 2007
Coisas que não vivemos sem

Esses dias noticiaram com certo alarde a transformação de um pitbull em vegetariano. Olha aí a alegria do cidadão com uma cenoura.
Eu sou ovolactovegetariano há dez anos, mas não sou panfletário, chato, nem xiita. Minha mulher e meus filhos não são e ver meu filho comendo um bife não me ataca a gastrite. Só que me imaginar fazendo o mesmo sim.
Aconteceu assim: comecei a ler nessa época da minha vida uma penca de coisas em favor dessa forma de dieta. E olha que nem existia então o YouTube com os impressionantes vídeos do PETA. Confesso que não foram exatamente as horríveis condições dos animais confinados para abate que me sensibilizaram, mas o simples efeito da carne no corpo humano que foram me dando asco pela coisa. Comecei a evitar a carne até que cheguei a um ponto em que já estava havia três meses sem comer necas. Aí pensei: já que fiquei três meses sem traçar nenhum cadáver, voumembora, virar vegetariano de vez.
Logo em seguida fui num almoço de amigos e descobri que era churrasco. Opções alternativas à picanha, só alface e arroz. Pensei que era minha prova de fogo e, se passasse a alface e arroz aquele dia não correria risco de recaídas. Dito e feito.
O que aconteceu nesses dez anos foi basicamente o seguinte: tirando uma ou outra situação de dificuldade como a do churrascão acima, nunca passei por privações por minha dieta. Em contrapartida, meu paladar mudou substancialmente. Vejo sabor onde antes não via e fujo de coisas que me pareciam o supra sumo até então. Dez anos sem nem sequer um desarranjo intestinal ou coisa que o valha e muito menos irritabilidade. Portanto, aprovo a opção que fiz, com lôas.
* * * * * *
Um pitbull vegetariano não é o fato absurdo que muitos imaginam. Os animais se adaptam às condições em que vivem. Há quem defenda que mosquitos, por exemplo, alimentavam-se, em algum tempo não tão distante assim, exclusivamente de sucos de frutas e também leões tornados vegetarianos graças a uma dieta alterada para seus pais.
De minha parte, sei que quando tinha oito anos e ouvi na escola que café fazia mal, disse pra minha mãe que não ia mais tomar café e nunca mais tomei, sem qualquer crise de abstinência - porque não estava viciado ainda, embora tomássemos todos os dias em casa. Mais tarde, na adolescência, larguei refrigerantes. Depois parei de beber durante as refeições. Enfim, coisas que as pessoas acreditam que não vivem sem, vivem sim muito bem. Só precisam decidir.
Posted by marcol at outubro 9, 2007 9:14 AM
Comments
Olá amigo, concordo com você, apesar de não conseguir fazer nada do que falou, já tentei, fiquei 3 meses sem refri, um bom tempo sem café, mas pelo mesmo motivo que parei, voltei... não sei que motivo é.
Acredito que funciona assim. Determinação é a palavra.
abraço.
Posted by: Anderson-Kbça at outubro 17, 2007 11:01 PM
No mínimo curioso!
Posted by: Serjones at outubro 15, 2007 8:45 AM