« setembro 2007 | Main | novembro 2007 »

outubro 30, 2007

Duas perguntas

Uma tal de Synectics, que seria uma consultoria suíça, conseguiu seus 15 minutos de fama divulgando seu ranking dos 100 maiores gênios vivos. Eles escolheram pessoas com grandes realizações, que mudaram paradigmas e que alcançaram grande reconhecimento pelo que fazem. Para mostrar que não se trata de um olhar monofocado sobre o que seria gênio, botaram no mesmo saco o químico duas vezes nobel Albert Hoffman, Nelson Mandela, Bill Gates e até Matt Groening, o criador dos Simpsons (finalmente um gênio que eu posso entender porque é assim considerado).

A coisa repercutiu muito no Brasil porque Oscar Niemeyer, o criador de coisas lindas como o edifício Copan (a sirene contra ironia soou aqui) em São Paulo, aparece no Top 10. É o único brasileiro da lista, mas fica aquela sensação de que, assim como aqui, todo mundo agora deve estar falando: olha, quem é esse cara aqui, o nono da lista?

Enfim, como diria o sábio Salomão, tudo é vaidade e correr atrás do vento. Pelo menos Niemeyer teve a reação à altura de sua genialidade: não deu nenhuma bola.

Quem você acrescentaria como gênio à lista?

* * * * * * * * *

cidade anjos.jpgMudando de assunto, ocorreu-me o seguinte. No filme Asas do Desejo, de Win Wenders, anjos de sobretudo percorrem invisíveis a Berlim do pós-guerra, ajudando as pessoas, ficando do lado delas, dando aquela força. É um belo filme, possivelmente o único digno de nota desse diretor alemão. O que me ocorreu hoje foi a lembrança de que ali os anjos são vistos muitas vezes em bibliotecas, dando suporte aos estudantes em suas pesquisas.

O filme fez sucesso e, claro, foi refilmado nos EUA, com o nome de Cidade dos Anjos, com a Meg Ryan e o Nicholas Cage. asas.jpg
Só que lá os anjos aparecem preponderantemente em hospitais, dando consolo aos que sofrem de doenças terminais.

Achei curiosa a visão diferente do papel ideal de um anjo, de nação pra nação, e aí eu me perguntei. Uma eventual refilmagem no Brasil colocaria os anjos aonde?

Posted by marcol at 9:45 AM | Comments (2)

outubro 26, 2007

Culturais

Os 50 melhores filmes distópicos de todos os temposbigbrother.jpg

Thomas Morus escreveu Utopia em 1516, livro no qual narrava uma sociedade perfeita na fictícia ilha de Utopia. O termo tornou-se sinônimo de felicidade impossível, uma perfeição inatingível.

Distopia, portanto, seria o seu avesso. Uma sociedade desumanizada, atingida por pragas, doenças ou então governada por tiranos oniscientes e onipresentes, por exemplo. Não à toa, realidades distópicas soam muito mais verossímeis, apontam para um futuro bem mais plausível.

Pois os caras do Snarkerati elegeram os 50 melhores filmes distópicos de todos os tempos. Se tiver um tempo, passeie por lá e veja quantas cores e que belas obras de arte, pra ficar só na tela grande, esse temor sombrio do futuro, espelhado na alma humana como é hoje, pode render.

Muitos dos filmes ali eu não vi e alguns eu confesso que nem nunca tinha ouvido falar, mas foi bom encontrar coisas marcantes como Logan's Run (que rendeu um seriado de TV que a Bandeirantes exibia nos anos 80 e que acho que só eu e um colega de escola assistimos), Planeta dos Macacos, Delicatessen, Blade Runner e Akira. Como muitos que comentaram ao post, estranhei posicionarem o ótimo Asas do Desejo, de Win Wenders, nesse grupo, pois a rigor o filme não é distópico, e o mesmo vale para Pleaseantville (A vida em branco e preto). E, claro, sempre tem aqueles que você acha que merecia uma menção mas que não foram incluídos.

Evidentemente, listas assim são feitas para ninguém concordar. Sempre tem dois ou três que você não julga à altura e outros tantos que acha que deviam estar lá. De minha parte, tentei pensar em algum filme que faltasse, mas não achei nenhum. Pensei em Inimigo Meu e em Star Wars, mas percebi que eu estava trocando as bolas, são filmes de ficção científica, e não distópicos.

Pena não poder entrar mini-séries para TV. Aí eu gostaria de ver Os guardiães, uma série alemã que a TV Cultura transmitiu por aqui nos anos 80 e que figuraria fácil num Top 10, creio eu.

Posted by marcol at 1:18 PM | Comments (0)

outubro 25, 2007

Ludopédio

Ontem foi outro dia nefasto de trabalho. Passei o dia inteiro de terno e gravata, com os pés molhados pela chuva, de pé numa delegacia minúscula duma cidade idem.

A compensação foi que, por ser meu dia de rodízio de veículos em São Paulo, eu não poderia voltar ao escritório, já que saí da tal delegacia às 16:30. Toquei-me pra casa então e cancelei todos os milhões de coisas que tinha pra fazer quando vi que estava passando Real Madrid X Olympiakos na Record.

Peguei todo o segundo tempo. O time do Real é ruinzinho. Os volantes são omissos, o lateral direito, o tal do Michel Salgado, é mais limitado que o Belletti, o Raul é uma nulidade e se trocassem o Nilsteroy pelo Aloísio o time ia crescer horrores. O holandês é melhor para fazer gols, mas sua facilidade para perder bolas, sua incompetência para proteger a bola, enfim, sua tosquice é tamanha. Mas o Real tem um tal de Robinho.

Quem só viu os gols pela televisão não tem noção do que ele fez. E não tem noção da burrice do outro time, que mesmo sendo esmerilhado, humilhado, destroçado por só esse jogador, não marcou individualmente o garoto. A bola chegava aos pés dele parecendo ser sempre a última opção. Primeiro tentava-se Raul, depois Nilsteroy, e então iam nele, vendo que estava sozinho lá pela esquerda. Quando isso acontecia, ou ele fazia um passe magistral que era sistematicamente desperdiçado por Guti ou Nilsteroy, ou a bola ia a gol.

Robinho estava em estado de graça e o jogo de ontem, que estava difícil, porque o Olimpiakos vencia por 2 X 1 e depois do empate chegou na cara do gol três ou quatro vezes mais, somou-se à lista de jogos vencidos por um único cara. Lembro duma partida do Santos com o São Paulo em que o Geovani do peixe ganhou sozinho, e outro do Palmeiras contra o meu time, em que o Rivaldo fez o mesmo pela porcada. Tem aquele do Brasil contra o Uruguai, quando Romário resolveu a parada, alguns do São Paulo em que só Luís Fabiano salvava. E agora este. Impressionante.

Pena que o Muricy não exibiu o tape desse jogo para os são paulinos que levaram nabo dos colombianos ontem.

Posted by marcol at 3:07 PM | Comments (1)

outubro 23, 2007

Ludopédio

Reparem que a moça, a tal da Karina Bacchi, também é bonita.

bacchi.jpg

Posted by marcol at 1:12 PM | Comments (3)

outubro 22, 2007

Bairrismo

Meu desabafo depois de um dia aziago de trabalho, no post abaixo, rendeu uma discussão interessante nos comentários. Minha boa e velha amiga Dani, baiana que é, disse o seguinte:

Nem vou comentar as referências à preguiça dos baianos pq isso é taaaaoooo século passado que eu passo. Eu sou daquelas chatas politicamente corretas que nao fazem piadas com portugues, loiras, nordestinos em geral, bla bla bla. Pq, vc sabe, um certo grupo dessa gente estranha que estuda Letras, e precisamente análise do discurso, acredita que a língua nao apenas descreve a realidade, como também a forja. Assim que....

Antes que eu pudesse fazer um aparte necessário, ou melhor, uma explicação (que deveria estar no corpo do próprio post, falhou), a Lilian me defendeu dizendo que Não é preconceito, é "pós-conceito." e ainda a minha preclara colega, Carol, adicionou um testemunho pessoal que endossa minha percepção.

É bem isso, Dani. Não é nada de preconceito, aliás, eu antes de ter as experiências que tenho tido achava que isso tudo era invencionice. Se foi inventado pelo discurso repetido à exaustão, não sei, mas o fato é que o processo judicial demora na Bahia em média o triplo do tempo que demora no resto do país, e por razões absolutamente difíceis de entender.

O resultado disso tudo é que eu queria morar lá.

Posted by marcol at 3:12 PM | Comments (1)

outubro 19, 2007

Crónicas

Um típico dia de trabalho

Graças ao horário de verão, era ainda noite quando o táxi me pegou pra levar ao aeroporto de Congonhas. Lá reina a mais perfeita paz e o único senão foi pagar na farmácia do aeroporto uma pequena fortuna por um Resfenol e um pacotinho de lenços de papel. Guarde o fato de eu estar resfriado, será importante mais adiante.

Vôo da TAM até Belo Horizonte. Na descida, o sofrimento de estar gripado. Você sente uma pressão na cabeça como se alguém estivesse com um torniquete nas têmporas ou mais exatamente no ouvido, e apertando sem dó. Perguntei pras aeromoças o que se pode fazer nessa situação e elas disseram: ah, quando a gente está gripada a gente não voa. Certo. Conexão para Salvador. A descida em Salvador foi 15 vezes pior. Quase enlouqueci de dor. Me vi gritando para a menina à frente na diagonal que ela era muito linda (e era mesmo) ou esmurrando o cara do lado dela por ter ficado a viagem toda com a poltrona inclinada sobre meus combalidos joelhos. E conversando com a menina do lado. Mas me segurei.

Desci grogue da dor e quase completamente surdo, os ouvidos tampados. Perguntei pra menina da cooperativa de táxi quanto tempo levava a viagem até o bairro aonde haveria a audiência que me trouxe a Salvador e ela respondeu que era coisa de 30 ou 40 minutos.

Ignorei a fome - no avião eu só comi uma barrinha de cereal que levei comigo, porque nos dois serviços de bordo as opções de lanche envolviam cadáveres suínos e, pelas razões expostas no post abaixo, declinei - saí pra tirar dinheiro no caixa eletrônico; o do Banco Real esnobou meu cartão, disse que deu problema na leitura, mas por sorte eu tinha umas merrecas no Bradesco. Comecei então a procurar uma lan house no aeroporto. Acessei e entrei em contato com o pessoal do escritório em São Paulo, quando fui informado que minha audiência era às 12H30 e não às 13h30 como eu imaginava. Larguei tudo e saí correndo. O taxista confirmou que a viagem levaria de 30 a 40 minutos. Eu expliquei que tinha uma audiência e que já era meio dia. Chegamos ao forum em 15 minutos. Tributei a diferença ao fato de haver sacado o pobre homem de sua baianidade latente.

A audiência foi instalada e descobri muito feliz e contente que minha presença era absolutamente inútil, porque não havia juiz ali naquele forum, o que obrigaria o processo a ser enviado para o tal outro forum para lá ser marcada uma nova audiência. Seria a 4a do processo, uma coisa relativamente simples mas que envolve um valor alto. Nós havíamos checado dúzias de vezes com o advogado local se a audiência haveria mesmo, porque estamos escolados com a Bahia, o Estado onde os processos mais demoram em todo o país, endossando e ratificando a fama dos nativos. E tecnicamente houve audiência, mas só pra marcar outra.

Voltei imediatamente pro aeroporto, bati um sanduba do Subway com resfenol, voltei pra lan house, resolvi pendengas e pendências e enfim aboletei-me na sala de espera de onde meu vôo direto para Guarulhos deveria sair às 17h30, horário local.

Fiquei lendo a Piauí de outubro, a mais fraca de todas que li. Mas valeu a pena pelo Guia de viagem da Molvânia que veio anexo, uma verdadeira pérola de cultura. Terminei de ler meu "Feito de modo especial e maravilhoso", do Dr. Paul Brand, com colaboração de Philip Yancey, um livro simplesmente excepcional.

No vôo de volta, ao meu lado havia um cidadão sem as duas pernas, pelo menos do joelho pra baixo. O detalhe é que ele estava de bermuda, com duas próteses metálicas, e eu só fui notar o fato lá pelo meio da viagem. Ele andava de modo perfeitamente normal.

O vôo era daqueles que você acompanha o trajeto da aeronave. Lá pelas tantas, notamos que o avião começou a dar umas voltas estranhas. Em algum tempo o comandante veio esclarecer: todos os aeroportos de São Paulo estavam absolutamente abarrotados. Ficamos dando voltas a esmo e por fim descemos em Belo Horizonte, para reabastecer a aeronave e esperar novas orientações.

Imediatamente liguei pro taxista que me esperava e pedi pra ele ir pra casa e avisei a patroa dos contratempos. Descemos todos do avião, ficamos numa sala de espera vazia por uma hora. Pelo menos trouxeram suquinho e água pra gente. E pelo menos o Resfenol parece ter funcionado e eu não explodi na descida. Só continuei surdo.Lá comprei uma Placar e uma Carta Capital, porque a Piauí tinha acabado.

Descemos em Guarulhos perto da meia-noite. Peguei uma fila gigantesca para pagar o táxi e outra ainda maior para pegar o dito cujo, mas enfim me vi refestelado no banco de couro daquele Astra gelado, pensando que em mais uma hora e pouco estaria em casa. De tão cansado, apaguei na viagem. Só lembro de ter visto a pista expressa da Marginal interditada e todo mundo se acotovelando com os caminhões gigantescos na pista local. Mais à frente,uma carreta tombada. Mais adiante, carretas carregando umas estruturas metálicas enormes, escoltadas por policiais.

Fui dormir às duas da manhã. E estou surdo até agora.

Posted by marcol at 1:24 PM | Comments (9)

outubro 9, 2007

Coisas que não vivemos sem

pitbull.jpg

Esses dias noticiaram com certo alarde a transformação de um pitbull em vegetariano. Olha aí a alegria do cidadão com uma cenoura.

Eu sou ovolactovegetariano há dez anos, mas não sou panfletário, chato, nem xiita. Minha mulher e meus filhos não são e ver meu filho comendo um bife não me ataca a gastrite. Só que me imaginar fazendo o mesmo sim.

Aconteceu assim: comecei a ler nessa época da minha vida uma penca de coisas em favor dessa forma de dieta. E olha que nem existia então o YouTube com os impressionantes vídeos do PETA. Confesso que não foram exatamente as horríveis condições dos animais confinados para abate que me sensibilizaram, mas o simples efeito da carne no corpo humano que foram me dando asco pela coisa. Comecei a evitar a carne até que cheguei a um ponto em que já estava havia três meses sem comer necas. Aí pensei: já que fiquei três meses sem traçar nenhum cadáver, voumembora, virar vegetariano de vez.

Logo em seguida fui num almoço de amigos e descobri que era churrasco. Opções alternativas à picanha, só alface e arroz. Pensei que era minha prova de fogo e, se passasse a alface e arroz aquele dia não correria risco de recaídas. Dito e feito.

O que aconteceu nesses dez anos foi basicamente o seguinte: tirando uma ou outra situação de dificuldade como a do churrascão acima, nunca passei por privações por minha dieta. Em contrapartida, meu paladar mudou substancialmente. Vejo sabor onde antes não via e fujo de coisas que me pareciam o supra sumo até então. Dez anos sem nem sequer um desarranjo intestinal ou coisa que o valha e muito menos irritabilidade. Portanto, aprovo a opção que fiz, com lôas.

* * * * * *

Um pitbull vegetariano não é o fato absurdo que muitos imaginam. Os animais se adaptam às condições em que vivem. Há quem defenda que mosquitos, por exemplo, alimentavam-se, em algum tempo não tão distante assim, exclusivamente de sucos de frutas e também leões tornados vegetarianos graças a uma dieta alterada para seus pais.

De minha parte, sei que quando tinha oito anos e ouvi na escola que café fazia mal, disse pra minha mãe que não ia mais tomar café e nunca mais tomei, sem qualquer crise de abstinência - porque não estava viciado ainda, embora tomássemos todos os dias em casa. Mais tarde, na adolescência, larguei refrigerantes. Depois parei de beber durante as refeições. Enfim, coisas que as pessoas acreditam que não vivem sem, vivem sim muito bem. Só precisam decidir.

Posted by marcol at 9:14 AM | Comments (2)

outubro 3, 2007

Cute cute

Cute cute

Meu filho de seis meses tem a cabeça redonda e careca, os olhos verdes e a boca banguela. Ele pesa oito quilos e já fala mãmãmã e papapa, embora bem menos papapa do que mãmãmã.

Meu filho de quase cinco anos continua monomaníaco por heróis. Há algum tempo eu fiz uma caça-ao-tesouro com ele em casa. As pistas eram assinadas por um tal Pirata Barba Rôxa. Para dar verossimilhança à existêncai do tal pirata, eu inventei a história inteira dele, cheia de detalhes, aonde morava, de como ele deixou de ser malvado e agora era do bem. Desde então, toda sexta à noite ele levanta a hipótese de o pirata barba-rôxa ter passado em casa e deixado outro DVD cristão ou bonequinho idem. Mas outro dia ele falou para uma vizinha sobre o pirata Barba Rôxa e, quando ela perguntou quem era o tal, ele respondeu singelamente: "ah, é um pirata que meu pai inventou".

Por coisas como essa é que eu estou a fim de ir pra casa.

Posted by marcol at 4:21 PM | Comments (3)