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setembro 17, 2007

Besteirol

Pérolas de çabedoria (com cê cedilha)

Eis aqui uma dica espetacular dele, o mago da auto ajuda. Ou melhor, o magro alto que ajuda: Gosberto Chin É Chique, colaborador bissexto deste blog. Ou seja, ele só escreve em anos bissextos. Pela contagem suméria, claro. Dessa vez ele vai abordar um tema tão profundo quanto o abismo de onde saiu Marta Suplicy, vai fazer analogias tão brilhantes como as empregadas por Lula em seus discursos improvisados e tirar conclusões tão certeiras quanto as que Carlos Alberto Parreira é capaz de tirar de seus compromissos pela seleção sul-africana:

Muitas pessoas querem ser aquilo que não são e acabam mostrando ser aquilo que não queriam ser, acreditando mostrar ser aquilo que imaginavam que seriam caso não fossem o que são. É como ilustra a pequena fábula do búfalo solitário, contada pelos celtas geração após geração, à luz da fogueira que arde eternamente sobre o monte Kiribati:

Havia em um certo vale pantanoso, um pequeno ornitorrinco que queria ser bombeiro. O pequeno ornitorrinco falava a todos que encontrasse de seu desejo intenso de um dia ser bombeiro e poder apagar um incêndio na floresta. A pequena gralha argumentava com o pequeno ornitorrinco que a idéia era esdrúxula, na medida em que viviam eles num vale pantanoso, e não em uma floresta, mas nada abalava o ânimo do pequeno ornitorrinco. Num belo dia (e isso é apenas força de expressão, já que o dia estava terrível, chovendo, frio e com reprises de filmes dos Trapalhões o dia todo na tV), apareceu no vale pantanoso o Monstro do Pântano, perguntando ao pequeno ornitorrinco se ele sabia onde estava o seu vidro de gel. O pequeno ornitorrinco, então, disse ao Monstro que não sabia, mas que queria ser bombeiro. Aí então...

Bem, aí então ninguém sabe o final da história, porque há 658 anos, quando tatatatatatatatataravô celta contava essa história ao tatatatatatatatatataravô celta, seu filho, teve um súbito ataque cardíaco e morreu, interrompendo a narrativa dessa forma abrupta. A história passou a ser contada de forma incompleta, mas nem precisamos saber tudo para tirarmos uma conclusão valiosa: não devemos ser aquilo que não somos. Para sermos seres integrais, completamente completos, precisamos admitir que não somos outra coisa se não exatamente aquilo que somos, embora não tenhamos a menor idéia do que é isso.

Depois eu volto, pequeno gafanhoto. Mas antes, faça o seguinte exercício espiritual: levante os braços lentamente deixando o ar expirar, e dobre o tronco até formar a figura de um tigre siberiano dançando polca. Tente imaginar um catavento sendo destroçado por uma ariranha bêbada. Diga três vezes: "Sofia Loren", então abra os olhos lentamente e mergulhe na primeira piscina de bolinhas que encontrar. Você vai se sentir muito melhor.

Posted by marcol at setembro 17, 2007 7:39 PM