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agosto 10, 2007

Este é o nosso Deus

A partir de hoje e toda sexta-feira, começo uma série de contos inspirados na série de palestras que estão na programação atual da igreja Nova Semente, de autoria do pastor Kleber Gonçalves, e que aborda os atributos de Deus que conhecemos, porque estão revelados em Sua Palavra. Mais detalhes, acesse www.novasemente. org. Para das honras e glórias a quem de direito, a idéia inicial dessa série de contos é da Giuliete Siqueira.

1. Onisciência

Ao redor da mesa os jovens casais devoram uma pizza em meio a risadas. Um deles, segurando uma fatia nas mãos, está no meio de uma história divertida:

- ...só no fim do dia, contando o dinheiro do caixa, é que ele percebeu que a nota que o cara tinha passado era falsa. Vocês sabem que num caso desses o caixa amarga o prejuízo, né? Ele botou dinheiro dele lá, mas no dia seguinte chegou uma cliente daquelas chatérrimas,
reclamando de tudo, grossa pra dedéu e aí ele não teve dúvidas: enfiou a nota falsa no meio do dinheiro que ela estava retirando!

Um outro pergunta:

- E ninguém descobriu?

A um sinal de Deus, a cena congela. Em frente a uma gigantesca tela, Ele admira a cena longamente.

- Ah, Heitor, Heitor... Nesse ponto de sua vida essa pergunta, "ninguém descobriu?" te define. Porque para você, se ninguém descobriu, tudo bem. Eu sei quando, exatamente, você chegou a essa conclusão. É bem aqui:

A outro gesto Seu, a tela exibe um menino de 4 ou 5 anos, vestido com uma camiseta estampada bem ao gosto dos anos 70, chutando uma bola na sala de sua casa. Um vaso no canto acaba vitimado, para terror da criança. Ele olha para a escada que leva ao piso superior na esperança de que ninguém tenha ouvido. Rapidamente reúne os cacos sobre uma pá de cozinha. Em seguida o vemos esgueirando- se pelo telhado da casa e depositando os cacos embaixo da caixa d`água. A um sinal de Deus, a cena mostra a família reunida na sala, comentando distraída o que Sergio Chapelen dizia no Jornal Nacional. No canto da sala, a ausência do vaso. A criança perscruta a mãe ao seu lado e sorri satisfeito, havendo descoberto as delícias da impunidade.

- Por isso você vive essa vida dupla. É um cidadão respeitado, funcionário exemplar, vive falando de ética – o telão mostra Heitor no trabalho, pessoas interrompendo conversas para ouvir o que ele tem a dizer. Com uma VEJA que estampa a foto de Renan Calheiros na capa
nas mãos, ele observa para o colega ao lado, ironicamente:

- Ética, definitivamente, não é o forte no tal de comitê de ética do Senado – depois sério:. Por essas e outras eu digo que o problema desse país não é de educação nem econômico, é um problema de caráter!

- ... Mas eu sei muito bem o que você chama para si mesmo de "pequena compensação". Sei que nos seus acertos de contas na empresa você sempre apresenta o dobro da quilometragem percorrida nas viagens para ter um reembolso maior, por exemplo.

A cena na tela muda para mostrar o que Deus acaba de descrever.

- Sei também porque você chama isso de compensação:

Agora se vê Heitor e a esposa jantando, ele com os olhos enterrados na comida, cara de amuado. Ela pergunta o que há.

- Hein? Ah, não dá pra esconder, né? Bom, saiu uma promoção pra supervisor e adivinha? Não foi para mim.

- Puxa, amor, que chato! Esses caras não vêem o quanto você trabalha? Que injustiça!

Em off ouvem-se os pensamentos dele: chato? É, chato, mas o outro nome disso é pilantragem. Eu dei o sangue no último ano e meio e parece que ninguém percebeu. Eles me devem. Essa empresa me deve dinheiro!

- Mas o que você chama de compensação eu chamo de uma vã tentativa de justificar o injustificável. E eu sei também, Heitor, outras coisas. Coisas que você acha que ninguém mais sabe e que por isso está tudo bem. Como, por exemplo, sua solidão, que você esconde de sua esposa e dos outros como se fosse uma enorme fraqueza.

Na tela, a sala de sua casa e ele lendo um livro enquanto a esposa pinta as unhas do pé assistindo à novela. Ele encontra algo no livro que o impressiona profundamente e chega a abaixar o livro para comentar com a mulher, mas ao encontrá-la absorta no folhetim, deixa
pra lá e, com um profundo suspiro, retoma a leitura.

-Tantas e tantas vezes eu procurei te dizer que eu sei, Heitor, e que o melhor seria não esconder os cacos dos vasos quebrados em algum lugar que você acha que só você vai descobrir. Tentei te fazer entender que eu tenho a cola eficaz para cada vaso que você quebra,
Heitor! Mas não pense que eu desisto facilmente. Não, pelo contrário! Meu estoque de alternativas é grande e você, Heitor, continua na mira do meu amor!

Com um derradeiro gesto a cena volta a mostrar a sala de sua casa e ele lendo outra vez. A porta se abre e sua esposa entra, visivelmente empolgada.

- Oi, amor! Que pena que você não foi!

- Aonde você foi, mesmo?

- Na igreja que a Cíntia vive me convidando. Foi fantástico! O pastor falou sobre relacionamentos, sobre diálogo no casamento... Toma, eu trouxe o áudio da palestra pra você, a gente podia ouvir juntos. A propósito, o que você está lendo?

Close na surpresa que sua face estampa.

"Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hebreus 4;13, NVI)

Posted by marcol at agosto 10, 2007 8:38 AM

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