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agosto 31, 2007
Coisas da fé
Este é o nosso Deus IV
4. Imutabilidade
Marcio está dirigindo sem nem saber muito bem para onde. A paisagem se alterna ao redor dele, mas sua mente voa muito longe. Sobre o banco do passageiro, a carta que oficializa o convite feito por uma grande consultoria para ser trainee. Na mente, a batalha entre a vontade de acomodar-se no pequeno escritório de contabilidade de seu pai e o desejo de, mesmo ganhando bem menos a princípio, alçar um vôo solo, fazer sua própria história, criar uma carreira.
Com um fundo suspiro, Marcio começa a mudar o dial do rádio a esmo, parando um pouco em cada resultado. Na terceira estação, sua atenção é capturada pelo coro de uma música:
Então prossiga/ Pelo seu ideal/ e vá lutando pra alcançá-lo afinal...
Marcio começa a rir, e, olhando para cima, diz: “obrigado, Pai!”enquanto a melodia prossegue:
Tudo é possível/ pois esse Deus de amor/ move as montanhas/ se preciso for
Olhando a cena de sua tela, Deus diz: - Ah, Marcio, como é bom ver que você reconhece minha voz falando com você. Usei essa música para lhe encorajar a perseguir esse seu sonho, porque esse passo é importante no processo de amadurecimento. E a obra que eu tenho para você requer um outro Marcio, sabedor de outras coisas... Mas essa habilidade para reconhecer minha voz quando ela fala com você depende de que passe tempo comigo. E, infelizmente, nem sempre você vai dedicar tempo a mim.
A um gesto de Deus, a cena se alterna para mostrar um instante futuro. Marcio está agora com o cabelo mais curto e trabalha em casa sobre um notebook, com uma calculadora financeira ao lado e papéis espalhados pela mesa. No canto, lá no fundo, em meio a uma porção de livros, uma Bíblia fechada.
Deus: Embora eu queira vê-lo maduro e crescendo profissionalmente, jamais pediria que isso fosse alcançado com o sacrifício de tempo de relacionamento comigo e com sua família. Aí está você, trabalhando o final de semana inteiro para a vaga de analista sênior. Sem perceber, mudanças profundas estão acontecendo dentro de você, levando-o para longe de mim. E isso se reflete não apenas na incapacidade de ouvir minha voz...
Na tela que Deus tem a sua frente, nota-se que pela janela entreaberta da sala de Márcio uma melodia vinda não se sabe de onde se insinua para dentro:
Hoje é o dia de voltar/ Não, não olhes para trás/ se teu coração falar/ não adies nada mais/ É Jesus que fala ass...
Nesse momento, Marcio fecha a janela para não ser incomodado.
Deus: ... isso se reflete também nos novos prazeres que você escolheu, no egoísmo extremo de suas atitudes e principalmente nos novos tipos de relacionamento em que se meteu. Não por acaso, todos eles acabam de forma muito parecida.
Na tela vê-se uma rápida sucessão de cenas muito parecidas. Vê-se a porta do apartamento de Marcio se abrindo com fúria para a saída de uma moça carregada de malas.
- Você é um porco, Marcio! Não sei como eu fui perder tanto tempo com um egoísta como você...
E outra, também puxando uma grande mala:
- Você é um monstro, Marcio, um monstro! Só olha pro seu umbigo. Você acha que eu tenho que ficar perdoando suas escorregadas pro resto da vida?
Outro fade para outra despedida:
- Você é um idiota, Marcio! Quando você descobrir o que quer da vida vai ser tarde demais. Aliás, já é. Cresce!
Deus com um gesto paralisa a imagem em close no rosto contrariado de Marcio antes que ele comece se discurso de tentativa de convencimento: Você tentou reatar com todas elas e não conseguiu. Percebeu que traiu sua confiança e agora é impossível fazer com que elas acreditem que você pode ser a mesma pessoa por quem elas se apaixonaram um dia. Você está convencido de que uma vez que magoe alguém, terá posto a perder o relacionamento com ele para sempre, porque a atitude desse alguém para contigo vai ter que mudar, necessariamente. Eu quero te mostrar que isso pode ser verdade, em regra, quando se trata de relacionamentos humanos, mas que eu sou diferente. E que ainda nutro por você o mesmo sentimento de quando você reconhecia minha voz nas músicas que ouvia. Hoje, Marcio, eu vou ser bem explícito:
Muda a cena outra vez. Marcio está sozinho em seu sofá, com um pacote de biscoitos na mão. Atrás dele, uma árvore de natal piscando melancolicamente. Ele toma o controle remoto da TV e começa a zapear pelos canais. Num deles, uma música está sendo executada com a legenda “música especial de natal”. A câmera percorre os rostos de jovens de um coral vestidos com camisas de diversas cores. Antes de abrirem a boca para a primeira frase, contudo, Deus recita o primeiro verso e assim sucessivamente:
Tudo que eu criei foi pra você/ O vento que eu soprei fez você viver/ Um dia contemplando o que eu construí/ Eu planejei fazer você feliz/ Mesmo assim, o que aconteceu?/ Você não me conhece ou se esqueceu/ Eu olho e então te vejo tão longe de mim/ Mas sei que vou fazer você feliz/ Eu não mudei, ainda sou o mesmo / Meus braços inda estão abertos Minhas mãos estão feridas/ Eu não mudei / Ainda sou o mesmo/ Tão cheio de amor/ Volte pra mim porque eu não mudei
Enquanto grossas lágrimas escorrem do rosto de Marcio, Deus sorri e chora também.
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (Tiago 1:17 NIV).
Nota: a primeira música citada é “Prossiga”, gravada por Ronaldo Arco. A segunda é “Hoje é dia de voltar”, gravação do grupo Carisma. A última é “Ainda sou o mesmo”, composição de Evaldo Vicente gravada pelo Coral Adventista Jovem do Rio (que de fato esteve na televisão no natal de 1999, mais precisamente no programa dominical da apresentadora Xuxa) e por Regina Mota.
Posted by marcol at 8:38 AM | Comments (0)
agosto 30, 2007
Culturais
The IT Crowd
Quem tem Sony Entertainment na televisão deveria tentar ficar em casa às terças-feiras pra conferir a The IT crowd, uma comédia inglesa com aquele humor tão próprio dos bretões. É diferente no visual e na temática: aborda uma empresa sabe-se lá de que pela ótica dos caras do IT, ou seja, os caras que consertam os computadores quando eles quebram. Na dita cuja, a equipe, constituída por um nerd, um ninfomaníaco e uma gerente que não entende necas de computadores é relegada ao porão da empresa.
Especialmente pra quem trabalha em empresas, as piadas resultam hilárias. Toda vez que toca o telefone da sala deles, por exemplo, entra uma gravação dizendo algo como: "IT, Moss falando... você já tentou ligar e desligar...você já verificou se está ligado na tomada?..."

Posted by marcol at 6:15 PM | Comments (1)
agosto 28, 2007
Agora a gente comemora quando os caras são processados, como se tivessem sido condenados e este não fosse mais o país da impunidade. Que seja, vou estourar uma garrafa de suco de gabiroba.
Posted by marcol at 1:41 PM | Comments (3)
agosto 27, 2007
Para conhecer Jorge Drexler
Eu falei aqui sobre esse excepcional compositor e cantor uruguaio, que levou o Oscar por Al otro lado del río, da trilha de Diários de Motocicleta. No YouTube há uma penca de coisas dele. Sugiro começar por essa aqui, que foi a primeira música que ouvi dele. Um bom cartão de visitas.
Posted by marcol at 5:00 PM | Comments (2)
agosto 24, 2007
Este é o nosso Deus III
3. Onipotência
Em silêncio, Deus observa Sua grande tela dividida em incontáveis quadros, cada um com foco em uma pessoa diferente ao redor do mundo todo. O que há de comum entre cada uma delas é uma expressão de angústia ou desesperança nos olhos.
- Imaginem seus filhos se aproximando de vocês para pedir algo que vocês têm. Imaginem que esse algo não seja algo prejudicial para eles, é uma coisa boa. Uma mão para levantarem quando caírem. Agora imaginem seus filhos pedindo o que precisam e o que vocês querem dar como quem não crê que vocês vão se importar e dar. Como vocês se sentiriam? O que achariam se seus filhos duvidassem de sua capacidade para levantá-los do chão?Isso doeria fundo em seus corações, não é? Então por que agem para comigo como esses filhos imaginários? Por que, queridos, insistem em viver como se Eu não me importasse, como se Eu não pudesse resolver os problemas ou como se Eu fosse limitado pelas circunstâncias?
Na tela, um dos pequeninos quadros cresce e toma o primeiro plano. Mostra Raquel, uma jovem bióloga brasileira, no aeroporto de Kiev, tentando explicar que está ali para um congresso para o qual foi convidada. As autoridades locais abanam a cabeça e dizem em bom russo um monte de coisas que ela não entende exatamente mas cuja suma ela entende bem: ela não pode entrar no país. Ela arranha um inglês mequetrefe que eles não fazem questão de traduzir. Seu desespero é palpável e a faz orar por ajuda.
A um gesto de Deus, a tela se divide. Na outra metade vê-se um homem dirigindo um carro na mesma Kiev. A outro gesto, a tela se triparte e na terceira faixa vê-se um homem fazendo uma ligação telefônica. É para o homem do carro. Eles conversam em russo por um breve instante, ao cabo do qual o homem do carro dá meia volta e toma o sentido oposto. O terceiro homem desaparece, o homem do carro estaciona no aeroporto de Kiev e entra. Logo a tela tem uma cena só, onde se vê esse homem conversando com uma senhora que trabalha no aeroporto tendo ao fundo Raquel, fazendo uma última desesperada tentativa de demover as autoridades aeroportuárias. O homem ouve a cena, pede licença à sua interlocutora, se aproxima de Raquel e pergunto o que está havendo, em português. Ele troca três ou quatro frases em russo com os agentes e ela é finalmente liberada. Enquanto Raquel chora agradecida balbuciando “muito obrigado” dezenas de vezes, ele explica que é português, mas mora em Kiev e que por “acaso” teve de passar ali para desembaraçar uma carga.
- A encarnação de Meu Filho entre vocês – diz Deus fazendo com que a tela volte a ficar repartida em inúmeros pequenos quadros – deveria ser suficiente para que entendessem que Eu não sou indiferente e muito menos impotente. Deveria ser suficiente para que percebessem que tenho as chaves de situações para as quais vocês não têm a solução!
A tela volta a ser tomada por um único quadro, o de um homem sentado em um banco de praça em Toledo, na Espanha. Ele olha fixamente para o chão. Agitado, esfrega as mãos, reclina o corpo para frente, depois para trás, movimenta as pernas. Levando as mãos ao rosto, pressionando as têmporas, ele ora. Diz que não sabe se Deus realmente existe e se está ouvindo, mas ainda assim ele vai suplicar. Durante os mais de vinte minutos que duram essa oração desesperada, Deus sorri e, então meneia a cabeça a indicar aquiescência. O homem na tela abre os olhos, abaixa as mãos, paralisa as pernas. Olha em volta, respira profundamente e então enfia a mão no bolso, tira de lá um maço de cigarros que amassa lenta mas firmemente, jogando-o na lixeira ao lado. Então se levanta e vai.
- A cada instante vocês estão rodeados de milagres em curso, mas, como ovelhas, vocês enxergam muito mal. Não conseguem ver. Tratam o sublime como corriqueiro. Por isso não sabem que podem e devem recorrer a Mim. Que eu ouvirei e atenderei, porque Sou Pai, não sou indiferente. Que Eu farei muito mais do que vocês acham que precisam. Que Eu os salvarei. E que sua salvação começará com o mais fantástico de todos os milagres...
A tela se fecha no quadro que mostra um homem calvo e uma mulher de óculos em um laboratório. Eles estão discutindo, em inglês, os dados de uma pesquisa sobre certas funcionalidades do sistema muscular humano. De quando em quando o homem aperta os olhos num microscópio. De repente, seus olhos se fixam no nada. Ela pergunta o que há, ao que ele, pendulando levemente a cabeça, responde:
- Não, é que... acho que eu creio em Deus.
A mulher de óculos sorri e estremece um pouco. Sorrindo, do lado de cá do telão, Deus completa sua frase:
- ... o milagre da fé.
Posted by marcol at 11:12 AM | Comments (1)
agosto 23, 2007
Teste Seu Vocabulário.
Oferecimento: InterNey.Net
Se você não sabe o que significa "vocabulário" é melhor esquecer e ir pro site da Amiga TV Tudo.
Se você não sabe o que significa "teste", procure o seu médico.
Posted by marcol at 11:59 AM | Comments (1)
agosto 22, 2007
3 cousas terríveis
1. Leio no jornal que a língua portugesa mudará em breve, graças aos esforços para uniformizá-la nos diversos países que a tem como idioma oficial. Além de banir tremas, alguns acentos e outras firulas, diz que, por exemplo, ditongos terminados em i e paroxítonas com tônica em u e em e não mais serão acentuados.
Sabe o que isso significa? Que eu, que vivo basicamente de escrever, vou ter que aprender o que é ditongo e o que é paraxítona. É ou não é terrível?
2. Minha esposa se enfia numas quebradas atrás de uma certa costureira que lhe haviam indicado. Pára o carro na frente da casinha, desce com os dois pimpolhos e dali a pouco houve-se um barulhão. Ao meter a fuça para fora, ela encontra nosso pára-brisa destruído e uma marreta largada ao lado. Isso é terrível.
3. No sábado à noite inventamos de ir à Festa de N. S. da Achiroppitta, a mais paulistana das festas que nós, maus filhos desta terra, jamais havíamos visitado. Fomos em quatro casais mais meus dois filhos. Nas ruas do Bixiga, o bairro ocupado por imigrantes italianos no começo do século passado, armam-se algumas barraquinhas, uma vendendo fogazzas, outra espaguete ao sugo, outra mini-pizzas, uma outra vendendo churrasco no pão, uma vendendo calabresa, algumas com refrigerantes e uma vendendo bolinhos de chuva e churros. Pra cada uma, uma fila de alguns quilômetros. Estava muito lotado demais da conta. Eu, que levava meu caçula no sling, tinha que usar minha técnica ninja de proteger a cabeça do coitado em meio a multidões. Descobri que a festa da Achiropitta também é terríver.
Posted by marcol at 10:59 AM | Comments (2)
agosto 21, 2007
viver e cantar
Nos últimos anos tenho ouvido muito pouca coisa que não seja música cristã. Um problema é que há bem pouca coisa passível de ser chamada de muito boa nesse filão aqui no Brasil. O casamento de uma letra inspirada, com arranjos, produção e repertório idem é raro.
Foi com alívio, portanto, que descobri que o trabalho do Leonardo Gonçalves está nessa faixa minoritária. Acaba de sair seu segundo CD, Viver e Cantar.
Vê-se que a gravadora (Novo Tempo) deu-lhe liberdade completa. Uma coisa boa da música cristã é que não se espera de seus protagonistas fidelidade estrita a um estilo musical. Eles podem, portanto, flertar com diversas linguagens. Poucos, contudo, são tão versáteis quanto o Leonardo.
Certa vez estive numa loja evangélica na Rua Conde de Sarzêdas aqui em São Paulo, cujo dono entende muito de música; comentando sobre o Leonardo ele fez um comentário esclarecedor: ele não conhece nenhum outro artista procurado por tanta gente diferente: negros, brancos, jovens e velhos parecem gostar do que ele faz. Pois bem, nesse trabalho ele flerta com inúmeras linguagens, a exemplo do que já acontecera em seu primeiro CD. Ele pode num momento inserir elementos de flamenco, noutro abraçar a black music, para na sequência empregar arranjos inspiradíssimos de cordas, vocais inusitados, música hebraica e MPB.
Aqui, contudo, vê-se mais ousadia e mais maturidade. As composições todas têm letras muito substanciosas. A maturidade transparece, por exemplo, na inclusão de três músicas que tratam da liberdade em Cristo. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", mas para a maioria esmagadora das pessoas, o cristianismo é o fim da liberdade, é onde você tem que respeitar regras e padrões de comportamento. Entender o caráter libertário da fé requer reflexão e tempo.
São 18 faixas (há algumas vinhetas, prelúdio, interlúdio e poslúdio, todas a capella com ele próprio fazendo ao mesmo tempo 4 vozes diferentes) que requerem alguma digestão, portanto fica difícil destacar momentos mais brilhantes. Gostei, numa segunda audição, de absolutamente tudo, destacando-se a densa "Ele virá", a minimalista e maravilhosamente arranjada "Um dia" e a de coro pegajoso de tão belo "Ele vive".
O CD está dividido em três "livros" ou "CDs": História da Redenção", "Relacionamento com D-us" (influenciado pelo judaísmo, Leo não grafa Deus no encarte) e "Louvor e Adoração". Foi algo pensado, meditado e burilado, o que explica ter demorado tanto a acontecer. Uma outra coisa que fica bastante clara é a incrível capacidade vocal dele.
O Leonardo viveu um tempo com a família na Alemanha e é formado em Letras. Lembro quando ele pintou por aqui. Foi estudar no colégio interno IASP (hoje Unasp campus 3), em Hortolândia-SP, aonde foi convidado a integrar um grupo vocal chamado Tom de Vida. Havia acabado de deixar o colégio um cara que tinha ficado relativamente famoso cantando justamente no Tom de Vida e solando algumas músicas mais populares. Precisavam de um substituto, mas para um menino de algo como 17 anos, substituir um cara famoso é sempre complicado. Inteligentemente, para evitar comparações e confusões, Leonardo inseriu na sua forma de cantar elementos da black music, ainda escassos por aqui, e deu muito certo.
Quando se anunciou o lançamento de seu primeiro CD, todos esperamos um trabalho bem convencional, bem ao gosto do grande público, com baladinhas pop, versões de músicas americanas e overdose de tecladinhos e percussões eletrônicas ralas. Optando por um caminho bem diferente, ele surpreendeu e angariou respeito. Taí o segundo CD para vaticinar e ampliar isso tudo.
Deus seja louvado por essas coisas belas.
Posted by marcol at 10:57 AM | Comments (2)
agosto 17, 2007
Este é o nosso Deus II
2. Onipresença
Mariana sobe pela escada carregando sacolas do supermercado. Está triste, não há dúvidas disso, seu rosto não esconde. Não esconde especialmente porque julga estar sozinha. Não está. Ao atingir o hall de seu apartamento, percebe que Sergio, o filho caçula da vizinha está à porta, desenhando no chão com canetinhas coloridas.
- Oi, tia Mariana!
- Oi, Serginho – e então, ela pergunta, só para ter algo pra dizer: Sua mãe já está em casa?
- Ainda não.
- O que você está desenhando? – Mariana pergunta enquanto aproxima a chave da fechadura de sua porta.
- Ah, é minha vó, que tá doente. Eu queria mostrar ela pra Deus, pra ele curar ela – ele mostra o desenho a ela e então fica pensativo alguns instantes - Aonde eu acho Deus pra mostrar meu desenho, tia Mariana?
Mariana acha graça, mas seu riso é frouxo. Ela dá de ombros.
- Eu não sei ........, eu realmente não sei – é o que sai enquanto abre a porta. Então se vira com ar amargo para dentro do apartamento e complementa baixinho, para que a criança não escute: Mas suspeito que não seja aqui dentro.
Vendo a cena por seu imenso telão, ainda acompanhando Mariana enquanto ela despeja as compras na cozinha e sai pelo apartamento arrumando as coisas, Deus diz:
- Tudo o que eu queria nesse momento, Mariana, é que você soubesse que eu também estou triste, embora por razões distintas. Você está arrasada por causa do divórcio. Você lutou muito, muito contra ele e agora sente uma mistura de solidão com derrota, como se não só o casamento tivesse acabado mas você tivesse fracassado como pessoa, também. Por isso todos esses lenços de papel das suas muitas noites de choro. Mas a minha tristeza vem do fato de você achar que eu não estou aqui do seu lado nesse exato momento, filha. Na hora em mais você precisa do meu abraço e na hora em que eu mais quero te dar o que você precisa...
Estendendo Sua mão para o telão, Deus a toca, mas ela não sente. Está colocando o lixo para fora, organizando as compras nos armários.
- ... você é simplesmente incapaz de me ver. Embora eu esteja aqui, tão perto.
Sobre a mesa da sala há uma Bíblia num pedestal. O vento que entra pela janela agita as folhas e faz com que ela pare em Isaías, exatamente aonde se lê: “Não temas porque sou contigo; não te assombres porque sou teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo e te sustento com a destra da minha justiça” Isaías 41:10.
“Deus” com um gesto paralisa a imagem e diz: Suas lágrimas poderiam servir como o colírio que a faz enxergar, mas você as trata como vendas. Será preciso te levar a algum lugar improvável para você conseguir enxergar finalmente. Você nem sabe, mas já estou trabalhando nisso.
Vemos agora Mariana num dia ensolarado, caminhando pela calçada enquanto atende a uma ligação no celular:
- Alô? Oi, Ricardo, tudo bom? Tudo. Não, não estou no banco, eu saí para ver um... Opa, boa notícia é sempre bom e eu estou mesmo precisando. Transferência? Que transf... ? Ah, aquela que eu pedi logo depois do divór... Pra onde mesmo? Betel, Paraná?
Ela aparenta estar desconsolada, mas disfarça bem:
- Puxa... obrigado, Ricardo! É, foi mesmo muita sorte... – com um sorriso amarelo.
Muda a cena: Mariana está em sua casa, abrindo um mapa e procurando pela sua nova cidade com ar assustado. Deus assiste:
- Chega a ser engraçado ver você formular em pensamento a pergunta que todo mundo faz: aonde está Deus uma hora dessas? Eu gostaria que você soubesse, filha, que ser Deus me dá algumas prerrogativas e dentre elas a de poder estar no lugar exato em que um pai que ama seu filho quer ser sempre estar: perto dele. Você vai encontrar em sua nova vida coisas muito mais preciosas do que aquilo a que dava tanto valor há alguns meses. Mas não precisa chegar lá para me encontrar, eu vou contigo pelo caminho!
A cena na tela se embaralha e vê-se surgir uma outra, Mariana em seu carro, com um mapa ao lado, pegando uma estrada estreita e bem arborizada. Mariana consulta o mapa de quando em quando, olha nas placas mas de repente é surpreendida por um engasgo seco do motor, que desliga na seqüência. Parando o carro no acostamento, Mariana começa a chorar. Mas antes mesmo de conseguir esboçar qualquer reação, um outro carro encosta atrás. Um homem de branco pergunta se ela quer ajuda. Em poucos instantes, o carro está funcionando outra vez.
- Para onde a senhora está indo?
- Betel.
- Betel? Ah, mas a entrada passou há seis quilômetros.
- Puxa, o senhor é um anjo mesmo, muito obrigada! Aonde eu iria parar se não te encontrasse?
Ele dá uma risadinha:
- Pois é... aonde?
Mariana agradece mais uma vez secando suas lágrimas, dá meia volta com o automóvel e avança em sentido contrário ao que estava tomando, enquanto o homem que a ajudou permanecia no meio da estrada, o braço direito estendido num gesto que poderia ser um adeus, mas que na verdade era uma benção.
“Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da Tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a Tua mão direita me guiará e me susterá.” (Salmo 139:7-10).
Posted by marcol at 10:41 AM | Comments (0)
agosto 15, 2007
Diga-me quem é teu herói...
Eu costumava gostar muito do Homem-Aranha, porque ele era um cara magricelo, cdf e looser mas quando botava o colant saía dando porrada e fazendo piadas engraçadíssimas (aliás, as piadas são o que mas falta nos filmes). Eu era magricela, não era cdf e só um pouco looser.
Não era, portanto, uma coisa de identificação, mas ele esteve sempre entre meus favoritos.
Junto com o Batman. Também não tinha nada de identificação (eu não sou herdeiro de nenhuma fortuna nem tenho traumas de infância com morcegos e latrocínios), era aquele lance do detetive mascarado que se move pelas sombras e é temido por tudo e todos. E, claro, dos excepcionais roteiristas e desenhistas que estavam por trás das historinhas.
Pois hoje me vi pensando muito no Multi-Homem, dos Impossíveis. Percebi que havia amadurecido, porque quando nossos heróis favoritos mudam de feição, estamos mudando nós mesmos.
Mas o Multi-Homem galgou posições por causa do rush. Ser o cara me permitiria fazer as muitas coisas que preciso e quero fazer ao mesmo tempo, talvez. Assim, questiono aqui cá comigo a validade desse amadurecimento. Nem toda evolução é pra frente, diria Fantomas com a mão no queixo.
* * * * * * * * * * * *
Mas falando sério, nossos heróis são mesmo uma boa medida de quem nós somos. Minha escala evolutiva seria mais ou menos assim:
Zorro e Batman (da TV) -> D'artagnan, Rei Arthur, Carlos Magno e Capitão Tormenta -> Homem-Aranha e Batman (das HQs) -> Gilliat (de Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo) e Eugenio (de Olhai os Lírios do Campo, de Erico Verissimo) -> Daniel, José, Davi e João (da Bíblia).
Cada transição indica um tipo de amadurecimento diferente, um salto grande a determinar uma nova atmosfera de vida, um novo tipo de pensamento e, sobretudo, uma nova expectativa de vida, com novos sonhos embutidos.
Quem é teu herói, ermão?
Posted by marcol at 2:41 PM | Comments (3)
agosto 13, 2007
Falhas zinhas
Falhas zinhas é o nome de um conto que escrevi há 14 anos. Eu andava impressionado com a dificuldade de comunicação entre seres humanos, então, me vi numa segunda-feira com feriado na terça, como aparentemente a única pessoa a estar trabalhando na empresa inteira (estagiário sofre) e comecei a rascunhar a história de um casal que no momento da separação percebe que a degradação do relacionamento se deveu a uma infinidade de erros de interpretação do que o outro estava dizendo. Dei esse nome porque no particular as falhas de comunicação pareceriam pequenas, zinhas, mas a soma delas se mostrou catastrófica.
O conto é ruim, mas o tema é bom. Naquele mesmo dia comecei a namorar uma menina e dois meses depois notei que eu era vítima - e algoz - do mesmo mal. E catorze anos depois o cenário é o mesmo. A gente aprende, dribla algumas falhas zinhas, mas no geral falamos algo já diferente do que pensamos, a pessoa ouve uma terceira coisa e entende uma quarta.
Quem passa por aqui há algum tempo já notou que sou cristão e, como tal, espero uma realidade diferente, e que não pode estar longe. O que alguns chamam de Céu e outros de paraíso. Dentre as boas coisas que imagino lá, estão relacionamentos sem falhas de comunicação. Alguns podem achar que a vida assim ficaria chata. Bobagem. É a história do cara que cresce comendo abacate com açúcar e acha que abacate com sal é a coisa mais horrível do mundo. Não precisamos dos espinhos pra gostar das flores.
Posted by marcol at 9:27 AM | Comments (3)
agosto 10, 2007
Este é o nosso Deus
A partir de hoje e toda sexta-feira, começo uma série de contos inspirados na série de palestras que estão na programação atual da igreja Nova Semente, de autoria do pastor Kleber Gonçalves, e que aborda os atributos de Deus que conhecemos, porque estão revelados em Sua Palavra. Mais detalhes, acesse www.novasemente. org. Para das honras e glórias a quem de direito, a idéia inicial dessa série de contos é da Giuliete Siqueira.
1. Onisciência
Ao redor da mesa os jovens casais devoram uma pizza em meio a risadas. Um deles, segurando uma fatia nas mãos, está no meio de uma história divertida:
- ...só no fim do dia, contando o dinheiro do caixa, é que ele percebeu que a nota que o cara tinha passado era falsa. Vocês sabem que num caso desses o caixa amarga o prejuízo, né? Ele botou dinheiro dele lá, mas no dia seguinte chegou uma cliente daquelas chatérrimas,
reclamando de tudo, grossa pra dedéu e aí ele não teve dúvidas: enfiou a nota falsa no meio do dinheiro que ela estava retirando!
Um outro pergunta:
- E ninguém descobriu?
A um sinal de Deus, a cena congela. Em frente a uma gigantesca tela, Ele admira a cena longamente.
- Ah, Heitor, Heitor... Nesse ponto de sua vida essa pergunta, "ninguém descobriu?" te define. Porque para você, se ninguém descobriu, tudo bem. Eu sei quando, exatamente, você chegou a essa conclusão. É bem aqui:
A outro gesto Seu, a tela exibe um menino de 4 ou 5 anos, vestido com uma camiseta estampada bem ao gosto dos anos 70, chutando uma bola na sala de sua casa. Um vaso no canto acaba vitimado, para terror da criança. Ele olha para a escada que leva ao piso superior na esperança de que ninguém tenha ouvido. Rapidamente reúne os cacos sobre uma pá de cozinha. Em seguida o vemos esgueirando- se pelo telhado da casa e depositando os cacos embaixo da caixa d`água. A um sinal de Deus, a cena mostra a família reunida na sala, comentando distraída o que Sergio Chapelen dizia no Jornal Nacional. No canto da sala, a ausência do vaso. A criança perscruta a mãe ao seu lado e sorri satisfeito, havendo descoberto as delícias da impunidade.
- Por isso você vive essa vida dupla. É um cidadão respeitado, funcionário exemplar, vive falando de ética – o telão mostra Heitor no trabalho, pessoas interrompendo conversas para ouvir o que ele tem a dizer. Com uma VEJA que estampa a foto de Renan Calheiros na capa
nas mãos, ele observa para o colega ao lado, ironicamente:
- Ética, definitivamente, não é o forte no tal de comitê de ética do Senado – depois sério:. Por essas e outras eu digo que o problema desse país não é de educação nem econômico, é um problema de caráter!
- ... Mas eu sei muito bem o que você chama para si mesmo de "pequena compensação". Sei que nos seus acertos de contas na empresa você sempre apresenta o dobro da quilometragem percorrida nas viagens para ter um reembolso maior, por exemplo.
A cena na tela muda para mostrar o que Deus acaba de descrever.
- Sei também porque você chama isso de compensação:
Agora se vê Heitor e a esposa jantando, ele com os olhos enterrados na comida, cara de amuado. Ela pergunta o que há.
- Hein? Ah, não dá pra esconder, né? Bom, saiu uma promoção pra supervisor e adivinha? Não foi para mim.
- Puxa, amor, que chato! Esses caras não vêem o quanto você trabalha? Que injustiça!
Em off ouvem-se os pensamentos dele: chato? É, chato, mas o outro nome disso é pilantragem. Eu dei o sangue no último ano e meio e parece que ninguém percebeu. Eles me devem. Essa empresa me deve dinheiro!
- Mas o que você chama de compensação eu chamo de uma vã tentativa de justificar o injustificável. E eu sei também, Heitor, outras coisas. Coisas que você acha que ninguém mais sabe e que por isso está tudo bem. Como, por exemplo, sua solidão, que você esconde de sua esposa e dos outros como se fosse uma enorme fraqueza.
Na tela, a sala de sua casa e ele lendo um livro enquanto a esposa pinta as unhas do pé assistindo à novela. Ele encontra algo no livro que o impressiona profundamente e chega a abaixar o livro para comentar com a mulher, mas ao encontrá-la absorta no folhetim, deixa
pra lá e, com um profundo suspiro, retoma a leitura.
-Tantas e tantas vezes eu procurei te dizer que eu sei, Heitor, e que o melhor seria não esconder os cacos dos vasos quebrados em algum lugar que você acha que só você vai descobrir. Tentei te fazer entender que eu tenho a cola eficaz para cada vaso que você quebra,
Heitor! Mas não pense que eu desisto facilmente. Não, pelo contrário! Meu estoque de alternativas é grande e você, Heitor, continua na mira do meu amor!
Com um derradeiro gesto a cena volta a mostrar a sala de sua casa e ele lendo outra vez. A porta se abre e sua esposa entra, visivelmente empolgada.
- Oi, amor! Que pena que você não foi!
- Aonde você foi, mesmo?
- Na igreja que a Cíntia vive me convidando. Foi fantástico! O pastor falou sobre relacionamentos, sobre diálogo no casamento... Toma, eu trouxe o áudio da palestra pra você, a gente podia ouvir juntos. A propósito, o que você está lendo?
Close na surpresa que sua face estampa.
"Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hebreus 4;13, NVI)
Posted by marcol at 8:38 AM | Comments (0)
agosto 7, 2007
Previously, on Lost
Ontem acabou a terceira temporada de Lost e parece que o repertório dos roteiristas e produtores da série não se esgota. Eles têm um domínio impressionante de ritmo. Dão respostas apenas para na seqüência enfiar um monte de perguntas no lugar das perguntas antigas. A capacidade desses caras de nos surpreender é realmente impressionante.
A série é a coisa mais bem escrita que já vi na televisão. Às vezes dá umas escorregadas, esquece de aprofundar características de alguns personagens e especialmente em meados da temporada enche alguma lingüiça com inutilidades, mas isso é exceção à regra. Sem falar que algumas inutilidades vão se revelar bem úteis no futuro. Mas ao aproximar-se o final da temporada, as coisas se aceleram e tomam caminhos tão inusitados que, depois de terminado, dá crises de abstinência na assistência.
O final desta terceira temporada mostrou uma transformação radical nos sobreviventes do vôo 815 da Oceanic Airlines, que caiu sobre uma estranha ilha perdida no meio do Pacífico: o clima de terror imposto pelos "outros", pessoas que já habitavam a tal ilha, acabou por transformá-los em assassinos tão cruéis ou ainda pior que seus algozes. O clímax, contudo, é a morte heróica e realmente impactante de um dos personagens principais. Trouxeram para a trilha sonora da série, especialmente para esse momento, um solo de piano bem diferente das trompas assustadoras que acompanham os sustos que acontecem por lá. Agora, há uma forte indicação de que eles vão conseguir deixar a ilha, mas diversas peças não se encaixam. O jeito é esperar.
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E neste final de semana aconteceu o encontro de 20 anos de minha turma do primeiro grau, uma experiência fantástica e que só foi possível graças ao sêo Orkut. O tempo nos fez muito mal, não há dúvida alguma, mas os sorrisos ali nos venderam a ilusão de que ainda éramos as mesmas pessoas. As mesmas pessoas, mas dessa vez o barulho maior era de nossos filhos brincando juntos e não de nossa tresloucada inconseqüência dos 13 anos. Ainda assim, fomos os mesmos de 20 anos atrás por algumas horas. Apesar de uma certa melancolia que bate dirigindo pra casa depois disso, a experiência para mim foi rejuvenecedora.
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E como a marcha da vida não dá tréguas, ontem foi também o primeiro dia de escola de meu filho. A Tatiana e eu o levamos, acompanhamos o inconsciente encolhimento dele ante a novidade e vimos aliviados que isso durou muito pouco. Depois de nos beijar, enquanto a mãe falava com a professora, eu o encorajei a ir lá e sentar com os coleguinhas. Ele se aproximou devagar dos outros, mas em poucos instantes já estava muito à vontade. Vi a Tatiana segurando o choro, falamos um para o outro que tudo ia ficar bem umas trinta vezes e fomos embora. É difícil abdicar do controle da própria vida. Disso eu já sabia, desde que comecei a flertar com o evangelho bíblico. Mas abdicar do controle da segurança de seu filho, por mais que você conheça a escola (minha esposa estudou lá a vida inteira), é tão ou mais difícil.
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Valter Vendinha ficou devendo os bocoróscopos de três signos, mas ele alegou que não lembra quais são. Quando lembrar, brindará os diletos leitores dos tais signos com informações do mais alto valor. Como ele é um gênio do assunto, creio que esteja apenas esperando o momento exato de falar, o momento em que a luz de seu saber será mais aproveitável. Fique atento.
Posted by marcol at 10:21 AM | Comments (7)
agosto 2, 2007
Boboróscopo de Valter Vendinha*, 2a parte
Peixes
(32/13 - 30/02)
Os piscianos estão numa maré baixa (hehe). O mar não está para eles (hihihi). Eles terão problemas de descamação e sofrerão com o despejo de dejetos na água (rárárárá). Eles já sabem que eles morrem é pela boca (HUAHAHAHAHA) e por isso vão precisar se cuidar pra não ficar com essa cara de peixe morto (kákákákáká, meu, eu sou o REI dos trocadilhos com o nome do signo, aiai).
Touro
(04/05 - 04/12)
Os taurinos têm pela frente um período de muita indecisão. Precisarão de ajuda de seus consortes para escolher que cadarço colocar no sapato, aonde guardar os livros de culinária védica que ganharam no restaurante bicho-grilo, se comem aquela torta de girimum com colher ou com garfo e, sobretudo, se penteam os cabelos para o lado esquerdo, para cima, para frente, para o lado direito ou se deixam como está mesmo. Oh, céus, são tantas opções! Pelo menos eles têm cabelos. Se eles não tiverem consortes, pior ainda: vão ter problemas para decidir isso também.
Câncer
(10/10 - 03/03)
No amor: problemas para explicar aquele chupão na nuca. A costela não vai acreditar que a cabeleireira fez aquilo enquanto cortava seu cabelo, por isso, tente alguma outra coisa, ainda que seja mentira, como dizer que um psicopata o seguiu pela rua e te acertou com um ancinho quando você se recusou a cantar "Tristeza do Jeca" com ele a plenos pulmões e chacoalhando as mãos. Nos negócios: sucesso e prosperidade te aguardam. Basta encontrar o final de um arco-íris e matar o gnomo que mora lá. Na vida social: cuidado. Seu zíper pode estar aberto neste exato momento. No jogo: alegre-se. Você não é argentino e isso já é grandes coisas.
* Valter Vendinha, humilde seguidor de Walter Mercado, é mestre das artes milenares de debulha do arroz. Já nesse negócio de adivinhar o querer dos astros, é novato e só entrou nessa porque, com um manto roxo, fica bem parecido com o mago Merlin.
Posted by marcol at 12:08 PM | Comments (3)