julho 2, 2007
Às vezes o passado me visita
Existe uma certa rua em Porto Alegre. Ela começa numa outra um pouco mais larga. É meio curva nesse começo e com alguns comércios como lavanderia, farmácia e mercearia. O resto todo é constituído de pequenos prédios residenciais, com no máximo oito andares, protegidos por portões de ferro e campainhas com interfones. Têm cara de serem dos anos 70 ou começo dos 80. As calçadas são de uma pedra vermelha muito comum por lá e durante o dia ela é pacata como o que. Andei por essa rua uma única vez, há dezessete anos, em julho de 1990, mas mesmo assim às vezes, sem mais nem mais, quando fecho os olhos a vejo.
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Bem pode ser que eu esteja misturando duas ruas. Será que ela é mesmo curva no começo? E é verdade também que outras ruas me visitam. Algumas de Novo Hamburgo, também lá no sul, outras em Volta Redonda-RJ. Elas às vezes aparecem acompanhadas de músicas da época, ou então de sensações típicas daquele contexto.
Eu era adolescente, conhecia terras estranhas, estava longe de casa e obrigado a me sair bem. De vez em quando esse passado me visita. Sem mais nem mais. Vem e vai embora.
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Há algum tempo encontrei uma fita gravada há dois anos. Mostra meu filho mais velho tocando um pianinho de brinquedo e cantando de olhos fechados a música com que minha esposa o ninava. A plenos pulmões. Inteira, todas as três estrofes de 8 versos cada (Bem Junto a Cristo é nome). Mas com falhas na pronúncia que eu havia simplesmente esquecido. Foi há apenas 2 anos e eu não lembrava de mais nada daquilo! É que às vezes o passado me foge.
Posted by marcol at julho 2, 2007 1:50 PM
Comments
Ei, por acaso uma dessas lembranças é a da famigerada foto com sobretudo? Eu lembroooo!! kkkkkkkkkkkkk
Posted by: Cibele at julho 16, 2007 11:28 PM
E é por isto q a gente escreve, grava fita, tira foto. Pois o passado nos foge, sempre. Espero te ver em breve, estou chegando na pátria amada semana q vem.
Posted by: Lilian at julho 8, 2007 3:46 AM
Marco aurelio, que delicia quando a lembrança vem e nos faz sorrir, ou cantar a plenos pulmões.
gostei muito.
Posted by: marilia at julho 5, 2007 4:32 PM
Anderson, meu velho, só um terapeuta poderia dizer. Evidentemente há uma classe de lembranças pouco lembráveis. A gente não deixa elas virem à tona pra não ficar se penitenciando.
Posted by: Marco Aurelio Brasil at julho 4, 2007 8:53 PM
Quando o passado nos visita assim é maravilhoso!! Uma benção tantas boas lembranças.
Posted by: claudia lyra at julho 3, 2007 12:34 PM
cara, que maneiro quando o passado te visita. Meu passado é estranho, só vem pra me lembra de coisas que ninguém lembra, parece que via as coias de outra forma, sob uma ótica diferente...
Na maioria das vezes ele me foge, não sei porque, mas foge. Será que meu passado me condena?
abraço. bom dia
Posted by: Anderson at julho 3, 2007 10:25 AM