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julho 26, 2007
Zooróscopo, por Valter Vendinha
A partir de hoje, e pontualmente a cada dia 26 de julho de 2007, É por aqui que vai pra lá?, em parceria com o mundialmente desconhecido Instituto Indiana Jones, traz em oitava mão o Horroróscopo de Valter Vendinha*.
Áries
(21/03-03/12)
O ariano é uma pessoa circunspecta, solícita e preclara. Adoro esses adjetivos. O ariano está sempre tentando antecipar-se ao destino e por isso diz: ahá - quando acontece alguma coisa, querendo assim dizer que já sabia que ia acontecer. Nas múltiplas facetas da existência humana, o ariano terá resultados diversos: há uma mancha sobre sua vida social. Na verdade, é um pedaço de carne louca que escorreu do sanduíche que você comeu na rua e que se alojou no seu queixo. Já na vida amorosa, você terá aberturas de oportunidade que serão, basicamente: se você é homem, vai passar na frente de dezoito lojas de sapatos femininos no caminho pra se encontrar com a biscoituda da vez. Sim, dezoito! Abra os olhos. Se você é mulher, vai se perder e acabar parando na festa dos novatos de engenharia mecatrônica da faculdade local. Se não desencalhar agora, filha, desista.
Sagitário
(14/10-15/10)
O sagitariano está pronto para o sucesso, para viradas de mesa na vida financeira e para encontrar o amor de sua vida, a menos que não esteja, quando então melhor será esperar um pouco. Para o sagitariano, os próximos dias vão ser ideais para fazer uma limpa no seu armário e devolver os CDs e livros emprestados de seus amigos. Viu, Nicolau? Júpiter na casa 16 é indicativo de que existe algo que o sagitariano não pode esquecer de jeito nenhum, pois esquecê-lo será catastrófico. Sua vida inteira ficará marcada por isso, e então ali haverá choro e ranger de dentes e ele se tornará uma alma atormentada a uivar para a lua nas gélidas estepes desse mundo solitário. O duro é que eu esqueci que coisa é essa. É alguma coisa importante, enfim.
Virgem
(25/07-08/01)
Virginianos estão numa maré de alegria e prosperidade. Os homens do signo de virgem vão emagrecer sem fazer esforço e notarão que os cabelos pararam de cair. Quem não tem furo no queixo vai passar a ter. Pra piorar, todos eles ganharão muito dinheiro no mercado de artigos para presépios. As mulheres virginianas vão ter a silhueta modelada e seus cabelos serão sedosos, com brilho e movimento e todas elas serão contratadas para comerciais de shampoo e o índice de desemprego na classe vai cair radicalmente até níveis ridiculamente minúsculos. Mas tudo isso tem um preço: os virginianos de mais de 25 anos vão parar de crescer. Puxa, é mesmo fascinante tudo o que os astros podem nos dizer!
* Valter Vendinha é mais humilde que Walter Mercado mas também tem sexo indefinido, figurino extravagante, cabelo loiro falso com laquê e um jeitão de quem pode te transformar num nematelminto maneta e albino, se quiser.
Posted by marcol at 4:48 PM | Comments (5)
julho 20, 2007
Esperança
Na segunda-feira passada, ligo para a agência de viagens e acerto os detalhes da ida a Porto Alegre: reservas para mim, um colega e meu chefe, que viria da Argentina especialmente para a reunião na capital gaúcha, saindo às nove da manhã de Congonhas e voltando para o mesmo aeroporto no vôo que partia de lá às 17h40.
Não, não fomos salvos por algum acaso feliz, a viagem foi na quarta-feira, e não na terça. O vôo que deveria ter saído às 09h00 foi sair às 12h30 e o que deveria ter partido de Porto Alegre às 17h40 só foi partir às 21h30, pousando plácida e tranqüilamente em Congonhas uma hora e meia depois, mas, tirando os atrasos, a viagem transcorreu na mais perfeita paz. Os aeroportos estavam mais vazios, todos pareciam muito serenos, os funcionários dos aeroportos e das companhias aéreas agiam como se nada houvesse acontecido.
Mas a verdade é que embora não tenhamos precisado tão ostensivamente de uma intervenção divina para não estarmos no vôo acidentado, poderíamos perfeitamente estar nele. Se meu chefe tivesse decidido fazer essa viagem um dia antes, isso poderia ter acontecido.
Na dinâmica da vida urbana contemporânea estamos cotidianamente na dependência do trabalho de milhares de pessoas que não conhecemos. Estamos confiando nos mecânicos contratados pela companhia aérea, nas autoridades que determinam se uma pista é segura ou não, nos controladores de vôo. Estamos confiando nas autoridades que determinam se a matriz energética é suficiente – e somos surpreendidos por apagões, como há alguns anos e como os argentinos estão enfrentando agora; de repente, nossos chuveiros podem não funcionar, nossos computadores podem pifar e – tragédia das tragédias – nossos aparelhos de televisão também. Estamos confiando que os técnicos de trânsito estão fazendo o trabalho necessário a que as cidades não fiquem paradas, que as obras dos metrôs não abram crateras aonde estamos passando, que o leite que compramos é leite mesmo, que a alface da salada que comemos no restaurante foi bem lavada e que o palmito não nos deixará entrevados durante anos. Estamos confiando que podemos sair de casa com tranqüilidade para chegar no trabalho sem sofrer ameaças com armas de fogo apontadas para nossas cabeças.
Mas de quando em vez, e com cada vez mais freqüência, somos notificados de que nossa confiança é traída. Aquelas pessoas não fizeram seu trabalho.
Para não viver sob o signo do medo, o que significa apenas sobreviver, só temos duas opções: ser otimistas ou ter esperança. O otimismo tem a ver com temperamento ou então com auto-sugestão. É o caso de repetirmos para nós mesmos que tudo está bem, que tudo vai ficar bem. Think positive, dizem os livros de auto-ajuda.
Esperança é algo distinto. A esperança repousa na confiança no autor de uma promessa. Como nasce de um relacionamento com alguém confiável, é claramente muito mais eficaz do que o otimismo. A boa notícia é que a esperança é possível. “Deus, nosso Salvador, e Cristo Jesus, esperança nossa” (I Timóteo 1:1).
Feliz sábado, @migos!
Posted by marcol at 10:40 AM | Comments (6)
julho 17, 2007
Cuepa America
Quando você é o Davi, a história de bater o Golias é linda e deliciousa. Diferentemente da opinião mais ou menos generalizada, não o Dunga especialmente retranqueiro nem nada que o valha e não achei seu estilo de jogo medíocre nessa Copa America. Foi o que se pôde arranjar, oras. O povo fica comparando com 82, mas não temos os jogadores de 82. O mais perto que temos disso não foi à Copa.
Ao contrário, ele armou o time e o motivou duma forma tal que a final contra a Argentina foi praticamente perfeita. Ele foi mesmo brilhante na armação do time e mais ainda quando substituiu o contundido Elano pela improvável opção Daniel Carvalho, que mostrou o que não tinha conseguido mostrar no jogo que disputou.
Os volantes fizeram tudo o que os torcedores são paulinos habituaram-se a ver desde 2005, deu até dó de Riquelme e Verón que não fizeram praticamente nada depois da bola na trave no comecinho do jogo. O Julio Batista é outro que eu não entendo porque pegam tanto no pé. Dizem que ele é um volante, mas ele só foi volante durante uns poucos jogos, e improvisado, no São Paulo. Ele subiu das categorias de base como meia, junto com o Kaká, e tinha fama de ser melhor que o outro. Foi usado durante algum tempo como centro-avante, e como não fez gols, criou-se a fama de ser um jogador de defesa. Mas o cara é rápido, tem alguma habilidade, chuta muito bem, lança bem e o resultado viu-se nos dois primeiros gols do Brasil.
Tudo isso, mais um dia especialmente infeliz para los hermanos, e trouxemos o caneco outra vez, contra toda expectativa.
Minha, inclusive. Eu não apostaria no Brasil nem em sueño.
É isso.
Posted by marcol at 2:26 PM | Comments (2)
julho 11, 2007
Revelação
Ontem, mesmo antes de ver o Afonso ajeitar a bola e sentir um frio na barriga por pressentir algum nervosismo, tive uma revelação surpreendente. É que não sou chegado a montanhas russas em geral. Outro dia fui com meu filho num daqueles barcos viking e fiquei lá, gritando de puro prazer e alegria - simulados, pra ele não sentir medo, porque na real eu estava é implorando pro tiozinho parar o negócio o quanto antes.
Ok, eu até gosto de pular de pedras altas na água, isso é bacana e dá uma adrenalina braba, como conciliar tais gostos com os desgostos? Sei lá. A revelação é que, ganhando ou perdendo, eu adoro decisão por penalties. Yeah yeah. É muito bacana.
Lembro duma mais ou menos recente, não sei se Copa do Brasil ou se Campeonato Paulista, em que Palmeiras e Paulista de Jundiaí fizeram uma decisão cheia de reviravoltas supreendentes. Mesmo não torcendo absurdamente pra nenhum dos lados, aquilo se mostrou extremamente aprazível.
E ontem a mesma coisa. O jogo nos pés daquele uruguaio e o cara resolve bater na trave, que capricho do Jogo!
Daí a torcer para que haja mais decisões por penalty, não sei. Mas se vier, vou agora parar de lastimar e esfregar as mãos.
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Quanto ao mais, deu uma dó infinda dos uruguaios. Pra gente, perder essa Copa América não causará qualquer grande comoção nacional, mesmo se for pra Argentina, que está com força total e ninguém em são consciência sonhou em ver uma seleção brasileira com Mineiro, Josué e Gilberto Silva no meio-campo. Dois, vá lá, os três, jamé. Foi o que se pôde arranjar, diria Rolando Lero. Mas pra eles, aquilo poderia ser o consolo de todos males. Não veio, pobresitos.
Li outro dia no diário Lance, não sei que colunista dizendo que viu o jogo Brasil X Chile num bar. Ele refere haver ouvido dois comentários esclarecedores. Num, alguém perguntou "quem é João Batista?", referindo-se, decerto, ao Julio. Noutro, alguém perguntou: "Que campeonato é esse?" A conclusão foi lapidar: essa seleção, mesmo metendo 6 gols, não empolga ninguém.
Já eu acho que essa seleção não joga tão mal assim. Gosto de ver os jogos. E gosto, principalmente, quando ela se manda aos penalties. ¡Arriba, hombre!
Posted by marcol at 9:17 AM | Comments (5)
julho 6, 2007
O blogueiro assenta-se para escrever um post inesquecível. Sublime. Ge-ni-al! Seus olhos cintilam pela antecipação da glória silenciosa e ele esfrega as mãos para digitar duma só sentada. Mas aí vê um comentário no post anterior. O que ele faz ali? Após instantes de hesitação, a curiosidade vence a ansiedade de parir duma vez a obra prima que gesta em si. Clica, a caixa de comentários se abre, e ele lê:
- CUIDADO, ATRÁS DE VOCÊ!
Ele se vira assustado mas é tarde demais. O sangue espirra sobre a tela e acaba assim.
Posted by marcol at 10:35 AM | Comments (7)
julho 2, 2007
Às vezes o passado me visita
Existe uma certa rua em Porto Alegre. Ela começa numa outra um pouco mais larga. É meio curva nesse começo e com alguns comércios como lavanderia, farmácia e mercearia. O resto todo é constituído de pequenos prédios residenciais, com no máximo oito andares, protegidos por portões de ferro e campainhas com interfones. Têm cara de serem dos anos 70 ou começo dos 80. As calçadas são de uma pedra vermelha muito comum por lá e durante o dia ela é pacata como o que. Andei por essa rua uma única vez, há dezessete anos, em julho de 1990, mas mesmo assim às vezes, sem mais nem mais, quando fecho os olhos a vejo.
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Bem pode ser que eu esteja misturando duas ruas. Será que ela é mesmo curva no começo? E é verdade também que outras ruas me visitam. Algumas de Novo Hamburgo, também lá no sul, outras em Volta Redonda-RJ. Elas às vezes aparecem acompanhadas de músicas da época, ou então de sensações típicas daquele contexto.
Eu era adolescente, conhecia terras estranhas, estava longe de casa e obrigado a me sair bem. De vez em quando esse passado me visita. Sem mais nem mais. Vem e vai embora.
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Há algum tempo encontrei uma fita gravada há dois anos. Mostra meu filho mais velho tocando um pianinho de brinquedo e cantando de olhos fechados a música com que minha esposa o ninava. A plenos pulmões. Inteira, todas as três estrofes de 8 versos cada (Bem Junto a Cristo é nome). Mas com falhas na pronúncia que eu havia simplesmente esquecido. Foi há apenas 2 anos e eu não lembrava de mais nada daquilo! É que às vezes o passado me foge.
Posted by marcol at 1:50 PM | Comments (6)