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junho 13, 2007

Abismo

A inveja é possivelmente um dos sentimentos mais precoces do ser humano. Lembro com cristalina clareza do sentimento que me invadia ao ver meu coleguinha de terceira série primária mostrando seu Falcon que mexia os olhos. E a memória que tenho do fato é de que o sentimento não era novo, era um velho conhecido, já.

Esse Falcon, pra quem não sabe, não lembra ou finge que esqueceu, era um boneco tosco do tamanho dos Max Steel (ou Max Stís, como diz o Dudu, meu filho, referindo-se a eles no plural). Todos tinham a mesma cara, mas alguns tinham uma barbinha mequetrefe que lhes conferia um ar meio Village People (se você não sabe, não lembra ou finge que esqueceu o que é Village People, azar o teu).

Embora a semelhança distante do Falcon com o Max Steel, há uma diferença brutal: na época, Falcon era o que havia de mais avançado para a gurizada. Apenas o Ferrorama poderia rivalizar com ele em legalzice (se você não sabe, não lembra ou finge que esqueceu o que é Ferrorama, é uma boa oportunidade de encetar conversação com aquele seu primo balzaquiano). E aquele Falcon em especial, meu, ele mexia os olhos! Tinha uma alavanca na nuca que você mexia e aí aqueles olhos azuis andavam de um lado pro outro e aquilo era simplesmente magnífico!

Penso em tudo isso navegando pela internet em banda larga, logo depois de fechar o CD-Rom que meu filho adora, procurando meu filho mais novo em meio à montanha de coisas do Spiderman e outros tantos brinquedos descolados sobre a cama ao meu lado.

Engraçado pensar que eu ainda fugi à tendência vigente, que é ser pai apenas perto dos 40. Se o abismo de mundos existente entre a infância que vivi e a que vivem meus filhos já é grande, imagine como não seria tê-los daqui a dez anos!

Como a gente consegue sentar do lado deles e dizer: cara, eu te entendo, já passei por isso? Deve soar para ele como as conversas de nossos avós soavam pra gente, todo aquele papo de "no meu tempo...", falando coisas surreais como árvores frutíferas, quintal, banho de rio, etc.

Well, isso é problema mais pra diante. Por enquanto eu consigo maquiar a distância sabendo todas as músicas dos Backyardigan e Lazy Town, sabendo o que é Avatar e Jimmy Neutron e sobretudo desfilando meu gigantesco cabedal de informações sobre heróis. Para o futuro, que Deus me ajude.

Posted by marcol at junho 13, 2007 11:37 AM

Comments

Referências ao nosso tempo "de formação" sempre evocam lembranças em quem nos lê ou escuta. No "meu" tempo menino homem não brincava com bonecos: eram carrinhos de madeira e lata; subir em árvores; correr pela rua; futebol. Mas acompanhei meus filhos, estes sim, brincavam muito. Foi quando eu brinquei com os filhotes e com os brinquedos deles.

Posted by: Cláudio Costa at junho 16, 2007 7:28 PM

HEhehehe Marcçao
tu leu????????????? meu Deus e achei que iria passar desapercebida, mas como te disse a gente se transforma rsssss igualzinho ao TRANSFORMES lembra isso também ea motivo de inveja quem tinha mais modelas hahahhaha porém essa mudança é real e muito boa dia 11/08 conto com vc pois neste dia literalmente irei lavar minha alma moço ok? beijos em todos e até todos os dias já te add nos meus favoritos beijim

Posted by: Cláudia López at junho 15, 2007 1:15 AM

Uia! Meu irmão tinha o Falcon que mexia os olhos! Pior é que a minha Suzi namorava o outro Falcon dele. Mas, quando chegou esse sujeitinho novo, virando os olhinhos pra lá e pra cá, a Suzi - vadia- deu um pé na bunda do Falcon velho e já engatou de namoro com o novo. Aí o Falcon velho ficou muito chateado, a ponto do meu Feijãozinho querer consolá-lo... bem, daí pra frente, a relação do Falcon velho com o Feijãozinho ficou meio homossexual.

Posted by: claudia lyra at junho 14, 2007 1:06 PM

ola,marcos...
como já percebeu venho sempre aqui...alias, vc é linkado no meu blog...gosto muito do que escreve.
mas hoje, o tema me pegou de jeito. sou mãezona duas vezes,pq a difrença entre minhas duas filhas é de 13 anos...
logo, tive que amar a xuxa, e hoje tolerar e curtir junto todos os axés da vida da mali, a minha caçula.
Mas sabe que eu vivi em casa que tinha árvore frutífera, mas minha grande inveja foi nunca ter ganho a boneca Amiguinha, uma coisa enorme e desengonçada que todas as meninas pediam...Minha mãe deu para a minha irmã e disse que uma só era suficiente para a casa rssss
mas, viva e curta bastante esses tempos de pai com filho em casa... a minha mais velha já foi para casa dela, e a falta que a gente gente desses momentos juntos é muito grande,
O quie compensa é saber que eles estão bacanas e inteiros e vivendo a vida deles...
um abraço

Posted by: marilia at junho 14, 2007 12:54 PM

Gostei muito da crônica. Vivi isso, quando entrei na casa do João Batista e vi um autorama.

Foi o primeiro mau sentimento de inveja que senti. Notei na hora que aquilo era o que deviam chamar sofrimento. Não conseguia nem falar. Ele tinha ganho de aniversário, em 17 de abril (era meu melhor amigo).

Em 19 de agosto, pedi o meu. Igualzinho. Olha, Marcão, montei o troço umas duas ou três vezes. Meu pai ficou puto, mas eu já estava cheio de brincar de autorama na casa do Batista. Apenas precisava POSSUIR a coisa.

Que criança idiota!

Posted by: Milton Ribeiro at junho 14, 2007 9:21 AM

Árvores frutíferas? O que vem a ser isso? Não achei nada na wikipédia sobre..

Posted by: Luis Henrique at junho 14, 2007 9:00 AM

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