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abril 27, 2007
Oitenta mil visitas, eu?!
Este blogue começou cheio de boas intenções. Por exemplo, comemorei as primeiras 500 , 1000 , 1500 , 2000 , 2500 , 3000 , 4000 , 5000 , 6000 , 7000 , 8000 , 9000 , 10.000 , , 15.000 , 20.000 , 25.000 , 29.000 e 30.000 visitas inserindo fotos de biscoitudas, aquelas espécimes do sexo feminino que costumam fomentar palpitações. Desfilaram por aqui coisinhas como Catherine Zeta Jones, Claudia Schiffer, Carmen Electra, Laetitia Casta, Jennifer Connely, Olivia Hussey, Faith Hill, Catherine Deneuve, Brigite Bardot, Irene Jacob, Emanuelle Beart e outra menos óbvias. Exceções apenas à que teve a participação da Wilza Carla, que foi uma sugestão do Helio Serafino, e da que teve meu filho Dudu, todas biscoitudas dignas de ostentar esse título.
Não consegui manter a tradição nas outras marcas, culpa da correria. Mas hoje é véspera de feriadão, aliás, de feriadaço, porque depois dele saio de férias, então posso e devo, em nome das tradições mais vetustas e vergastadas da blogosfera pátria, retornar às comemorações embelezadoras.
Oitenta mil visitas é muita coisa. Valeu a pena subornar o contador com alfajores argentinos. Obrigado a todos os leitores, ocasionais ou não. Saibam que se um dia eu receber um nobel, um pulitzer, um framboesa de ouro ou mesmo um Prêmio Pedro de Lara de Argúcia Midiática, será tudo dedicado a vocês. Mas mesmo que isso não acontecer, por mais implausível que seja, a sua companhia, ainda que silenciosa, é alento certeiro e indispensável para mim.
Escolhi comemorar com uma foto que parece ser antiga da Ana Paula Arosio. Ela causou furor ao posar para a capa da Capricho quando tinha apenas 14 anos. Eu tinha pouco mais que isso e, como todo mundo na época, apaixonei imediatamente. Lembrei dela porque esta semana assisti a O Coronel e o Lobisomem, onde ela está realmente esplendorosa.
Chega de papo, que isso aqui não é o "Porque hoje é sábado" do Milton Ribeiro.

Posted by marcol at 4:45 PM | Comments (7)
abril 25, 2007
Gostosa, quentinha, tapioca
O caos aéreo me fez carioca por um dia. É que eu tinha compromisso no final da manhã de ontem, precisando ficar até hoje na cidade maravilhosa. Assim, para evitar atrasos, bandeei-me pra cá num dos primeiros vôos da ponte aérea. Dessa vez não houve atrasos, então me vi às sete da manhã no Rio. Fui direto pro hotel, que me deixou entrar antes da hora.
Seguindo uma dica do porteiro a respeito de uma boa confeitaria nas cercanias, lá estava eu, comendo pão com manteiga na chapa, chocolate quente (dispensei a média que foi oferecida) e strudell de maçã na confeitaria Lopes. Depois, passeio pela princesinha do mar, banhada da luz fortíssima do começo de manhã, o que me fez entender melhor porque uma das fatias daquele litoral recebe o nome de Glória. Velhinhos, turistas e corredores eram meus companheiros.
Enxerguei Drummond, Otto Lara, Fernando Sabino, Jobim e outros trutas por ali e enchi-me de simpatia pela carioquice. Na verdade, acho que à exceção de Jobim, todos os outros citados aí eram mineiros, portanto, estrangeiros no Rio, como eu. Foi essa carioquice que eu já conhecia de suas penas que me encheu de simpatia, porque esse olhar estrangeiro decerto tem sabor distinto, uma coisa especial.
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Falar em Drummond, uma das primeiras coisas que perguntei ao taxista que me levava ao meu compromisso foi sobre a estátua dele. Tinha a impressão de que ficava em Copacabana, mas ele disse que era lá na ponta do Leblon. Hoje de manhã, saí pra correr um pouco no calçadão e me perder na multidão de todas as faixas etárias e extratos sociais que perambula por ali, com finalidades mais ou menos atléticas. O último trecho da volta fiz caminhando pela areia da praia, carregando o tênis entre os dedos. Na hora de escolher um banco onde sentar para calçá-los de novo, qual não foi minha grata surpresa ao me deparar com o velho e bom poeta, ali, de costas pro mar, mirando os passantes à cata de combustível para sua poesia ou crônica do dia. Ali, bem na direção do meu hotel, o que prova que motoristas de táxi costumam confundir poetas com proxenetas.
Pela primeira vez regozijei-me de ter comprado um celular com câmera. Tirei várias minhas abraçado ao Drummond, tentando por osmose, nem que fosse com a estátua, adquirir algum élan.
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Ontem à noite, para findar bem meu dia carioca, caminhei do Leblon até Copacabana. Fiquei impressionado com a quantidade de escolas de vôlei, futevôlei e futebol que funcionam ali com larga procura. Mais impressionado ainda com a quantidade de mulheres e crianças envolvidas nessas atividades. Admirei pasmo um jogo de vôlei de praia entre duas duplas mistas de pré-adolescentes, a garotada não deixava a bola cair, batia com jeito de profissional.
Também me chamou a atenção a enorme quantidade de gente ali, às oito da noite, só sentado, jogando conversa fora ou sozinho. Lembrei da enorme falta de válvulas de escape de São Paulo, aonde aquela gente que estava ali agora, deixando a poeira do dia assentar, estaria muito provavelmente em frente a uma televisão.
Mas terminei o dia como estrangeiro, mesmo. Comecei a ser seguido por um sujeito mal-encarado, recém saltado da tela de Cidade de Deus. Eu estava mesmo chamando a atenção, com calça de bolsos do lado bem avolumados (era a caixinha do óculos), camisa vermelha e relógio à mostra. Bem, ele logo percebeu que eu não era turista americano, porque usei minhas técnicas de Capão Redondo para despistá-lo. Embiquei pra fora do calçadão, atravessei a rua e, logo depois da esquina, comecei a correr feito uma gazela doidivanas.
Foi pra viver um clima de Jogos Pan-Americanos...
Posted by marcol at 9:51 AM | Comments (6)
abril 17, 2007
Pra não deixar a coisa empoeirar demais da conta e para abir um parêntesis no momento família por que passa este blog, comento aqui que tive a graça de ver Scoop - O grande Furo, novo filme do Woody Allen, ainda na fase inglesa.
É bom. Você não ri de se torcer todo, como em Poderosa Afrodite ou (especialmente) Tiros sobre a Broadway, mas é bom. O cara é inventivo, tem sacadas geniais e foge do lugar-comum.
Mas a melhor coisa do filme é mesmo Scarlet Johanson.
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E por razões ignoradas, lembrei outro dia de uma longínqua manhã do ano da graça de nosso Senhor Jesus Cristo de 1987, quando a orientadora pedagógica entrou na classe da 8a série da escola adventista de Santo Amaro para dar o resultado de um teste vocacional que havia sido feito com a gente. A orientadora educacional não era conhecida por seu tato no trato com os pirralhos. E foi assim que ela anunciou que a pessoa mais inteligente da classe era a Renata Brambilla. Dãr, todo mundo já sabia que seria ela, afinal, era a dona das melhores notas. Aí ela olhou no papelzinho e disse que havia se enganado, que na verdade a mais inteligente era a Márcia Midori, uma nissei discreta e a quem eu tinha em alta conta mesmo.
Na hora de falar dos homens, fez um discurso introdutório: disse que às vezes a gente se surpreende, quem poderia dizer que entre os meninos iria dar um resultado daquele? Lembro perfeitamente do misto de orgulho com despeito quando ela disse que eu era o tal. Eu deveria ficar feliz com o resultado ou pau da vida com a introdução. Uéu, nunca fui muito de ficar pau da vida, então acho que o orgulho ganhou a queda de braço.
A culpa de meu resultado destacado foi de um teste chamado "Rapidez e exatidão". Meu pior resultado foi em "Raciocínio Espacial". Às vezes me pergunto se um teste vocacional feito na oitava série é capaz de sugestionar e condicionar alguém pro resto de sua vida ou se ele simplesmente estava certíssimo. Até hoje sou péssimo em raciocínio espacial, não consigo imaginar como seria uma sala vazia se decorada dessa ou daquela forma. Ao mesmo tempo que a tal rapidez e exatidão me persegue como uma praga.
A princípio é coisa muito boa, mas olhando sob a pele, pode ser um demérito. Rapidez e exatidão é dar conta de muitas tarefas em pouco tempo com pouca margem de erro. Isso tem sido essencial em mais uma fase de entupimento de trabalho como a que estou atravessando, mas por outro lado indica que tudo é feito sem muita reflexão. E algumas coisas exigem reflexão.
Consegui digitar este post em menos de dez minutos. Fui bem rápido e, embora eu não vá revisar, que não dá tempo, creio ter sido bastante exato. Mas a coisa foi meio sem reflexão. Apenas para ilustrar...
Posted by marcol at 7:09 PM | Comments (6)
abril 9, 2007
Herança
Se eu tivesse que apontar um livro que tenha feito com que eu gostasse de ler, que tenha marcado a descoberta do prazer que há nesse hábito que no fim das contas acabou moldando o que eu sou, eu indicaria As aventuras do avião vermelho.
Meu pai me levou a uma livraria e me deixou escolher o que eu quisesse. Tinha acabado de aprender a ler. Peguei uns dez ou doze livros e saí com eles na sacola todo feliz.
Na noite daquele mesmo dia me aboletei em minha cama com As aventuras... e terminei poucas horas depois, com a cabeça dando mil voltas. Foi só bem mais tarde que descobri que o autor dele era o grande Erico Verissimo, que voltaria a assumir o papel de protagonista nas minhas revoluções internas quando, na adolescência, minha mãe me pediu pra eu ler Olhai os Lírios do Campo.
Procurei As aventuras... em muitos lugares desde então. Embora soubesse que tenha sido re-editado, com ilustrações de Eva Furnari, pela Cia. das Letras, revelou-se um livro muito difícil de achar.
Pois bem, enquanto estávamos na maternidade pela chegada do Davi, peguei o Dudu, o mais velho, pela mão, e levei na Fnac ali da Paulista, quase ao lado da Promatre onde eu estava "hospedado". Fuçando entre os livros infantis achei finalmente o meu livro marcante da infância. Olhei para o Dudu ali, mais interessado em super-heróis, pensei no Davi e decidi levar, embora o preço não fosse tão palatável.
Imagine agora você a alegria de sentar à cama com o Dudu e ir lendo pra ele aquelas linhas que tanto impacto tiveram em mim, e acompanhar o brilho no olho dele, seus pulos na cama de expectativa e tudo mais. Ele adorou.
Para saborear isso da forma mais prolongada possível, dei uma de Sherazade e fui lendo um pouquinho por dia.
Há muitos tipos de herança que tento deixar para esses dois, mas depende deles reconhecerem neles algum tipo de valor. Para isso, o único a fazer é orar, torcer e tentar ser alguém a quem eles gostariam de imitar um dia...
Posted by marcol at 10:13 AM | Comments (6)
abril 2, 2007
Crônica de um nascimento anunciado
Ao lembrar a emoção de ver meu filho Davi nascer no último dia 21, quarta-feira passada, fico tentando achar paralelos para ela, mas eu logo desisto. Aquilo é incomparável, único. É como se houvessem injetado euforia na minha veia.
As circunstâncias desse parto em especial ajudaram bastante. Minha esposa é enfermeira obstetra, portanto conhece muito bem as benesses do parto normal em relação à cesárea. Li que no Brasil, entre 10 e 20% dos partos são normais, ao passo que em países desenvolvidos é justamente o contrário, as cesáreas são a exceção. Mas nosso primeiro filho havia nascido de uma cesárea, pelas circunstâncias daquela gravidez, então a opinião geral era de que seria impossível Davi nascer por parto normal. Apenas a própria Tatiana e sua médica acreditavam o contrário.
Atingidas 41 semanas e dois dias de gestação, a médica optou por induzir o parto, já que as contrações continuavam irregulares. Chegamos ao hospital às 7h00 e Tatiana foi submetida a uma substância chamada ocitocina. As contrações ficaram mais fortes, mas a dilatação ainda era pequena e pequena ficou até quase as 15h00, quando ela pediu para receber a analgesia. Isso se revelou um santo remédio, não apenas porque inibiu exclusivamente a dor, deixando todas as demais sensações intactas, como porque em 40 minutos a dilatação passou de 3 para 7 centímetros. Uma descarga elétrica tomou conta da equipe, que começou a se mexer. Aquilo era uma indicação clara de que o parto normal poderia acontecer, contra a opinião reinante até então.
Foi nesse momento que eu comecei a devorar descontroladamente um ovo de páscoa que havia levado de propósito. Havia ouvido dizer que é bom ingerir bastante glicose para não correr o risco de desmaiar.
Passaram-se mais quinze minutos e a dilatação já estava em mais de 9 centímetros. Agora o medo era de que ele nascesse antes de a médica, presa no trânsito, chegar.
Ela chegou, paramentou-se, preparou-se o ambiente na maior agilidade e, cinco ou seis contrações depois, com Tatiana fazendo bastante força, fui finalmente apresentado ao rapazinho que até então eu só conhecia das imprecisas imagens do ultrassom e das lombadas que ele fazia na barriga da mãe. A opinião geral foi de que ele era lindo e eu nem precisava de tanto apoio para concordar. Imediatamente começou a procura pelas semelhanças do pai ou da mãe que na verdade pouco me interessavam. Poucos minutos depois deram-no em minhas mãos para dar o primeiro banho nele, filmado pela própria mãe, que estava ótima, na cama ainda.
Uma semana e meia depois, com Davi no meu colo, embalando-o suavemente como ele parece preferir, leio ainda nos seus minúsculos traços a mesma mensagem escrita por seu Criador: Eu vou continuar a fazer milagres na sua vida. E eu respondo: eu vou continuar a confiar.
Posted by marcol at 10:49 AM | Comments (7)