março 6, 2007
Durante o tempo em que fiquei sem conseguir postar...
1. Meu filho não nasceu.
2. Assisti a Borat.

E, numa palavra, Borat é genial. O personagem criado pelo humorista inglês Sacha Baron Cohen vira longa-metragem com um fio de roteiro e uma tonelada de improvisação. Nesse sentido, o filme me parece revolucionário, não lembro de haver visto nada parecido ever. Nada lisonjeiro para o povo da gloriosa nação do Cazaquistão, Borat é um repórter televisivo que vai à América fazer matérias que ensinem os cazaquistanezes a serem "uma grande nação". Sob esse pretexto, segue-se uma série de piadas infames e muitos e muitos dedos em feridas -uy- doloridas demais da tal grande nação. É difícil enumerar os momentos mais hilários, se o encontro com Pamela Anderson, se o discurso Bushófilo no rodeio, se a letra do hino nacional que ele canta lá (algo como "Cazaquistan is the biggest country of the world/ all the other nations are ruled by little girls...", tudo na melodia do hino nacional americano), se o cowboy velho que o aconselha a tirar o bigode para não ficar tão parecido com os árabes, se o papo com a turma de negros que encontra num subúrbio, se a compra de um urso "for protection"... mas acho que eu elegeria a seqüência "aulas de etiqueta entremeada com um jantar "in the high society" de uma cidadezinha sulista". Ele alterna o sotaque que inventou para o Cazaquistão com o sotaque empolado britânico num jogo de contraste que só termina quando resolve mostrar fotos de sua família para a professora de etiqueta. É ver pra rir.
3 - Ganhei, via contrabando, o último CD de Fernando Ortega.

Que não é esse aí da foto. Essa capa é do penúltimo, mas como a capa do último, In the shadow of your wings é só um céu estrelado magnífico, preferi essa aí que é justamente pra apresentar o cabra a vosmecês, meus seis leitores.
Porque se você não conhece Fernando Ortega e gosta de música, e se você não é cristão praticante mas não tem preconceito com música segmentada nesse filão, te garanto que está perdendo e muito.
Com uma voz de tenor limpa e sem afetação, Fernando Ortega a veste em arranjos despojados mas brilhantes. Despojados porque praticamente só usa violões, um baixo que reboa fundo, piano - que ele mesmo toca lindamente - guitarras ocasionais mas sempre coadjuvantes, percussão e uma ou outra incursão de flauta ou acordeão. E com tão pouco ele faz tanto! Para completar, suas composições têm melodias lindas, que exploram graves e agudos, harmonias e ritmos e que contam com backing vocals de uma soprano abençoada.
Neste último CD, contudo, ele usa um quarteto de cordas e, ocasionalmente, um oboé, pra mostrar que dá pra ser ainda mais sublime. As composições são simples, geralmente canções de dois ou três versos apenas, que se repetem, alternando vocais com a tal guria iluminada.
Nada me embala tanto e há tanto tempo como a música desse cidadão, filho de cucaracha com irlandesa, que mora na California e que, por uma desgraça do destino, não consegue mandar CD nenhum pro Brasil desde que o dólar perdeu a paridade com o real. O único CD que você, com sorte, achará ainda em alguma loja de artigos evangélicos, de preferência na Rua Conde de Sarzêdas, no centro de São Paulo, é This Bright Hour, que já é bem velhinho mas que vale a pena com certeza.
Se quiser baixar por aí pra conferir, sugiro faixas como "If you were mine", "Grace and Peace", "Creation song", "Give me Jesus", "Don't let me come home a stranger", "Beyond the sky", "Prayer for home" ou a instrumental "Grace's waltz".
4 - Torrei de calor, primeiro em São Paulo, depois em Porto Alegre, onde passei um diazinho e onde vi o Borat. Nesse calor todo, picou-me o mosquito tropical da lassidão, tenho vontade de ficar deitado de cueca assistindo vídeo show. Mas não conte pra ninguém, please.
Posted by marcol at março 6, 2007 7:33 AM