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março 26, 2007

Comunicação de chegada

Quem? Davi Ribeiro Lima
Quando? 21/03/2007, às 16h42
Peso: 3,605kg
Altura: 52cm
Como? parto normalérrimo

Saca só o guri:

Parto%20Davi%20135.jpg

Portanto, a família fica assim:

Parto%20Davi%20132.jpg

As impressões dessa que é a emoção mais sem par que existe ficam pra um próximo post. Só passei para pedir a vocês que regozijem-se conosco!

Posted by marcol at 3:53 PM | Comments (14)

março 19, 2007

Alta ansiedade

A qualquer momento o Davi pode chegar. Trata-se de meu segundo filho, alguém que vai ter, fatalmente, um papel importantíssimo em minha vida e que, no entanto, só faço uma idéia longínqua de como é seu rosto. Engraçado pensar em alguém de importância tão destacada, com quem vou conviver intimamente durante anos, mas de quem só sei seu peso e tamanho aproximados e o fato de que se mexe demais. Nenhuma vaga dica quanto ao temperamento, personalidade, com quem se parece, nada.

Por si só a situação já seria de inspirar alguma ansiedade, mas há mais. A previsão dos médicos é de que ele apareceria até o dia 13 de março. Pois é, terça-feira passada. E, no entanto, ele está muito bem lá dentro, nem sinal de querer vir para fora (o que não deixa de ser uma dica de que o garoto é esperto, muito esperto. Deve ter puxado a mãe). As contrações que ela já sente desde o 6º mês de gravidez continuam irregulares e inconstantes, a dilatação é incipiente e outras tantas evidências de que ainda não chegou a hora de ele nascer.

É difícil descrever a ansiedade que toma conta não só de mim e de minha esposa, mas de um enorme e surpreendente número de pessoas à nossa volta. Toda vez que o meu celular toca, o escritório inteiro suspende a respiração na expectativa de ser a Tatiana aos gritos me chamando para levá-la ao hospital. Recebemos ligações diárias de amigos, desde os mais próximos até alguns mais distantes. Há notícias até de um tio do bebê que tem dormido mal há uma semana por causa dessa situação!

E hoje de manhã eu folheio minha Bíblia aleatoriamente e encontro a célebre primeira frase do verso 10 de Salmo 46: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Impossível não enxergar o recado.

Existe um Deus que cuida de todas as coisas, desde as mínimas até as mais importantes, como o nascimento de uma vida humana. Esse Deus me ama. Mas para saber isso tudo, é preciso que eu me aquiete. É preciso que eu relaxe e exercite a confiança. É preciso que eu deponha a Seus pés o que me deixa ansioso e peça para Ele dar o Seu jeito.

A propósito, a obstetra definiu a próxima quarta-feira como dia-limite. Se até lá a Tatiana não entrar em trabalho de parto, vamos partir para uma cesárea. Até lá, Davi está seguro e saudável, pode esticar sua estada no lugar quente e (vá lá) confortável em que está. E até lá eu e ela estaremos quietos e aconchegados nos braços de Deus.

Posted by marcol at 12:14 PM | Comments (7)

março 12, 2007

Confessional

Admirando longamente a minha esposa e seu barrigão de grávida de 9 meses ali ao meu lado eu lembrei do tempo imediatamente anterior a quando a conheci. Teve lá os seus encantos, mas era um tempo meio aflitivo, sim. Eu vinha de alguns namoros. O maior dele havia durado pífios 7 meses. Por outro lado, estava ali, formado já e empregado numa grande e desafiadora empresa, experimentando portanto uma certa estabilidade profissional. Também era muito estável em termos sociais, tinha pencas de muito bons e raros amigos. E também experimentava a estabilidade no mais importante dos campos, o espiritual, com minha fé firmada e sentindo o que Isaías 48:18 chama de "a paz como um rio" a correr por entre plácidas pedras no meu peito. Só faltava mesmo isso.

Eu andava pelas ruas olhando para a mulherada como quem pergunta "é você? " Esperava algum sinal, o dobrar do sinos. Perguntava-me se a resposta não estaria em algum lugar insuspeitado, talvez bem próximo. E assim meus olhos iam despejando "é você?s" por aí, como quem semeia à moda antiga, jogando a semente pra qualquer lado pra ver se nalgum floresce.

Meu último namoro havia durado cinco meses. Era uma menina ótima, estudava economia na Unesp, era bonita e inteligente e ambos éramos relativamente maduros, o suficiente pra não fazer aquelas besteiras clássicas que sufocam relacionamentos. Mas não deu certo e aí eu fiquei meio deprê. A idéia de que teria de começar tudo de novo, do zero, quando queria mais era já ter aquela cumplicidade íntima de quem não pergunta mais "é você?", de quem já tem nem que seja uma quase certeza... aquilo me punha muito, muito pra baixo.

Lembro da manhã de terça-feira logo após o sábado em que o namoro se desfez, eu chegando ao meu trabalho totalmente tristão, tirando o paletó pra pendurar, foi quando ouvi soprado no meu ouvido uma frase que eu já havia lido em algum lugar: "não temas, crê somente".

Sentei na minha cadeira buscando de onde vinha aquilo. Lembrei: Marcos 5, um cidadão chama Jesus para curar sua filha que está doente, Ele se demora por causa da multidão ao seu redor quando chegam pra dizer que era tarde, a menina estava morta. É nesse contexto que Jesus diz: não temas, crê somente. Se você parar pra pensar, é um jeito bem estranho de consolar alguém que acaba de perder a filha. Mas a história narra Jesus chegando na casa dele e ressuscitando a menina. Ok, por que então Ele não disse que faria isso? Por que fez aquele desafio enigmático?

Fiquei lá na minha cadeira sorrindo tranqüilo e agradecendo. É assim que Ele trabalha. Não me faz grandes e rotundos discursos teológicos, pede que eu creia contra toda evidência.

Um mês e meio estava namorando com a Tatiana, a quem sequer conhecia, então. No segundo dia de namoro, tal era a certeza de que a relação seria duradoura, cometíamos a temeridade de mencionar o assunto filhos. Decidimos ali que nossa filha se chamaria Clara.

Clara não veio. Apareceu primeiro o Eduardo e agora quem vem aí é o Davi. Com os nomes masculinos não chegamos a nenhum consenso naquele distante abril de 98, mas o que importa é que, olhando ela ali tão bela e vendo como valeu a pena simplesmente crer, a nostalgia pelo tempo do "é você?" não teve sabor de saudade. É ela, ali, sim, é ela. Porque Deus me mima muito.

Pretendo tornar aqui apenas pra dizer com quantos quilos Davi nasceu. A data provável é amanhã, mas o Eduardo nasceu uma semana depois, talvez a história se repita. A propósito, ore, por favor, para que a história dos seus pais se repita neles. É o que mais posso desejar.

Posted by marcol at 11:30 AM | Comments (14)

março 6, 2007

Durante o tempo em que fiquei sem conseguir postar...

1. Meu filho não nasceu.

2. Assisti a Borat.
Borat-flag.jpg
E, numa palavra, Borat é genial. O personagem criado pelo humorista inglês Sacha Baron Cohen vira longa-metragem com um fio de roteiro e uma tonelada de improvisação. Nesse sentido, o filme me parece revolucionário, não lembro de haver visto nada parecido ever. Nada lisonjeiro para o povo da gloriosa nação do Cazaquistão, Borat é um repórter televisivo que vai à América fazer matérias que ensinem os cazaquistanezes a serem "uma grande nação". Sob esse pretexto, segue-se uma série de piadas infames e muitos e muitos dedos em feridas -uy- doloridas demais da tal grande nação. É difícil enumerar os momentos mais hilários, se o encontro com Pamela Anderson, se o discurso Bushófilo no rodeio, se a letra do hino nacional que ele canta lá (algo como "Cazaquistan is the biggest country of the world/ all the other nations are ruled by little girls...", tudo na melodia do hino nacional americano), se o cowboy velho que o aconselha a tirar o bigode para não ficar tão parecido com os árabes, se o papo com a turma de negros que encontra num subúrbio, se a compra de um urso "for protection"... mas acho que eu elegeria a seqüência "aulas de etiqueta entremeada com um jantar "in the high society" de uma cidadezinha sulista". Ele alterna o sotaque que inventou para o Cazaquistão com o sotaque empolado britânico num jogo de contraste que só termina quando resolve mostrar fotos de sua família para a professora de etiqueta. É ver pra rir.

3 - Ganhei, via contrabando, o último CD de Fernando Ortega.
fernandoortega-fernando.jpg
Que não é esse aí da foto. Essa capa é do penúltimo, mas como a capa do último, In the shadow of your wings é só um céu estrelado magnífico, preferi essa aí que é justamente pra apresentar o cabra a vosmecês, meus seis leitores.

Porque se você não conhece Fernando Ortega e gosta de música, e se você não é cristão praticante mas não tem preconceito com música segmentada nesse filão, te garanto que está perdendo e muito.

Com uma voz de tenor limpa e sem afetação, Fernando Ortega a veste em arranjos despojados mas brilhantes. Despojados porque praticamente só usa violões, um baixo que reboa fundo, piano - que ele mesmo toca lindamente - guitarras ocasionais mas sempre coadjuvantes, percussão e uma ou outra incursão de flauta ou acordeão. E com tão pouco ele faz tanto! Para completar, suas composições têm melodias lindas, que exploram graves e agudos, harmonias e ritmos e que contam com backing vocals de uma soprano abençoada.

Neste último CD, contudo, ele usa um quarteto de cordas e, ocasionalmente, um oboé, pra mostrar que dá pra ser ainda mais sublime. As composições são simples, geralmente canções de dois ou três versos apenas, que se repetem, alternando vocais com a tal guria iluminada.

Nada me embala tanto e há tanto tempo como a música desse cidadão, filho de cucaracha com irlandesa, que mora na California e que, por uma desgraça do destino, não consegue mandar CD nenhum pro Brasil desde que o dólar perdeu a paridade com o real. O único CD que você, com sorte, achará ainda em alguma loja de artigos evangélicos, de preferência na Rua Conde de Sarzêdas, no centro de São Paulo, é This Bright Hour, que já é bem velhinho mas que vale a pena com certeza.

Se quiser baixar por aí pra conferir, sugiro faixas como "If you were mine", "Grace and Peace", "Creation song", "Give me Jesus", "Don't let me come home a stranger", "Beyond the sky", "Prayer for home" ou a instrumental "Grace's waltz".

4 - Torrei de calor, primeiro em São Paulo, depois em Porto Alegre, onde passei um diazinho e onde vi o Borat. Nesse calor todo, picou-me o mosquito tropical da lassidão, tenho vontade de ficar deitado de cueca assistindo vídeo show. Mas não conte pra ninguém, please.

Posted by marcol at 7:33 AM | Comments (5)