janeiro 22, 2007
Meu, eu nunca ri tanto...
Nesse tempo de nuvens plúmbeas (urgh), notícias fúnebres e suas respectivas desditas, achei de bom tom lembrar os filmes que mais me fizeram rir. Trata-se, pois, de um Top 5 muito personal, em que o único critério é a quantidade de gargalhadas suscitadas, e não eventuais valores artísticos intrínsecos da obra. Porque pra você rir muito às vezes basta que esteja no clima, basta que o negócio te surpreenda ou faça ativar circuitos mentais que remetam a lembranças ou sensações esquecidas. Basta sei lá o que, chega, de teorizar e passemos logo aos títulos que só de lembrar já despejam endorfinas demontes na minha corrente sangüínea:
Número 5. Um Peixe Chamado Wanda (1988)

Depois do fim do Monty Python essa talvez tenha sido a melhor incursão de ex-membros da abençoada trupe inglesa. A trama é inteligentíssima e conta com atuações memoráveis. Do tipo que te faz perguntar por que raios Kevin Kline não é um ator do primeiríssimo time. Ponto altíssimo: o personagem de Kevin Kline tortura o gago (e genial) Michael Palin engolindo os peixinhos de seu aquário.
Número 4. Apertem os cintos: o piloto sumiu (1980)

Possivelmente muito inspirado no número 1 deste Top 5, Apertem os cintos teve um impacto gigantesco na minha geração e foi o grande disseminador do bom e velho besteirol por aqui. As piadas nonsense são tão excelentemente boas que dispensam boas atuações. Só pra ilustrar, foi por causa desse filme que o péssimo Leslie Nielsen descobriu o que chamam de "sua veia cômica". Mas, em compensação, é duro achar um ponto altíssimo. Vai esse aqui, anyway: momentos de tensão terríveis na torre de controle. O estressado chefe daquilo lá pergunta o que os seus homens vêem no radar. Eles não vêem nada, porque estavam jogando videogame. Logo depois aparece o gay que só quer saber de lavar roupa e dizer incongruências e puxa a tomada deixando a Torre no escuro. Na seqüência diz que foi tudo brincadeirinha.
Número 3: Top Secret (1984)

Um Elvis Presley espião americano em plena Alemanha nazista. No caminho dele, um balé estranhíssimo, fantasias de vaca, flash backs à la Lagoa Azul, lutas de faroeste embaixo d'água e muitas piadas visuais geniais. Foi duro decidir a colocação desse filme e do anterior. Em qual eu ri mais? Este aqui ganhou por causa do seu ponto altíssimo: na prisão alemã, o mocinho invade a cela do pai de sua amada e diz que ele veio até ali para livrá-lo. Colocando a cabeça para fora do buraco de onde saía uma mão com uma colher cheia de terra, o idoso cientista prisioneiro diz: - oh, que ironia. Bem agora que eu estava terminando meu túnel... Val Kilmer coloca a cabeça no buraco e vê um túnel asfaltado, iluminado e com placas de sinalização. Isso acabou comigo!
Número 2. Infielmente Tua (1983)

Pouca gente sabe que filme é esse. Mesmo o Google relutou um pouco em me mostrar alguma coisa dele. É uma comédia despretensiosa, refilmagem de outra de mesmo nome dos anos 40. Aqui, Dudley Moore é o marido ciumento de Natasja Kinski (em sua melhor forma) (física, é claro). Mas a verdade é que aquela noite dos anos 80, em que eu estava sozinho na sala da minha casa vendo Supercine enquanto o resto da família fazia sala para alguma visita lá na cozinha foi uma das que mais ri em todos os tempos. Ponto altíssimo: é uma sucessão de gags geniais calcadas no plano maquiavélico do maestro para matar sua mulher e seu suposto amante. Tudo, absolutamente tudo, sai errado. Situações bizarras, difícil escolher uma só.
1. Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975)

Ors concours, você diria. E, se não diria, é porque não tem o menor senso de humor. Trata-se de um clássico absoluto. Este filme inspirou boa parte desta lista, é genial do começo ao fim. Mulheres costumam não ver graça nenhuma. Mas e daí?, comédia é um gênero essencialmente masculino. Ponto altíssimo: o sábio da ponte faz três perguntas para os cavaleiros. Aqueles que acertam as perguntas, passam, os que não acertam caem no abismo. Perguntas terríveis, como "qual é sua cor preferida?" E mesmo assim muitos caem no abismo. Até o próprio sábio. Hilário.
Ai, ai. Isso me fez bem. A propósito, notou as datas dos filmes? Dilema à la Tostines: antes se faziam filmes muito mais engraçados ou eu é que fiquei sem graça?
Saudações, terráqueos!
Posted by marcol at janeiro 22, 2007 6:08 PM