janeiro 17, 2007
É bem verdade que na maioria das vezes somos incapazes de precisar o quê no objeto amado despertou o nosso amor. Se pudéssemos saber, ficaríamos surpresos de ver que muitas vezes foram coisas minúsculas. Um certo ângulo do pescoço quando ela(e) olha para baixo, a inflexão da voz, uma risada inopinada. Uma palavra solta no ar, o jeito como os cabelos farfalham no vento, um gesto casual. Um olhar distraído, a curva de um lábio, o formato das mãos. Se pudéssemos saber nos supreenderíamos. Ou, como preferiria Kant, talvez as razões do sem-razão estariam não no objeto amado, mas dentro de nós, em certas lacunas insuspeitas, em certos momentos especialmente vazios, quando uma confluência de casualidades te empurra para o meio do vendaval. Se pudéssemos saber nos supreenderíamos, mas quem sabe deixássemos, assim, de amar? Melhor não saber, portanto.
[excerto de um livro que eu nunca escrevi]
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Assisti a Flores Partidas. Não chega a empolgar.
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Apareceu um buraco no meio da rua. Sugou gente, caminhões, ônibus. Pensei na senhora que voltava à pé da consulta do médico. Teria ouvido boas coisas? E se houvesse atrasado um minutinho? E se houvesse andado mais rápido um pouquinho?
A velha história do timing. Ou, como diria Inagaki.
Frágil é a vida. Impressionante que alguns a vivam sem reflexão. Impressionante, para mim, que alguns reflitam e rejeitem a realidade de Deus.
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Posted by marcol at janeiro 17, 2007 5:04 PM
Comments
Como diz Chico Buarque: "apenas seguirei como encantado ao lado seu"... é melhor não saber!!
Eu tenho medo desse tal de timing...
Beijos!!
Posted by: J@de at janeiro 26, 2007 12:20 PM
Obrigado!
Posted by: Milton Ribeiro at janeiro 22, 2007 9:17 AM
Caríssimo.
Saudades de você e da MEG.
Com ela tive minhas diferenças bem resolvidas. Por ela sempre rezei e rezarei.
Amitiés,
BetoQ.
Posted by: Zadig at janeiro 20, 2007 2:07 PM
É, meu caro, na blogosfera também temos que ter timing, pois aqui a vida também é frágil. abs
Posted by: D. Afonso XX o Chato at janeiro 19, 2007 8:59 AM
Realmente a vida é breve,fugaz, incerta...
Quanto à escolha do objeto de amor, um mistério! Somos capturados por ele, mais do que escolhemos. Lacan nos aponta o 'pequeno "a"' (pétit a) como 'objeto causa do desejo" = algo muito inconsciente, primitivo, gravado em nosso imaginário nas primeiras experiências de vida. Mistérios sempre há por aí!
Posted by: Cláudio Costa at janeiro 18, 2007 2:05 PM
E nao eh?
- Comentario conciso devido aos dedos congelados.
Posted by: Keiko at janeiro 18, 2007 3:17 AM
Eu pensei a mesma coisa quando soube que os do ETA explodiram uma bomba no aeroporto de Madrid. Na mesma plataforma onde eu estive, à mesma hora da manha, tres dias antes. Dá medo.
E o livro...vc devia escrever.
Posted by: Daniela at janeiro 17, 2007 6:27 PM