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novembro 8, 2006

Enviagem

Destino da semana: Teresina-PI.

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Caminhei por entre as prateleiras de revistas da livraria Laselva no aeroporto de Cumbica, antevendo uma longa viagem. Longas viagens exigem um tipo muito peculiar de literatura. Primeiro, precisa ser leve. Literalmente falando. Porque na hora que anunciam o embarque, eu tenho que carregar o que estiver lendo na mão - abrir a pasta e guardar o trem para depois tirar de novo quando estiver acomodando a bagagem de mão, enfim, não dá. Precisa ser fácil, fluída, do tipo que entretém e informa.

Revistas semanais são o mais indicado. Aí eu vi as capas de todas elas estampando o rosto feliz e contente do senhor presidente. O estômago embrulhou na hora.

Dei então com uma revista enorme, capa de fundo verde com uma gravura do Che vestindo uma camiseta com a cara do Bart Simpson. Hum, interessante. O nome? Piauí. Talvez sugestionado pelo meu atual destino, acabei comprando o número 2 dessa novíssima revista da Abril.

Eu tinha também a impressão de Operação P-2, literatura policial com a grife da fantástica e profícua companheira verbeat Olivia Maia, o que me tomou metade da viagem de divertidíssima leitura. Mas a outra metade (a volta), não foi suficiente para ler toda Piauí, de tão grande que é. O que li, contudo, foi de apaixonar. É um troço alternativo, com ilustrações excelentes, que tratam de pessoas não exatamente sob os holofotes, com muito estilo e verve. Por exemplo, tem uma matéria assinada por Antonio Prata (filho do Mario Prata) descrevendo suas anotações de uma viagem pela Rodovia Presidente Dutra. É genial, o elan de escritor parece ser genético, no caso. Outra coisa bacana: eles pedem para um tipo comum escrever um diário de um mês. Nesse número a tarefa foi dada para um residente de medicina do Rio.

Piauí parece ter nascido para resolver meu problema de tedius viajandis.

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Teresina é assim um lugar verde e quente. Parece Cuiabá só que mais bonita. É a única capital do norte/nordeste que não fica no litoral, culpa da colonização de baixo pra cima, via sertão. Hã, eu disse que lá é quente? Errei. É MUITO quente! Cruiz.

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Umas horinhas antes da audiência, vou dar uma volta pelos entornos do hotel. Tem um certo teatro piauiense bem ao lado. Entro. Duas tiazinhas que conversavam na recepção me olham com um leve ar de irritação. Parece que eu interrompi uma prosa boa. Disse bom dia, ninguém respondeu. Meio sem saber o que fazer, entrei na primeira sala à direita. Tinha um monte de fotos dum velhinho que nao fazia a menor idéia de quem é. Talvez um historiador local. Tinha uns livros velhos dentro dumas caixas com tampa de vidro. Super legal. Caí fora.

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No centro de artesanato tive mais sorte. Um monte de esculturas bacanas, algumas imponentes mesmo. Tirei uma foto com o celular abraçado a uma escultura de barro de um tiozinho de chapéu e mandei para a Tatiana. Isso tá virando mania. É um jeito de fazer ela viajar comigo.

Na saída, uma exposição de caricaturas absolutamente geniais de um certo Loredano. Santo Google me explica que se trata de Cássio Loredano. Seus caricaturizados são gente como Orson Welles, Oscar Wilde, Monteiro Lobato, Didi (o atacante da folha seca), Sartre, Mario Andrade, Fernando Pessoa e por aí afora.

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Na volta, a menina da TAM disse que eu ia ficar na saída de emergência no trecho Brasília-Congonhas. Acho que ela errou. Me botou uma fila antes da dita cuja e eu vim todo muito espremido demais por conta do mais metro e noventa que ostento. Pra ter uma idéia, minha Piauí não cabia no espaço entre minha barriga e o banco da frente, ela tinha que ficar meio dobrada. O mais enervante é que eu não pude sentar na primeira fila porque ela já estava ocupada. Dentre outras pessoas, descobri na hora, pelo deputado ACM neto, notabilizado pela sua estatura pouco privilegiada.

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E na segunda à noite teve bolo para o Dudu. Completou 4 anos. Eu estava voando na hora e pensar nisso me dá nos nervos. Mas a Tatiana me mandou uma foto dele ao lado do bolo e eu passei boa parte do dia com ele, antecipando os beijos e abraços, o que serve como meio-consolo. Ele é uma criatura magnífica. Ele é a prova irrefutável que Deus me ama demais da conta, sei lá porque. Que o irmão dele que está a caminho seja da mesma estirpe, é o que oro sem parar.

Posted by marcol at novembro 8, 2006 2:47 PM

Comments

é menino entao?

Posted by: Daniela at novembro 10, 2006 7:23 PM

O comentário da Nyrlei foi de matar de rir! Ela também bloga? Aliás, tem algum(a) outro(a) conhecido(a) nosso(a) blogando e eu não sei? Me avise, hein?

Feliz Aniversário atrasado para o Dudu, ele alcançou o Kelvin, que irá desempatar em março... Então quer dizer que o 2o vai ser mesmo outro macho? Que nem nós. E eu que sempre quis uma filha...

Posted by: Lilian at novembro 9, 2006 12:36 PM

Nesses ascentos de avião, das duas uma: Ou sento eu (e meus exatos 1,54m) lendo a Piauí, ou senta vc (1,90) lendo a Seleções...

Posted by: Nyrlei at novembro 9, 2006 12:22 PM

Jornada dupla ao Piauí, hein! UHU! Você devia tentar relatar a viagem na publicação postcitada, meu velho... aposto que eles gostariam muito de publicar as peripécias de um advogado combatendo o crime internético pelos rincões da nação... falando sério! Vou até tentar descolar o e-mail de algum editor e te passo, se interessar a você escrever por lá (que é por onde se vem pra cá?)...

sei que o idealizador da coisa é o botafoguense João Moreira Salles e a editora é a Alvinegra (não por acaso), mas a distribuição é feita pela Abril...

suas letras caberiam bem na piauí!

Posted by: Tiago Jokura at novembro 8, 2006 8:14 PM

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