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novembro 13, 2006

Applause now

Se me perguntassem até o domingo de manhã quem é a melhor artista do Brasil, mais completa e que preza mais pela excelência do que faz, eu acho que responderia que é a Maria Bethania.

Mas hoje eu responderia com total certeza.

Ontem fui ver o show que ela apresentou em três curtos e rasteiros dias aqui em São Paulo. É um banho pra alma, você sai boquiaberto. Primeiro porque ela canta muito. Você pode até não gostar do timbre de contralto dela, mas se tem um mínimo de noção e já a viu ao vivo vai concordar que ela é rainha e soberana absoluta da platéia com suas variações dinâmicas de intensidade, seu fraseado que sempre enfatiza a melodia, sua dicção perfeita (dá até pra entender as palavras inteiras que canta naquelas músicas de macumba) e sua interpretação rasgada, derramada, entregue. Dá a impressão de que ao fim do show ela sai de maca e tomando soro, de tanto que vive o que canta.

Segundo, porque ela é definitivamente quem melhor escolhe repertório neste país. Ela acha cada pérola enterrada, impressionante.

Terceiro, porque os arranjos de suas músicas são coisa de gênio. Aí se vê mais uma vez seu extremo bom gosto. A banda do show é enxuta, tem um teclado, uma bateria (com o excelente Carlos Bala), um percussionista, dois violões, um baixo e um cello. Inútil dizer que são todos grandes instrumentistas, mas o ponto é que com o pouco se faz muito. Dão leveza quando se quer leveza, ruído quando ruído, ápice quando precisa de ápice. Os arranjos estão sempre a serviço da comunicação do sentimento e da mensagem da canção.

Quarto porque eu nunca vi um cenário tão bonito. É uma gigantesca foto de um céu com nuvens e as variações de luz dão ao céu um ar soturno ou de manhã luzidia ou de por-do-sol. Pela frente delas, tiras de vual te supreendem voejando quando a canção fala de vento. E ainda pequenas lâmpadas vermelhas fazem desenhos por entre as nuvens.

Quinto, porque Bethânia continua com sua prática de recitar pequenos excertos de poesia entre algumas canções e aí mais uma vez se vê sua inteligência e extremo bom gosto. São versos soltos ou estrofes inteiras de textos escolhidos após garimpo intenso.

Sexto porque não tem telão transmitindo o show, assim a gente só vê a cantora de longe. Hum, acho que nisso fui meio cruel.

Faltaram apenas músicas mais conhecidas. Ela cantou exclusivamente coisas dos dois CDs que está lançando, assim a gente sente falta de cantar um pouco com ela. No mais, ela se esmera para que você seja colocado em estado de graça tão alto que o faça durar muito tempo.

Posted by marcol at novembro 13, 2006 9:38 AM

Comments

Prefiro o Blind Guardian :-)

Posted by: Renato K. at novembro 21, 2006 4:59 AM

Hummm que inveja. Nunca nunquinha assisti um show de cantor Brasileiro de MPB famoso. Por aqui eu pude ver uma tal de Badi Assad (e também anos atrás os irmãos dela Sérgio e Odair Assad, que são violonistas clássicos dos melhores), que canta, faz percussão com a boca e toca seu violão lindamente.

Quem sabe algum dia... se a gente voltar pra pátria amada. Muitos dos cantores brasileiros aparecem por aqui, mas não é fácil pra gente ir...

Posted by: Lilian at novembro 14, 2006 4:27 PM

Não sou um leitor muito assíduo de críticas, mas, das poucas que li, essa é uma das que mais 'rasgaram cedas' em favor da criticada..
Mas se você diz que ela merece, quem sou eu para convencê-lo do contrário.
(...)
Estava a procurar um lugar ideal para agradecê-lo pelo conselho dado e não encontrei outro a não ser este. Mas, permita-me comentar.. quarenta e seis minutos?? em um dia de apenas 23h 56m e 4,09966s?
aiaiai.. =/

abraços,

Posted by: Luis Henrique at novembro 13, 2006 5:19 PM

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