setembro 27, 2006
Uéu, andei desaparecido uns dias por razões da mais alta relevância. Na verdade o micro deu chabú, peguei um estepe, o link de donde postamos estava no favoritos do outro e foi necessário encontrar o sempre alerta Milton Ribeiro no MSN para redescobrir o caminho das pedras. Agora tudo isso é passado/ela está aqui do meu lado/ nosso lar é um ninho de amor/comprei os móveis, fiz questão de qualidade/preços baixos e facilidade/o segredo vou contar:/é na casa de móveis brasil, tá?
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Falando em Milton Ribeiro, eis que terminei a leitura do intrigante O Louco do Cati, obra ímpar de Dyonelio Machado (ou seria Dionelyo??). É um livro diferente, com uma fluidez estranha, um roteiro meio incomum e inovações de linguagem que admiram ter sido escrito em 1942. O protagonista é louco mesmo. Parece que foge de lembranças tenebrosas de um passado talvez distante, quando a bala comia solta no interior do Rio Grande do Sul. Cati era o lugar para levavam os simpatizantes da revolta separatista espelhada na recentemente reexibida Casa das Sete Mulheres, da Globo. Mas o livro quase não toca nisso. Ele descreve a estranha viagem que o tal louco faz saindo de Porto Alegre, indo de caminhão até o litoral, depois pegando outro caminhão até não lembro onde, dali saindo preso até Florianópolis, depois de navio até o Rio, e aí sendo solto e voltando pelo interior do sul do país.
O louco vai sendo conduzido, levado por outras pessoas com uma passividade curiosa. O autor emprega símbolos quase escondidos no estilo meio oral de escrita, como se alguém estivesse contando a história e recheando as reticências com gestos e expressões faciais. Tais símbolos envolvem referências a animais em pessoas, como o próprio louco, que vivia farejando o ar. No final, uma cena um tanto obscura o leva a encontrar-se com um lobisomem.
O Louco acaba parando, sem querer, adivinhem onde. Nas ruínas do Cati. O Cati de onde passou o tempo todo fugindo.
Dionelyo é autor de uma obra prima chamada Os Ratos, que infelizmente pouca gente conhece. Foi escrito em 1935, ano em que ganhou o prêmio Jabuti, empatado com Música ao Longe, de Erico Verissimo. Aliás, é muuuuuuuuuito melhor que o livro do Verissimo. No resto de sua vida o autor, que era psiquiatra, foi pouco ou nada compreendido em obras como esta que acabei de ler e que felizmente ganhou uma nova edição recentemente pela editora Planeta. Uma pena. Realmente uma pena.
Posted by marcol at setembro 27, 2006 1:54 PM