setembro 4, 2006

Eu já confessei aqui ser um grande fã de Jane Austen. Pois a admiração cresceu neste final de semana, quando, chegando meio desesperançado na locadora às nove da noite de sábado, crente de que só haveria lixo disponível, encontro Orgulho e Preconceito, de Joe Wright, com Keira Knightley, dando sopa. Filme pra ver com a esposa? Jane Austen de bobeira? Não pensei duas vezes.
Mas sempre fica aquele medo do filme não ser fiel ao livro, de ser uma adaptação chinfrim, sei lá. Nada, é um belo e muito bem feito filme, com boas atuações. Mas nada consegue rivalizar o brilho do próprio enredo, dos diálogos, dessa atmosfera estranha que é uma obra de Jane Austen. Estranha porque é tudo muito pueril, inocente, insípido e boboca na superfície, mas abaixo da superfície existe um universo inteiro de intensidade de sentimentos, de verossimilhança e de capacidade de observação da alma humana. Não à toa Jane Austen continua sendo apontada como escritora do primeiro time, mesmo entrados no século XXI e sua natural aversão à estética que impera ali.
Nesta obra, os caracteres do pai e da mãe da protagonista são absolutamente excelentes e a moral da história, contra julgamentos precipitados, fica excelentemente acentuada. E tem final feliz, que a mulherada adora.
Posted by marcol at setembro 4, 2006 1:48 PM