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agosto 22, 2006

Silêncio é violência

Quando chegou perto do portão de sua casa estranhou a Variant que passava lentamente na direção oposta. Hesitou. Dentro do carro um homem o olhava acintosamente. Acelerou, passou adiante, uma leve palpitação no peito. A rua fazia uma curva logo à frente, ele fez a volta na primeira esquina e resolveu tentar de novo. Quase em frente ao seu portão, a Variant vindo e o homem encarando, outra vez. Sentiu o rosto queimar. Era uma da manhã, a rua vazia. Só uma Variant e um homem passando lentamente e olhando para ele e dando meia-volta na esquina e tornando a encará-lo. Mordiscou o lábio inferior angustiado. Resolveu dar a volta no quarteirão mas cruzou com a Variant de novo e o homem agora o olhava de forma hostil. Passou pelo seu portão e olhou pelo retrovisor. A Variant deu uma súbita guinada e ia fazendo a volta para ir atrás dele.

Arrancou pela última vez, ignorou lombadas, buracos e faróis fechados e sumiu. Aboletou-se num hotel da Marginal, deitou sem paz e custou a dormir.

Meses mais tarde descobriu que a associação de amigos do bairro havia feito uma vaquinha para contratar um segurança que circulava na madrugada em sua Variant. Sorriu nervoso, mas o estrago já estava feito.

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Modesta participação à blogagem coletiva capitaneada por Laura. O tema é violência e muita gente graúda está participando inserindo hoje posts sobre o tema com o mote SILÊNCIO = VIOLÊNCIA.

Posted by marcol at agosto 22, 2006 4:17 PM

Comments

Ih, eu me adiantei uns dias, hehe.

Posted by: Lux at agosto 23, 2006 11:08 PM

Marco Aurélio, obrigada pela adeão. Muito bom teu texto.
Lembra um pouco meus mini contos.
Um abraço, Laura

Posted by: laura at agosto 22, 2006 5:49 PM

Pois é Marco Aurélio, tempos paranóicos esses. Será que conseguiremos enxergar a luz antes do fim do túnel? Que Deus nos inspire a todos.

Posted by: PPRangel at agosto 22, 2006 5:35 PM

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