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agosto 25, 2006

Ah, os russos.

Preciso de um tempo para me recuperar. Uns meses, acho, sei lá. Me recuperar do impacto do conto que terminei de ler ontem.

Eu havia comentado aqui que estava lendo uma coletânea de contos de Anton Tchekov. Pois bem, o último deles se chama In the Ravine, é a maior narrativa da coletânea, dividida em nove pequenos capítulos. É o quanto basta. É o quanto basta pra Tchekov parir algo à altura de coisas como Ana Karenina e Os Irmãos Kamarazov. Sem grandes afetações, de forma aparentemente despretensiosa e sutil, o cara enfia a mão lá no âmago, mexe em tudo e então vira as cosas e vai embora.

Não vou descrever a história aqui, acho que isso diminuiria a experiência e eu realmente tenho esperanças de que todos os meus noventa e cinco milhões, duzentos e quarenta e seis mil, trezento e dezoito leitores corram para achar esse conto em algum canto. Altamente recomendado. Mas que fique avisado que requer estômago.

***************

Deu na Istoé que casar faz bem. Casados vivem mais, sofrem menos os efeitos de eventuais depressões, mulheres casadas são, no geral, mais saudáveis que as solitárias.

A Bíblia diz que Deus criou no primeiro dia a luz, e viu que era boa. No segundo dia Ele separou o firmamento das águas, e viu que era bom. No terceiro dia Deus separou as águas das terras secas, e viu que era bom. No quarto dia Ele criou os astros do Céu, e viu que era muito bom. No quinto dia, Ele criou os pássaros, peixes e viu que era muito bom. Aí, no sexto-dia, Ele criou os animais terrestres e o homem. Aí Deus disse que NÃO estava bom. Ele disse: "não é bom que o homem esteja só" e por isso criou Eva.

Daí que solidão é coisa que desgosta a Deus, não condiz com Seu caráter social e gregário. E daí que buscar companhia, uma companhia para ser perene e harmônica, é garantir uma parte do ideal divino para o ser humano. Por isso é que há benesses inclusive de saúde. Eu, que experimento o negócio há seis anos, não me surpreendo com as conclusões da Istoé e não consigo achar muita graça nas piadinhas que pintam casamento como uma coisa tenebrosa.

E... no sétimo dia Deus descansou e pediu para eu descansar também, como eu vou fazer daqui a pouco. Uhu!

Posted by marcol at agosto 25, 2006 2:08 PM

Comments

casar é bom quando vc pode sair pra dançar ao menos 1 vez por semana, sair para ouvir música, papos com amigos, e acompanhado pela esposa, mas,se voce para fazer esses programas, tem que convidar outra mulher,pois a sua não te acompanha,........

Posted by: Laureindo at setembro 2, 2006 5:32 PM

Marcão,

Achei simplesmente espetacular este texto sobre as benesses do casório! Realmente a solidão não é alguma coisa que Deus quis, afinal, até os animais andam em pares.

Estou quase plagiando seu texto e colocando-o no meu profile do Orkut.

abs

Posted by: Mura at agosto 30, 2006 12:10 PM

Eu adoro Tchékov e até escrevi esta longa homenagem quando ele fez 100 anos de morte:
http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/arquivos/2004/09/anotacoes_pesso.html .

Eu gostei demais da tua inteligente e verdadeira frase: "o cara enfia a mão lá no âmago, mexe em tudo e então vira as cosTas e vai embora." É um brilhante resumo de nossa situação de leitor frente a AT. Só corrija aquele letrinha que deixei em maiúsculo: cosTas.

Grande post. Afinal, sou casado...

Posted by: Milton Ribeiro at agosto 30, 2006 11:24 AM

Gosto de quase todos os russos, do Gogol - em Almas mortas, e o Fantasma de São Petersburgo.
De Dostoiewski - Memórias do subsolo, e Uma criatura dócil.
Também de Tchekov - Obra de arte.
Mas não conheço este conto.

Passei aqui pra perguntar se vc sabe do IBSN.

Posted by: Schüco Dourado at agosto 29, 2006 8:52 PM

Marco, acho que no primeiro dia Deus criou o Céu e a Terra. Aí só no segundo dia foi que se lembrou de criar a luz e pode ver a confusão que havia criado :-) É isso mesmo?

O Thecov era um mestre da concisão. Não sei se é dele uma frase que diz assim: se no seu conto não vai ser usado um guarda-chuva, não é necessário citá-lo ao se descrever uma sala. Mestre!

Sobre o casamento, faço coro àqueles vitalinos que desdenham o que querem comprar, d-e-s-e-s-p-e-r-a-d-a-m-e-n-t-e :-(

Posted by: Hemeterio at agosto 28, 2006 10:41 AM

Não conheço esse conto de AT, mas acredito em tudo que você diz dele e vou tentar encontrar, sim (viu como os leitores te ouvem?). Os russos são mesmo isso tudo. E quando a casamento, se você soubesse há quanto tempo estou casada e continuo gostando, nem ia acreditar. O difícil é acertar no parceiro certo ;) Beijo procê.

Posted by: adelaide at agosto 28, 2006 12:08 AM

Quem pinta o casamento como uma coisa tenebrosa é quem é sozinho e o que pode fazer é fazer piada com o que não tem. Como nos filmes em que o "cara mau" bate no mocinho por este ser inteligente. Ou não. É quase isso mas não é nada disso. o que interessa é que estar só é muito triste.
abraço

Posted by: Marco Vicente at agosto 26, 2006 1:09 AM

Adoro os russos, li mto qdo mocinha.
Qual o título em português? tem traduzido, me conte um pouco mais...:)
pode mandar por email.
Bom e qto aos casados viverem mais, tá bom, que seja, mas bem casados, né? porque agüentar sofrendo.
Estou brincando eu sei que pessoas solitárias são mais amargas e portanto morrem mais cedo.
Abs, laura

Posted by: laura at agosto 25, 2006 9:54 PM

Marcão, tenho o mesmo tipo de reação todas as vezes que leio ou releio os russos. Não há palavras pra descrever, né? Os caras são tão bons que dão até raiva!

Posted by: marconi leal at agosto 25, 2006 5:14 PM

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