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agosto 31, 2006

Estou aderindo à campanha deflagrada por conta da pixação do muro acima. Um blog publicou a foto, Sêo Sarney enfezou-se, mandou caçar o blog. Perdeu na justiça - fato realmente impressionante, se se considerar que quem julga é a justiça eleitoral do Amapá - e agora atiçou a ira de todo blogueiro comprometido com a liberdade de expressão.
Liberdade de expressão, aliás, é bandeira primeira deste Verbeat Blogs.
Go home, Sarney!
Posted by marcol at 4:18 PM | Comments (5)
agosto 25, 2006
Ah, os russos.
Preciso de um tempo para me recuperar. Uns meses, acho, sei lá. Me recuperar do impacto do conto que terminei de ler ontem.
Eu havia comentado aqui que estava lendo uma coletânea de contos de Anton Tchekov. Pois bem, o último deles se chama In the Ravine, é a maior narrativa da coletânea, dividida em nove pequenos capítulos. É o quanto basta. É o quanto basta pra Tchekov parir algo à altura de coisas como Ana Karenina e Os Irmãos Kamarazov. Sem grandes afetações, de forma aparentemente despretensiosa e sutil, o cara enfia a mão lá no âmago, mexe em tudo e então vira as cosas e vai embora.
Não vou descrever a história aqui, acho que isso diminuiria a experiência e eu realmente tenho esperanças de que todos os meus noventa e cinco milhões, duzentos e quarenta e seis mil, trezento e dezoito leitores corram para achar esse conto em algum canto. Altamente recomendado. Mas que fique avisado que requer estômago.
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Deu na Istoé que casar faz bem. Casados vivem mais, sofrem menos os efeitos de eventuais depressões, mulheres casadas são, no geral, mais saudáveis que as solitárias.
A Bíblia diz que Deus criou no primeiro dia a luz, e viu que era boa. No segundo dia Ele separou o firmamento das águas, e viu que era bom. No terceiro dia Deus separou as águas das terras secas, e viu que era bom. No quarto dia Ele criou os astros do Céu, e viu que era muito bom. No quinto dia, Ele criou os pássaros, peixes e viu que era muito bom. Aí, no sexto-dia, Ele criou os animais terrestres e o homem. Aí Deus disse que NÃO estava bom. Ele disse: "não é bom que o homem esteja só" e por isso criou Eva.
Daí que solidão é coisa que desgosta a Deus, não condiz com Seu caráter social e gregário. E daí que buscar companhia, uma companhia para ser perene e harmônica, é garantir uma parte do ideal divino para o ser humano. Por isso é que há benesses inclusive de saúde. Eu, que experimento o negócio há seis anos, não me surpreendo com as conclusões da Istoé e não consigo achar muita graça nas piadinhas que pintam casamento como uma coisa tenebrosa.
E... no sétimo dia Deus descansou e pediu para eu descansar também, como eu vou fazer daqui a pouco. Uhu!
Posted by marcol at 2:08 PM | Comments (9)
agosto 22, 2006
Silêncio é violência
Quando chegou perto do portão de sua casa estranhou a Variant que passava lentamente na direção oposta. Hesitou. Dentro do carro um homem o olhava acintosamente. Acelerou, passou adiante, uma leve palpitação no peito. A rua fazia uma curva logo à frente, ele fez a volta na primeira esquina e resolveu tentar de novo. Quase em frente ao seu portão, a Variant vindo e o homem encarando, outra vez. Sentiu o rosto queimar. Era uma da manhã, a rua vazia. Só uma Variant e um homem passando lentamente e olhando para ele e dando meia-volta na esquina e tornando a encará-lo. Mordiscou o lábio inferior angustiado. Resolveu dar a volta no quarteirão mas cruzou com a Variant de novo e o homem agora o olhava de forma hostil. Passou pelo seu portão e olhou pelo retrovisor. A Variant deu uma súbita guinada e ia fazendo a volta para ir atrás dele.
Arrancou pela última vez, ignorou lombadas, buracos e faróis fechados e sumiu. Aboletou-se num hotel da Marginal, deitou sem paz e custou a dormir.
Meses mais tarde descobriu que a associação de amigos do bairro havia feito uma vaquinha para contratar um segurança que circulava na madrugada em sua Variant. Sorriu nervoso, mas o estrago já estava feito.
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Modesta participação à blogagem coletiva capitaneada por Laura. O tema é violência e muita gente graúda está participando inserindo hoje posts sobre o tema com o mote SILÊNCIO = VIOLÊNCIA.
Posted by marcol at 4:17 PM | Comments (3)
agosto 21, 2006

Posted by marcol at 6:13 PM | Comments (2)
agosto 15, 2006
Impressionismo deslocado
Há 13 anos, mais ou menos nessa época do ano, eu estava em um ônibus, com uma máquina fotográfica já no ocaso de seus dias, olhando pela janela. Lá fora, uma vista linda de Florianópolis, minha então melancólica namorada tardando a entrar no ônibus e gotas de chuva começando a cair. Tirei uma foto - o ônibus já em movimento - que depois se revelou linda. Foi a primeira foto impressionista que eu vi. Borrada mas com alma.
Lembrei disso ontem. Estava indo para Maringá e tentando recuperar o sono da noite mal dormida. Acordei com o comandante noticiando a aterrissagem e olhei meio sonolento pela janela, mas só vi campos cultivados cru e verdes num lindo mar de morros até perder de vista. Me senti aterrissando num Van Gogh, uma sensação que seria surreal não fosse, na verdade, impressionista. Puro impressionismo, se bem que Van Gogh não possa ser classificado como tal, a rigor.
Poucas horas depois eu já levantava vôo sobre os mesmos belos campos e a sensação recuperada, a lembrança daquela foto antiga e das coisas felizes anexas (poucas, na verdade, associadas diretamente à minha modelo), tudo aquilo num mesmo caldo me colocou muito feliz. E, feliz, continuei recuperando sonos perdidos.
Posted by marcol at 7:06 PM | Comments (4)
agosto 10, 2006
Allways look on the bright side of life
Que bom que eu não consegui ingresso.
Posted by marcol at 1:12 PM | Comments (4)
agosto 9, 2006
Parabéns para nós
Graças ao MovableType, a ferramenta de postagem utilizada aqui no condomínio Verbeat, descobri que este é o post número 500 de É por aqui que vai pra lá?. É uma conquista fantástica. Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade.
Isso quer dizer que. Bom, não quer dizer nada, mas isso não diminui importância colossal do fato.
E já andam dizendo por aí que o blog tem 500 posts, mas só aparenta ter 450. Muita gentileza sua, queridos.
Isso me lembra que eu preciso comemorar marcas expressivas com fotos de biscoitudas.
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Para o jogo desta noite vale a observação feita na semana retrasada em relação ao Chivas: o Inter me mete medo. Mas não existe melhor sensação que a de medo tornada em júbilo.
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Assisti esses dias a Liga Extraordinária. A única chance de alguém haver-se divertido com isso é conhecer as dúzias de referências ao universo fim de século XIX. O inventivo Allan Moore, autor de Batman - A piada mortal, e Watchmen (que já foi objeto de comentário por aqui) assina esse roteiro que não deixa de ser criativo. Junta num mesmo grupo Allan Quatermain, Dr. Hyde, Capitão Nemo, Dorian Grey e figuras que eu nunca vi, como um homem invisível chamado Skipper, uma vampira (aparentemente uma ex-ajudante de Van Helsing) e um atirador norte-americano chamado Sawyer (Tom Sawyer?).
Dorian Grey, do fabuloso "O retrato de Dorian Grey", de Oscar Wilde, aqui é feito vilão e tem poderes que vão além de simplesmente não envelhecer. Ele se junta a um certo Sr. M., que ao final é desmascarado como o vilão número 1 das histórias de Sherlock Holmes, James Moriarty.
Dr. Jekkyl, por sua vez, é capturado em Paris. Quattermain (Sean Connery) explica que "ele tem barbarizado a Rua Morgue", uma referência aos Crimes da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, conto tido como um dos embriões da literatura policial, só que no original o verdadeiro personagem por trás dos tais crimes era um gorila.
Essa eu peguei, mas outras oitocentas referências devem ter passado batido. Bem, apesar de não ser um bom filme, só pelo inusitado da premissa inicial e por essas poucas sacadas capturadas, a coisa não foi de todo descartável.
Posted by marcol at 4:03 PM | Comments (3)
agosto 7, 2006
Lebanon
No úlimo post confessei uma simpatia pelo Líbano no recente imbróglio médio-oriental. A recepção do texto abaixo chancelou e sacramentou meu sentimento. Evidentemente, as coisas andam dum jeito tal que confessá-lo é pedir pra ser chamado de anti-semita e apedrejado até a morte. Vá lá.
Vejam essa carta, do economista e sociólogo português Boaventura De Sousa Santos(*) a um amigo cientista judeu israelense, que o convidou para participar de uma atividade na Universidade de Telavive. Boaventura recusou e explica:
CARTA A FRANK
Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas - como te costumas classificar para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel são árabes - mais progressistas que conheço.
Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramalah.
Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo direito que defendo para o povo palestiniano. "Esqueço" com alguma má consciência que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado palestiniano (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico. "Esqueço" também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700.000 palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.
Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de facto, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade), retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os check points e, finalmente, a construção do Muro de Sharon a partir de 2002 desenhado para roubar mais território aos palestinianos, os privar do acesso à água e, de facto, os meter num vasto campo de concentração). As dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido. A invasão e destruição do Líbano em 1982 ocorreu no momento em que Arafat dava sinais
de querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas e da Fatah terem acordado em propor negociações. Tal como então, foram forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de palestinianos raptados por Israel (incluindo ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no passado se negociou a troca de
prisioneiros?
Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer dois Estados. Quer a destruição do povo palestiniano ou, o que é o mesmo, quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados, vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem vigiados.
Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis. Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irão. E depois, fatalmente, virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel. Por agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado, apoiado por um imenso lobby comunicacional - que sufocantemente domina os jornais do meu país - com a bênção dos neoconservadores de Washington e a vergonhosa passividade a União Europeia.
Sei que partilhas muito do que penso e espero que compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta passa pelo boicote ao teu país. Não é uma decisão fácil. Mas crê-me que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os seus passos e embargar-me a voz.
Coluna Visão - 27 de Julho de 2006
* Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison. É igualmente Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade.
Posted by marcol at 9:25 AM | Comments (1)
agosto 3, 2006
O senhor da guerra não gosta de crianças
Descobri há pouco tempo que tenho ascendência dinamarquesa. Assim, corre em minhas veias algo de português, algo de dinamarquês e - a única certeza que eu tinha desde sempre - algo de libanês.
Meu bisavô veio de lá fugido da guerra. Segundo meu avô, que não sei por qual razão específica trocou o sobrenome das filhas de Mauad para Brasil - possivelmente havia alguma discriminação aos "turcos" por aqui, entonces - seu pai lhe contava de um paraíso chamado Líbano, cheio de prados verdes, colinas cobertas de trigo e cevada, regatos plácidos. Faz sentido. A Bíblia mostra em vários momentos que os cedros do Líbano eram valiosíssimos, foi com essa madeira que Salomão construiu boa parte de seu famoso templo. Reza a tradição oral, aliás, que o Jardim do Eden ficaria ali.
Há um mês atrás o Líbano estava longe de ser um paraíso, mas estava andando bem. Estradas novas, cidades bem apanhadas.
Mas o ódio do homem não gosta de paraísos, nem da mera memória de paraísos. Hoje de manhã vi uma matéria no jornal sobre refugiados fugindo da zona mais bombardeada. Vi duas garotas pegando carona para qualquer lugar, só com a roupa do corpo e uma bolsinha na mão. Mais que os velhinhos desabrigados e as mães desesperadas, essas duas moças me comoveram. Elas se pareciam muito com minha mãe, conforme as fotos dela de quando jovem. E é triste também precisar me reconhecer na face dos sofridos para odiar o fruto do ódio, para odiar a guerra.
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Eu ontem tive um presságio. Manja, presságio? Pois é. Estava tentando um caminho diferente para chegar no metrô. Esse caminho tem uma ladeira um tanto íngreme, não chega a 90º, mas só uns 85. Estava garoando, um frio desgraçado. No finalzinho da ladeira, escorreguei no barro que havia sobre a calçada. Num átimo de segundo me vi esborrachado no barro, todo lascado, tendo que subir a ladeira de volta, ou melhor, escalar a bichinha pra trocar de roupa, cortes, escoriações múltiplas e quejandos. Mas numa demonstração fenomenal de reflexo, agilidade e exatidão de movimentos, consegui me agarrar na mureta ao lado e evitei o desastre.
Mais tarde, naquela noite, num átimo de segundo vi a bola na rede, Rogerio Ceni batido e uma noite de pesadelo, mas numa demonstração fenomenal de reflexo, agilidade e exatidão de movimentos, o melhor goleiro do Brasil pegou aquele pênalti.
A explosão do Morumbi lotado foi uma coisa sublime. Como explodiu de novo nos três gols pró que se seguiram. Eu estava no pior lugar do estádio, na geral atrás do gol, mas não queria estar em outro canto, não.
Sorry, colegas, estamos em mais uma final de Libertadores da América.

Posted by marcol at 11:30 AM | Comments (6)
agosto 2, 2006
Deu na Época
Blogueiro que não leu a Época dessa semana é esquisito. Muito esquisito. A matéria é boa, embora não entre no vespeiro da liberdade de expressão, coisa que nós, manos da Verbeat, temos como bandeira. A matéria é boa, sim, lista vários nomes de cá e de fora que se destacam na blogosfera, tem um conteúdo histórico muito bom. Só não entendo porque dar tanto espaço para o Edney Interney, o cara é tratado como celebridade. Maior que ele só o Tabet, do Kibe Loco, mas esse com razão, é possivelmente o blogueiro mais acessado do país, salvo engano, ganhador de mil e um iBests, dono de uma regularidade invejável em suas gags visuais, embora elas muitas vezes descambem pra vulgaridade. Mas o melhor mesmo foi ver uma foto enorme do Inagaki vestido de camisa de força e, no texto, muitos merecidos elogios aos seus posts.
A maior virtude, contudo, é reconhecer no fenômeno dos blogs o sintoma de uma revolução na forma de circulação de informação e opinião. Uhu.
Posted by marcol at 12:52 PM | Comments (4)
agosto 1, 2006
É por essas, mas especialmente por outras, que lembrei desse post aqui:
Então, no Salloon de Jack Cabeça de Jabuti
Jimmy Mãos de Borboleta tocava sorridente "Mary wanna marry" quando Juanito Manos Leves adentrou o saloon, foi até o balcão e pediu um Fogo Paulista. Foi servido de leite com Quick sabor morango e fez um muxoxo de decepção, como sempre.
Dessa vez, contudo, os olhares de todos os circunstantes estavam sobre ele. Percebendo a sensação que ele causava, deu uma talagada no Quick e, com um buço cor-de-rosa, virou-se lentamente para que todos admirassem melhor. Estava com uma camiseta amarela, com uma enorme estampa de uma baleia saltando de um rio, e os dizeres "Salvem as baleias do pantanal". A impressão foi tão forte que Jimmy Mãos de Borboleta chegou a escorregar na modulação da canção.
No dia seguinte, Paco, o Cucaracha chegou mais tarde que o costume, calculando o momento em que já todos estariam no saloon. Trazia sobre a camisa xadrez uma camiseta roxa estampada com uma foto de sua mãe, a dócil Conchita "Metralha" Cucaracha, no leito de dor, e embaixo, em garrafais letras amarelas, os dizeres: "Lute contra o câncer da mamma". Paco tirou uma inexistente sujeirinha de sobre a estampa, esticou a camiseta, sorriu deliciado e esbofeteou as portas do saloon, entrando com estrépito.
Qual não foi sua decepção ao notar que já todos os compañeros trajavam camisetas quetais. Jimmy Mãos de Borboleta trazia sobre a camisa engomada uma camiseta preta com a foto de um moleque de olhos esbugalhados e a boca muito aberta, sob um lettering que dizia: "Ampare as criancinhas com asma". Mais adiante, o xerife Bill "Murros" Wilkinson, sob o colete de couro aberto, ostentava uma camiseta azul berrante com a estampa de um enorme cágado sonolento, e os dizeres: "Estenda sua mão para os Cágados com Dislalia". Por fim, a bela Rosa, a Rumorosa, sobre o vestido trazia uma camiseta pink com a estampa de um esquilo com agulhas espetadas no rosto e o recado: "Testes de maquiagem em esquilos da Prússia: diga não".
Paco, o cucaracha, ficou aborrecido e foi sentar em sua mesa costumeira, passando a afiar um ancinho enorme com fúria, enquanto Jimmy Mãos de Borboleta, achando tudo muito engraçado, engrenou em "Old Old Alabama, please never leave me alone" .
Posted by marcol at 4:40 PM | Comments (0)