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julho 12, 2006

Os Guardiões

Em meados dos 90 a rede Cultura adquiriu uma série de mini-séries bacanas européias, várias delas alemães. Uma dessas se chamava Os guardiões. Era uma história de ficção científica ao gosto orwelliano que apresentava a sociedade vivendo numa enorme cidade-estado chamada Konurba.

Não lembro bem dos detalhes, mas Konurba era movida a mentira. As crianças assistiam a vídeos descrevendo a vida antes da implantação de Konurba de forma grotesca. Um documentário, por exemplo, mostrava as pessoas comendo coelho, aí aparece um coelho sendo aberto e de dentro saindo uma gosma verde nojenta e a conclusão óbvia é: veja só como a vida era grotesca antes de nossos líderes tomarem o poder. Nada é natural na cidade, a comida é sintética, existem caixas de som sobre as árvores de plástico soltando sons de passarinhos que não existem mais. As crianças são, acima de tudo, advertidas a jamais chegarem perto da cerca eletrificada que delimita a cidade, porque a vida fora de Konurba é impossível, alguém poderia ficar doente só de chegar perto dessa fronteira.

O protagonista é um garoto de uns dezesseis anos que começa a ficar incomodado com a verdade que lhe é imposta e decide transgredir as regras. Ele percebe que a cerca não é eletrificada coisa nenhuma, pula ela e se vê extasiado em meio a um mundo natural lindo e pujante. Uma bela cena é quando ele toma um banho em um lago como se estivesse desbravando um mundo fantástico. Mais incrível é que há vida lá fora e a vida lá fora é, à primeira vista, o perfeito oposto da vida em Konurba. Pessoas vivendo ao estilo do século XIX, numa vida campesina simples, com disputas de arco-e-flecha, de equitação e outras coisas prosaicas.

O rapaz vive então feliz e contente, é bem recebido numa família que tem um garoto da idade dele e ele é escolhido para ser um dos "guardiões", um grupo que se comunica por rádio e que é incumbido de manter a ordem do local. Ele acha aquilo tudo muito bom e vai tudo muito bem até ele notar que a maior parte dos homens maduros são praticamente vegetais. Eles vivem ou cuidando de flores ou de outros hobbies inofensivos e são incapazes de encetar um diálogo com qualquer pessoa. Ele descobre, então, que toda pessoa que em algum momento discute ou contesta o status quo é lobotomizado e se torna um pária.

O final é surpreendente, à moda européia: o protagonista volta para Konurba. Mentira por mentira, viveria naquela em que ele nasceu.

Bem, de certa forma é assim que me sinto planejando meu voto em Geraldo Alckmin nas próximas eleições.

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Acabo de ler a entrevista dada por Ronaldo ao chegar ao Brasil. Em suma, disse que ninguém pode ser culpado pelo fracasso da seleção, que deveríamos fazer como argentinos e franceses que receberam suas seleções perdedoras como heróis, que jogou com Materazzi e ele nunca ofendeu ninguém em campo e que esse negócio de raça e vontade é relativo. Ah, disse também que todo mundo da seleção deu o seu máximo pelo time.

Acho que eu vou me limitar a ler a previsão do tempo nos jornais. Quando atletas aprendem a arte do cinismo escancarado que a classe política pratica sem pejos há eras, o jeito é ficar surdo. Cruiz!

Posted by marcol at julho 12, 2006 10:32 AM

Comments

Olá!tudo bem? não se se lembra de mim, sou amiga da Lux tb! Resolvi ressussitar meu blog, mas agora com a ajuda de um amigo pq não posso postar todos os dias!
Passa lá e comente!!!!!!
abraços
Karen Espíndola

Posted by: Karen at julho 19, 2006 9:05 PM

"Bem, de certa forma é assim que me sinto planejando meu voto em Geraldo Alckmin nas próximas eleições."
ahHAHHahahHAHahhahaHAHha

Posted by: ratapulgo at julho 17, 2006 6:34 AM

Ronaldo já tinha demonstrado ser um bom político em outras ocasiões, como a reclamação pela "falta de carinho", a mudança de nome, o episódio com a pergunta de Lula... :)

[]´s

Posted by: Baiano at julho 13, 2006 10:50 AM

Que é isso, velho. Existem mentiras e mentiras. Meios e propósitos, comportamentos e ideologias.
Antes a mentira dos meios e comportamentos. Votar em PSDB, é escolher a mentira dos propósitos e ideologias.
(E, nessa visão, a comparação com a série perde a validade.)

[]´s

Posted by: Baiano at julho 13, 2006 10:49 AM

Tá, mas o comercial que a o patrocinador da argentina fez pra eles tá fera, isso tá.

Posted by: Victor Ribeiro at julho 12, 2006 1:07 PM

Orwelliano era o vice-presidente no governo do Figueiredo.

Posted by: Nelson Moraes at julho 12, 2006 12:16 PM

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