julho 31, 2006
Mancadas da bancada
O escândalo dos sangue-sugas tem um ingrediente apimentador: atinge em cheio a bancada evangélica. Segundo informa a investigação conduzida pela PF (prato feito não, Polícia Federal), o esquema de desvio de superfauramento de ambulâncias com desvio de verbas para parlamentares, funcionários públicos e empresários teria sido gestado no gabinete do deputado Lino Rossi, eleito com as graças da igreja batista. Dentre os apontados como participantes, nada menos que 14 dos 16 deputados ligados à igreja universal. Além deles, deputados e senadores ligados com as igrejas Quadrangular e Internacional da Graça.
Um vexame sem precedentes, é claro.
Como evangélico, natural que a maior parte das pessoas que eu conheço também o são. Destas, digamos que umas 50 tenham capacidade, estudo e condições pessoais de serem homens públicos com excelentes resultados para a sociedade. São advogados, médicos, dentistas, engenheiros, economistas, administradores, empresários e também pastores. Digamos que dentre estes 50, uns 5 até tivessem algum pendor pra coisa e vontade de seguir uma carreira dessas. Agora, pergunto-me quantos desses usuariam como bordão de campanha coisas como "um homem de fé para o Brasil" ou coisas do gênero, tentando atrair a simpatia das pessoas de mesma fé. Nenhum.
Afirmar sua condição de amigo de Deus para atrair votos a uma atuação secular me parece um tanto temerário. Os resultados estão aí e não me desmentem,. Pessoas dispostas a mover a máquina espiritual de uma igreja em benefício de coisas temporais como a ocupação de cargos públicos demonstram de cara uma predisposição para distorcer valores e aproveitar-se com isso.
Conheço, pessoalmente ou não, bons homens públicos evangélicos, mas que tinham escrúpulos para não misturar as coisas ou para não arrogar-se virtudes de caráter pelo só fato de freqüentarem uma igreja. Eles podem até ser contados entre os da chamada "bancada evangélica", mas têm diferenças marcadas para com os nossos amigos sanguesugas.
Curioso e complexo o momento em que vivemos: os caras que apregoam santidade e combatem a imoralidade são flagrados com os bolsos abarrotados de dinheiro público. O partido que nasce, cresce e aparece pregando ética e probidade é fotografado distribuindo rios de dinheiro irregularmente, fazendo caixa 2 e achacando empresários que prestam serviços para prefeituras.
Do jeito que vai, o povo resolve votar em quem não fala nada de ética e retidão moral. Daí a votar em quem rouba mas faz vai um pulo.
Aos que atraem o opróbrio sobre instituições espirituais (se é que são espirituais) pela sua atuação visceralmente carnal, sua pena será dura, não tenho dúvidas. E, espero, que comece pela justiça dos homens.
Posted by marcol at julho 31, 2006 11:21 AM