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maio 29, 2006

Collor em 89, depois Maluf, Fernando Henrique Cardoso e todo candidato que já praticamente ganhou, à exceção do Lula da última eleição, todo mundo evitou participar de debates. Pra que dar a cara a tapa? Quem viveu a eleição de 89 sabe que Gulherme Afif Domingos estava andando às mil maravilhas e subindo igual foguete quando num debate o Mario Covas o botou contra a parede e sua ascensão virou derrocada. Toda cautela é pouco.

Quem já ganhou, agora, é a Seleção Brasileira. Dada como favorita em todas as enquetes ao longo do globo, não pode se dar ao luxo de atrair uruca jogando com times que poderiam em tese ganhar dela antes de começar a Copa. Por isso é que joga com time júnior do Fluminense e F.C. Lucerna.

É chato? É. Seria melhor ver a seleção enfiando uma goleada em alguma República Tcheca da vida? Seria. Mas se eu estivesse no lugar dos home não seria home de fazer diferente. Toda cautela é pouco.

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Assisti a Plano de Vôo. Boa diversão. Estou lendo Sons and Lovers, de D.H. Lawrence. Excelente diversão. Estou ouvindo Jorge Drexler, a última coisa da Maria Betânia e Third Day. Sublime diversão.

Posted by marcol at 1:52 PM | Comments (4)

maio 24, 2006

copa_ME.jpg

Recomendo. Não apenas porque o habilidosíssimo Tiago Jokura mete os dedos também, mas porque é uma leitura muito aprazível pra todo mundo que não está enfastiado de Copa do Mundo e nem corre o risco de estar. Mantendo a linha da Mundo Estranho - cheia de curiosidades como "qual jogador fez um gol descalço? que jogador fez gol usando óculos? Quando uma partida foi interrompida por causa de invasão de cães? Por que a Índia se recusou a ir a uma Copa do Mundo? " e coisas afins - mas com um apuro estético e editorial dignos de aplausos. Vale quanto custa, mesmo custado quase 15 reaus.

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A onda Youtube anda forte. Não conhece? Corra e veja vídeos incríveis do que você imaginar. Sugiro este aqui para começar.

Posted by marcol at 6:40 PM | Comments (2)

maio 22, 2006

Enfastiamento

O problema de coisas muito, muito bacanas como Copa do Mundo, é que o excesso de curiosidade e a avidez por informação acabam dando em manchetes como esta: "Ronaldinho acena do hotel". Estava lá, no painel eletrônico dos elevadores aqui do prédio, como uma das últimas notícias. Uau, agora vai! Ele acenou! Peraí. Mas ele acenou com que mão? Se for esquerda pode dar azar. Aliás, vou fazer questão de não assistir a nenhum noticiário esta noite, porque certamente vão perder preciosos segundos dizendo se o Parreira pisou o solo europeu com o pé direito ou com o esquerdo.

Não, não. Prefiro ver as manchetes realmente importantes lá no Kibeloco. Como estas aqui.


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E para agravar o quadro de excesso de parlatório sobre o tema, eis que a sua, a minha, a nossa Verbeat prepara um lançamento genial, fantástico, balacobáquico e mais todos os adjetivos poptchuras que possam existir ou não. Você não pode deixar de perder. Aguarde.

Posted by marcol at 5:30 PM | Comments (5)

maio 17, 2006

Da série Fábulas Consagradas - A vaquinha Edinancy (2006 version)

funnycow.jpg

Edinancy era uma vaquinha muito ansiosa e intranqüila. Seu maior sonho era conseguir comer a grama do pasto vizinho, ao qual ela não tinha acesso por conta de uma malvada cerca. Ela não tirava aquilo da cabeça, ficava ruminando aquela idéia louca. Todas as vaquinhas a julgavam louca, porque a grama do lado de lá haveria de ter o mesmíssimo sabor da grama do lado de cá, mas nada a demovia da idéia de que cá, a grama não verdejava como lá, eis que lá cantava o sabiá. Mas cantava não sobre palmeiras, não só porque os sabiás de palmeiras não cantam, mas porque não havia palmeiras, que haviam sido todas arrancadas e estavam a caminno da segunda divisão da fazenda (quem tiver ouvidos para ouvir, ouça).

Um belo dia (e não é força de expressão, o dia estava belo mesmo), pararam a picape do lado da cerca e os baços olhos de Edinancy brilharam. Numa velocidade vertiginosa, alucinante, ela percorreu os seis metros que a separavam da picape em trinta minutos, e pôs-se a subir a rampa que havia sido deixada parece que de propósito ali na caçamba da picape. Viu-se, pois, em cima da caçamba. Trepou na cerca e com muita agilidade jogou-se para o lado de lado. Aí caiu e quebrou o pescoço e foi enterrada pelo fazendeiro do lado de lá que achou que era uma das suas.

A ironia foi que ela não comeu a grama do lado de lá, foi a grama do lado de lá que a comeu.

Moral da história (pois toda fábula tem que ter moral): Cuidado com o que parece que é e não é, porque sendo, aquilo pode deixar de ser o que nunca foi.

Posted by marcol at 8:54 AM | Comments (3)

maio 15, 2006

Infierno

Dirigindo em meio ao caos, tínhamos atualizações dele em tempo real pelo rádio. Ônibus em chamas, linhas de trem e de ônibus cortadas, bancos fuzilados, um trânsito excessivamente nervoso.

Minha esposa perguntava por que razão a bandidagem descontava em cima de inocentes. Para tentar explicar como entendo, usei uma metáfora do Lost, já que estamos todos viciados. Os autores desses crimes todos encaram o resto do mundo como "os outros". São pessoas estranhas, de estilo de vida estranho, motivações estranhas e pode-se jogar em cima delas a culpa por tudo que lhes aflige. São alienígenas. Matar gente assim não é errado.

Para ilustrar a ilustração, contei a ela a história que ouvi de um taxista no Rio: ele foi levar um paciente do hospital até sua casa, na favela. Ao chegar, seu carro foi cercado por pessoas com submetralhadoras e outros brinquedos mortíferos, vociferando com ódio, os olhos injetados. A muito custo ele entendeu que a causa da fúria, suficiente até mesmo para decretar sua sentença de morte, era o fato de estar vestindo uma camisa vermelha, cor da facção rival e proscrita por isso. Ele teria morrido ali mesmo não fosse a intervenção do seu passageiro, que se colocou na frente dele e implorou pela vida dele, tentando explicar aos "Lost" que aquele "outro" não fazia idéia dessa guerra entre gangues.

É uma outra realidade. É um outro mundo.

E além disso tudo, tem a política. Ou alguém duvida que há uma orquestração superior desses incêndios concomitantes sobre o stablishment? Esse povo tem sangue nas mãos.

Posted by marcol at 11:40 AM | Comments (7)

maio 8, 2006

Lombroso e a acessibilidade

Eu conversava com um colega de trabalho sobre achar pessoas famosas em aeroportos e ele me contou duas ou três oportunidades em que não só viu celebridades, mas bateu um papo com elas. O pior é que em todas quem puxou o papo foram elas. Como o cara não é cascateiro, acreditei.

Ele viaja muito menos que eu e fiquei tentando lembrar alguma vez que alguém tenha puxado papo comigo num avião ou numa sala de embarque da vida. Aí fiz um esforço desgraçado pra lembrar de alguma vez em que alguém tenha puxado papo comigo num ônibus, já que passei boa parte da minha modesta existência dentro do ônibus no fliuidio trânsito paulistano. Aí sim, consegui lembrar duma vez em que um cara não parava de falar; o detalhe era que ele era fanho e gago, suava em bicas e não era, definitivamente, um bom interlocutor.

Por que raios eu não tenho nenhuma experiência de troca de figurinhas com estranhos? Nem precisavam ser famosos, ó pá.

Minha teoria é meio Lombrosiana. Pra quem não sabe, Lombroso foi um criminalista que desenvolveu uma teoria até popular e com ares de cientifica no século XIX, a partir da qual os criminosos têm traços comuns de fisionomia. Assim, homicidas teriam a testa assim e assado, os dedos da mão daquele jeito, etc e tal.

Pois bem, o meu colega é baixinho, meio arredonda e de sorriso fácil. Talvez sua fisionomia encoraje contatos imediatos, inspire confiança, sei lá. A minha teria o efeito contrário. E como eu sou péssimo para puxar papo com estranhos, o jeito é gostar de ler. Ainda bem que é o caso.

A propósito, já contei aqui da onde saiu o títullo deste blog. Tenho um amigo que tem o dom supremo do contato com estranhos e ele sabe que é profunda, larga e perdidamente invejado. Uma de suas técnicas era aproximar-se de garotas que esperam para atravessar a rua e perguntar "é por aqui que vai pra lá?" Nunca vi um caso em que um sorriso não se abrisse e o cara não começasse a falar com ela como se fossem amigos de infância.

Freudianamente me pergunto se a escolha do título do blog não seja uma tentativa de fazer o mesmo com vocês todos. Se não vai no mundo real, que vá na virtualidade.

E aí eu torço pro blog ser baixinho, rechonchudo e de riso fácil.

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Depois de uma semana perfeita futebolisticamente falando, achei que o final-de-semana pudesse me trazer alguma compensação. Felicidade demais é suspeita, sacumé.

Qual o quê. Ser torcedor do único time paulista genuinamente feliz no momento merece brinde com suco de cajá.

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E o final-de-semana teve maratona Lost. Cruz credo, que é aquilo?

Será que os roteiristas tupiniquins não ficam intimidados com tamanha disparidade de resultados??

Posted by marcol at 9:18 AM | Comments (8)

maio 4, 2006

Dica do dia: www.pandora.com

Você tasca o nome de um artista. O site se encarrega de acessar um tal de Musical Genome, identificar as características básicas desse artista e então ir te apresentando artistas com estilo semelhante.

A coisa dá certo mesmo e é muito bacana. Botei para testar a banda Third Day e o programa identificou algo como: banda com utilização de guitarras, vocais harmônicos, solo vocal masculino predominante, teclados, forte carga emotiva. Ouvi uma música linda do último CD do Third Day e então comecei a ser apresentado a ilustres desconhecidos com estilo realmente muito semelhante ao do Third Day. Algumas pérolas foram anotadas para aquisição oportuna.

Você cria um login e assim pode ouvir as estações já escolhidas quando quiser. O legal é que você pode conversar com o programa, perguntando por que aquela música foi inserida, etc. Logicamente, se alguma não agradar você pode pedir para tirá-la da estação e aí o programa aprende e não coloca mais nada parecido. Excelente!

Altamente recomendado.

Posted by marcol at 6:18 PM | Comments (3)

maio 3, 2006

Ê laiá

As crianças pediram, então resolvi abreviar minhas merecidas férias. Era para ser um ano sabático, só torrando meus dólares nas Bahamas Indianas, tomando água de cacto e lendo Caras pela internet. Mas o que eu não faço pelas crianças?

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Fim de semana em Buenos Aires com a patroa, comemorando aniversário de casamento. Comemorando, sobretudo, ter conseguido converter as milhas da Varig em duas passagens de ida e volta antes da moratória (vamos torcer para que ela não venha, todos irmanados e fazendo mmmmmmm em ré menor).

Descobri que Buenos Aires é a terra dos mullets. Como é que se escreve mullets, por falar nisso? Enfim, aquele prolongamento capilar indevido que desce pela nuca dos hombres. As mulheres, invejosas, inventaram um penteado repicando o cabelo inteiro, deixando curto em volta do cocoruto, uma coisa realmente sublime.

Aliás, quem foi que me deu a idéia de levar a Tatiana pra lá? Eu já desconfiava, mas pude conferir in loco: na Argentina só tem mulher feia. E o pior: homem bonito. É o inferno astral. Entendeu? Astral, hahaha. Enfim. Ela fez o maior sucesso, os muchachos secaram-na impiedosamente e eu só não tirei satisfação porque não sei dizer em español: cualé, truta, qué amanhecê coa boca cheia de furmiga? Num breve instante que a deixei sozinha na Calle Florida pararam dois manés perto dela e disseram, com acento Victor Valentin: linda! Sabe, aquele "linda" com prolongamento na última sílaba, onde a voz fica meio rouca e o olhar adquire um brilho meio Al Pacino.

Mas sobrevivemos e o nosso amor também e fomos al Caminito, e a la plaza de mayo, e passeamos de barco no Tigre, e encontramos o futuro presidente, digo, candidato a, Roberto Freire em plena Ricoleta, ali, pertinho do túmulo da Evita. E torramos o dinheiro das bahamas indianas em alfajores e em umas peças de roupa, aproveitando que nosso dinheiro lá é coisa de gente grande. Ou pelo menos de gente com estatura acima da média.

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O resto do tempo passei escrevendo uma monografia de conclusão de curso que vai abalar as estruturas da inteligentsia tupiniquim e está fadada a entrar nos anais das grandes obras do intelecto humano. Ou não, diria Caetano. E tomei uma overdose de meu filho, do que agora tenho crises de abstinência e que aprofunda minha depressão pós-férias.

Vida longa e próspera a todos.

Posted by marcol at 8:09 AM | Comments (7)