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março 29, 2006
Faltam uns 2880 minutos pra eu estar de férias. Vão ser umas férias trabalhosas, cheias de coisas atrasadas pra tirar da frente e uma monografia pra começar e, se possível, terminar. Mas vou fugir ca patroa no final de semana do aniversário de casório pra mor de a gente viver uma lua-de-mel com direito a clichês e lugares comuns à mancheia, em Buenos Aires, e viva as milhas acumuladas.
Que beleza, já faltam só uns 2876 minutos, agora. Nham.
Posted by marcol at 5:59 PM | Comments (7)
março 21, 2006
Quando mudei de casa e descobri que na piscina do condomínio havia libélulas confesso que não achei estranho. Foi só depois, quando as evidências se amontoaram, que pressenti um mistério à la Lost. Libélula até então era um bicho que se conhecia mais de ouvir falar. Contato visual mesmo só lá em Ubatuba, aonde alguns desses insetos então nominados de "lava-bundas" cirandavam os riachos que davam no mar. Mas aí veio a piscina do condomínio. E então a minha cunhada aparece com uma almofada de presente para nossa sala de casa nova e no tecido uma enorme libélula bordada.
Comecei a ficar cabreiro.
Ando eu pela rua distraído como sempre e uma libélula azul bordada contra um fundo branco de bolsa feminina samba na minha frente. Impossível não notar. Bem na minha frente.
Por fim, vou eu ao clube de campo que freqüentei na infância, um lugar meio místico por força das reminiscências ainda pulsantes mesmo na decadência reinante. E o quê? Libélulas. Ali nunca houve libélulas.
O significado disso tudo me escapa, mas já notei o sinal. É tudo uma questão de tempo. Até lá, a atitude mais coerente é evitar comer qualquer coisa com pequí, por razões óbvias.
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Óia o que li hoje de manhã:
"A experiência mostra que só é possível arrepender-se de alguma coisa quando se pode entrever a possibilidade de fazer melhor. Fica amarrado a seus erros aquele que não os reconhece como tais, pois não entrevê nada melhor diante de si, perguntando-se então por que deveria deixar o que já tem."
Extraído do diálogo mantido durante mais ou menos um ano através da revista italiana liberal por Umberto Eco e o cardeal Claudio Maria Martini, publicados depois sob o título "No que crêem os que não crêem", editora Record. O extrato acima é da lavra do cardeal.
Posted by marcol at 11:01 AM | Comments (12)
março 17, 2006
Rápidas sexta-feirianas
Em Caxias do Sul-RS, todos os táxis são, por força de decreto municipal, equipados com uma cabine, que isola o motorista dos passageiros. Imagine então um Uno (o carro mais usado como táxi no Rio Grande do Sul, pelo que tenho notado), com um biombo em L acarpetado com uma janelinha em cima. Medonho. E esquenta pra burro, me disseram os motoristas. A razão? Muito assassinato de taxistas. A idéia era diminuir esse número. Pois sim, pois sim, assassinato de taxistas em Caxias do Sul.
Que tempos estranhos estes que vivemos.
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No hotel, esperando dar a hora de ir pro aeroporto, sapeei um pouco numa reexibição de um David Letterman. O cara é muito engraçado. O programa era da véspera da premiação do Grammy, então o que ele fez? Chamou um Nobel em Economia para recitar as letras das músicas concorrentes na premiação. Ver aquele tiozinho todo sério lendo as letras dos Raps e Popzinhos descartáveis foi responsável por muita endorfina no meu sangue.
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"Assim que assumiu a presidência do PSDB, Tasso Jereissati anunciou que contrataria uma auditoria externa para fiscalizar as contas do partido. Desde então, dez das maiores empresas de auditoria do país foram contatadas para o serviço pelo secretário-geral do partido, Eduardo Paes. Todas, com muita educação e jeitinho, tiraram o corpo fora. Partido político virou cliente indesejado" (de Lauro Jardim, na útlima edição de Veja).
Em outras palavras: auditar um negócio que certamente se mete em maracutaias é suicídio para as empresas do ramo. Abalaria sua imagem. E o tal negócio é responsável por dar as diretrizes ao país, é o que se diz representante da opinião do povo. Que tempos estranhos esses em que vivemos!
Posted by marcol at 9:19 AM | Comments (3)
março 14, 2006
Pequena tragédia de três faces
I.
Ofélia não prega os olhos. Eles estão bem abertos, vasculhando a escuridão do quarto do hospital, atenta ao mínimo ruído do marido no leito. E os ruídos são muitos e cada gemido é um sobressalto. E ela recorda do tom de voz sussurrado do médico explicando que a dor do paciente é incalculável, que cada vez que ele respira é como se sua traquéia pegasse fogo. Recorda a expressão de seu rosto quando foi despido pelos técnicos de enfermagem pela primeira vez. Dava para sentir sua humilhação, seu senso de dignidade partida. E aquele mendigo lá fora que não parava de gritar, Senhor, por que?
II.
Marlene passou a tarde chorando convulsivamente. Quando sua filha ligou da Itália ela dissimilou, fez que não havia acontecido nada. Lá pelas tantas criou coragem e introduziu na conversa o assunto que a oprimia tão avassaladoramente: o Paxá morreu. Que pena - foi a resposta do outro lado da linha - mas ele já tava tão velhinho, né? E mudou de assunto. Ela não entendia. O gato enterrado no quintal. A casa continuava quieta e impecavelmente limpa, tudo no seu lugar. Mas havia o vácuo da ausência de Paxá a fazer agora, definitiva e completamente, vazias as tardes de Marlene. As tardes e, de resto, sua vida. Ninguém entenderia e sua sina seria levar para sempre o fardo de mais essa derradeira incompreensão.
III.
O carro virou a esquina. Já dava pra ver a casa, avolumando-se até o momento hediondo em que não havia mais intervalo, o carro parado, ele teria que descer. Tentou forçar lágrimas nos olhos, quem sabe se chegasse chorando a mãe não aliviasse a pena? O pai foi andando atrás cruelmente alheio à sua angústia e em pensamentos ele ensaiava como contaria à mãe que levara uma observação da professora em seu caderno por não entregar a lição de casa. O ensaio, contudo, era interrompido a cada meio passo pela visualização antecipada do rosto sério da mãe, seu olhar de decepção e tristeza e aquilo era uma bomba no peito frágil de Lucas. O pai virou a chave na fechadura e ele tremeu ao ouvir os passos da mãe que se aproximava.
Posted by marcol at 2:01 PM | Comments (2)
março 9, 2006
É não é que o Oscar serve pra alguma coisa?
Se não fosse ele eu provavelmente nunca jamé teria visto Crash. Excelente filme. Pela multiplicidade de personagens talvez alguns tenham ficado um pouco rasos demais, caso do vivido pelo Brandon Fraser. Mas falar de intolerância no século da intolerância é muito oportuno.
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Sugiro uma caminhada pelas plácidas ruas de São Sebastião do Caí-RS. Me fez muito bem. Porque às vezes viajar é um saco e os quarenta minutos perambulando pela terra da bergamota salvaram três dias quase boçais.
Lembrei do vocalista de alguma dessas bandas de rock nacional que vi dando entrevista outro dia: "turnê é assim mesmo: vinte e duas horas de tédio total e duas horas de adrenalina". Só que no caso das minhas viagens, a adrenalina dura uns cinco minutos.
Posted by marcol at 5:45 PM | Comments (9)
março 6, 2006
Noite Lúgubre na Transilvânia IV
Entra um carrinho/maca por um alçapão no solo e o cadáver do Homem da Máscara de Ferro é levado embora. Ouve-se o burburinho dos murmúrios dos pacientes e o lápis do Senhor Magoo em atividade frenética sobre o seu caderno de notas.
- Droga, odeio perder pacientes. Já não basta o que aconteceu com aquele tal de Simbad, o marujo...
De repente abre-se a porta do armário e salta Simbad:
- Aha, então o senhor admite que desistiu de me procurar, hein? Ganhei, todos estão de prova!
Dorothy ri agudinho, Magoo pigarreia, exige que Simbad se assente e diz:
- Vamos continuar! Hã, por favor, Safiri, conte para o grupo seus problemas com a sexualidade...
Naquele momento uma mão enluvada desliga a força. A medida não tem impacto algum, porque a sala estava iluminada apenas por um candelabro. Mesmo assim, todos sentem medo. De repente uma vidraça se abre e o vento apaga as velas. Ouve-se uma pancada, um grito, um barulho de cortador de unhas, um farfalhar de saias e roupas e então Magoo consegue ligar a luz de novo, acendendo um espanador de pó crente que era o candelabro. Com a luz, percebe-se que todos os pacientes trocaram de lugar durante a escuridão. No centro da roda, o cadáver ensangüentado do capitão Nemo.
- Oh! todos gritam. Menos Dorothy, que grita Ah, não sei por que razão.
- Ninguém sai da sala, diz Poirot, confiando os bigodes.
- Quem terá feito isso? Quem teria motivos? pergunta um tanto histérico Raskolhnikov.
- Eu já sei quem foi, diz Poirot.
- Quem? Quem? Quem? perguntam todos. Quasímodo vai além: acaso fui eu, mestre?
- Devemos afirmar não apenas quem. Mas como e aonde também, diz Poirot, curtindo seus minutinhos de fama. E eu digo: foi o coronel Mostarda, na sala de estar, com a chave inglesa!
- Oh! É claro, faz todo o sentido! Mas aonde está ele?
De repente todos notam um vulto barrigudo atrás das cortinas e os sinistros pés imóveis abaixo dela. Aparecem dois leões de chácara e prendem o coronel Mostarda. Antes de levá-lo, contudo, Poirot tira-lhe a máscara e todos dizem oh de novo. Menos Dom Quixote, que diz ayayayay, não sei porque. O coronel Mostarda era, na verdade, um clone de seis cabeças de Elvis Presley. O clone fala:
- Eu teria conseguido não fossem esses garotos intrometidos!
(to be continued or algo do gênero)
Posted by marcol at 8:35 AM | Comments (4)