novembro 7, 2005
Timing
Inagaki san tem um texto muito do bom, onde explora a questão do timing, de como um reles instante pode fazer uma diferença brutal, por vezes até mesmo fatal.
Veja o caso do meu sogro, por exemplo. No domingo, casaria a última filha (é o penúltimo casamento do ano em que o meu guri faz as vezes de pajem - vide dois posts abaixo). Tudo ótimo, tudo bom. No sábado ele averigua o resultado duma rigorosa dieta e percebe com máxima satisfação que entra no melhor termo, aposentado há eras. À tarde, sai pra caminhar pra perder mais algumas gramas, se possível. Está animado e não consegue esconder a expectativa.
Aí vem o tal do momento. Dentro dele, um garoto sem habilitação, uma menina de joelhos no banco de passageiro conversando com outra no banco de trás, decerto alta velocidade e manobras perigosas e um impacto. O carro subiu na calçada e atingiu meu sogro causando duas fraturas expostas, esmigalhando seu cotovelo e seu joelho direitos e manchando o final de semana que era de festa e de festa só.
O casamento sem o pai parecia um velório. Ninguém dançava. Os rostos de todos exibiam as marcas de uma noite pouco e mal dormida.
Ele agora está em observação. Decerto vai passar por uma série de cirurgias além das emergenciais que já foram feitas.
E tudo isso por um instantezinho só.
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Naquela manhã o ainda muito jovem pastor Denisson Reis pregava sobre a questão do sofrimento e do porque ele atinge pessoas boas. Ao fim, exibiu um videoclipe de uma canção belíssima do grupo Novo Tom. A canção tem letra de meu primo Valdecir Lima, sempre muito inspirado, e o coro diz que "a glória dessa Terra é passageira/a vida passa e tudo o que ela traz/não temo o futuro pois tenho Deus comigo/pode cair o mundo/que estou em paz". No videoclipe, imagens do 11 de setembro, de pessoas perplexas e marcadas pelo impacto de um momento.
Na verdade, penso que é para isso que existem todos os outros momentos. Para nos preparar para aquele, o transformador. Jesus conta a parábola de dois caras que constroem casas, um sobre a areia e outro sobre a pedra. A tempestade vem e a casa construída sobre a areia cai. Máxima atenção agora, portanto, colega. Porque a vida é frágil e é tempo de construir sobre a pedra. A única coisa que acontece aos dois construtores, indiferentemente, é a tempestade. Ela vem.
Posted by marcol at novembro 7, 2005 2:25 PM
Comments
Marco, mas que coisa tao tragica! Eu nao tinha lido ainda o "post"...
Nem posso imaginar como sua cunhada e toda a famlia se sentiram!
Posted by: Lilian at novembro 9, 2005 9:23 PM
Melhoras pro seu sogro, meu velho.
Abração.
Posted by: Baiano at novembro 8, 2005 1:26 PM
Pô, Marco, que coisa mais chata. Quando será que os pais vão começar a proibir seus filhos não habilitados de dirigir ?
Melhoras pro seu sogro.
Abraço !
Posted by: Renato K. at novembro 8, 2005 9:45 AM
P.S.1: Ô rapaz, seria muito bom se você habilitasse teu sistema de comentários a aceitar comandos de HTML.
P.S.2: Nos encontraremos na Oca??
Posted by: Inagaki at novembro 7, 2005 8:32 PM
Caríssimo, eis o link para o texto citado por você:
http://www.gardenal.org/inagaki/archives/2004/06/questoes_de_tim.html
Posted by: Inagaki at novembro 7, 2005 8:31 PM