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novembro 28, 2005

Diário de viagem

Este semestre bateu todos os recordes em rush de todos os tipos gêneros e fins e por isso parei de registrar aqui observações sobre minhas bateções de perna Brasil afora. Aliás, a idéia era eu parar de viajar, a empresa contratou mais três pessoas pra isso, mas a demanda foi tão grande que não tive refresco.

Pois bem, na sexta passada estive ali em São Luiz do Maranhão. Vôo corujão, chegando às 04h30 e voltando às 14h00 do mesmo dia. Em suma, programa de índio completo e absoluto, minha bunda adquiriu o formato da poltrona do avião.

Mas ali, logo que você sai do aeorporto local rumo à cidade, chega a um enorme viaduto com uma placa indicando "Alemanha". O táxi não entrou no viaduto, de modo que fiquei sem saber se se tratava de um bairro local ou de um portal transdimensional que te leva à Alemanha mesmo. Joguei WAR tempo suficiente na infância pra saber que o Maranhã não faz fronteira com a Alemanha, por isso a tese de que se trata de uma comunicação mística, tipo São Tomé das Letras e Machu Pichu, é super verossímil.

Chamou a atenção uma campanha que tomou muitos outdoors da cidade: em garrafais letras brancas sobre fundo negro, a frase: "o Maranhão é o Estado mais pobre do país". E embaixo, em inignoráveis letras vermelhas, a pergunta: "isso te incomoda?". Não tem identificação de quem patrocina a campanha. Pra minha vergonha, minha reação automática ao ler pela primeira vez foi dar de ombros e dizer: "ué, alguém tem que ser, não?" Mal, sapão, mal!

São Luiz é uma cidade coberta por areia. A avenida da praia é limpa todo dia por um tratorzinho, se não fica intransitável. A impressão se reforça lá de cima, do avião? Areia pra todo lado, causando uma vista triste que nem o mar ameniza.

Hoje, faço a trouxa de novo pra pegar outro corujão, dessa vez com destino a Aracaju. Justo agora que a bunda estava readquirindo sua forma original...

Posted by marcol at 12:56 PM | Comments (8)

novembro 23, 2005

O avião sobrevoava já a Guanabara e eu ainda em estado de graça. Cheguei ao Rio lendo o conto do Nelson Moraes que está no Blog de Papel. "Flauta, Sax e Cavaquinho" é uma das melhores coisas que li em muito, muito tempo. Admira que o Idelber, no prefácio, tenha apresentado seu autor como "o piadista mais admirado da internet", já que, embora o título seja justo, o conto não tem nada de piada. Pelo contrário, derrama lirismo e beira a tragédia, embora com graça e leveza.

Nesse caso, a forma ajuda o conteúdo a falar muito mais alto. Você não sabe nada sobre o casal que protagoniza a cena, apenas pressente, infere e se vê torcendo desesperadamente por personagens que conheceu apenas uns poucos parágrafos acima. O final é brilhante, inusitado, inesperado. Enfim, alta literatura, ombreável com o que a tradição contística brasileira tem de melhor, na minha modestíssima opinião.

Mas gostei de outros textos do Blog de Papel, também. Notei uma certa identificação entre os textos do Inagaki, da Fal e da Ticcia. São obras contemporâneas, que lembram o estilo da melhor prosa que se faz hoje na Inglaterra, com caras como Nick Hornby. Talvez o conto do Inagaki (a frase inaugural é genial) seja o melhor exemplo disso, porque flerta com o humor sem histrionismos, mostra uma cena urbana de desencontro amoroso turbinada pela espirituosidade do diálogo e tem um quê de desencanto que pode ser muito bem confundido com charme.

O velho e bom Milton Ribeiro, por sua vez, é um baita dum prosador. Seu conto "Atravessando a rua" tem ecos autobiográficos, identificáveis especialmente por quem acompanhou a genial seqüência de posts "O Milton de 20... encontra o Milton de ..." O encontro do duplo vindo do futuro para acalmar o personagem em situação aflitiva dá uma guinada fantástica completamente inesperada à trama. Gostei especialmente da primeira parte do conto, em que o protagonista joga um divertido e poersonalíssimo jogo com sua filha pré-adolescente. Pra fazer uma auto-citação que remete o conto ao seu início, eu teria terminado mostrando o protagonista atravessando a rua com seus salvadores para tomar o café que eles ofereciam.

No mais, Fabio Danesi Rossi está em ótima forma. Corri no stand da Barracuda e comprei o seu "Todas as festas felizes demais", graças ao toque dado pelo Inagaki: faz parte do livro o conto "A caminho", que eu conhecia do Spamzine, e que é absolutamente brilhante. Meu xará Marco Aurelio também se sai extremamente bem, gostei muito da sua história de um serial killer involuntário (ou quase isso) e o final é coisa de quem entende. O conto do Nelson Natalino também merece menção, pelos ares de histórias contadas à beira da fogueira em lúgubres noites.

De uma forma geral, o livro me divertiu muito. Gostei mesmo. As ilustrações também merecem aplausos, especialmente as do Felipe Sobreiro e da Pierella Bedoyan, que ilustram respectivamente os contos da Alê Feliz e Mitlon Ribeiro.

Muito bem, cumpri, com mucho gusto, minha cota de puxasaquismo diário. Esses merecem.

Posted by marcol at 3:10 PM | Comments (9)

novembro 21, 2005

Oh! Oh! Oh! Três vezes oh!

Como você decerto já sabia, pois foi apregoado aos quatro ventos da Terra (embora meus irmãos tenham reclamado comigo que nem ouviram falar), sábado passado foi o lançamento do Blog de Papel, um livro que reúne textos de 14 blogueiros e ilustrações de outros tantos.

Pra mim foi um acontecimento duplamente do balacobaco: primeiro, porque conheci algumas das personalidades às quais fui apresentado pela blogosfera e que eu mais admiro, tudo duma vez só. Segundo, porque deixaram que entrassem uns textos meus lá e eu diria que isso muito me honra, não fosse meio coisa de fruta.

Eis aqui fotos surrupiadas da Verbeater Olívia (mais fotos aqui):

Comecemos com Verbeaters unidos jamais serão vencidos. Biajoni, Olivia, moi e Milton Ribeiro:
verbeaters

Agora, o popblogger Alexandre Inagaki dá uma dica de quanto recebeu pra aceitar se misturar com manés como eu:

ina

Na seqüência, o segredo do sucesso do Blog de Papel. Trata-se de um raro livro que conta com dois Marcos Aurelios. Não dá pra dar errado:

marcos aurelios

Agora, o fabuloso Nelson Moraes mostra toda a emoção e encanto que sentiu quando me conheceu pessoalmente:

nelson

Milton Ribeiro me dá dicas sobre coisas inteligentes para se escrever em autógrafos, já que tem muito mais experiência na área. Afinal, era o terceiro lançamento de que participava. Do mesmo livro, aliás.

milton

E, pra terminar por hoje, Fabio Danesi Rossi participando de mais uma festa feliz demais e Alê quase Felix.

alê danesi

Posted by marcol at 7:32 AM | Comments (16)

novembro 14, 2005

Participe djá


A maior, mais ampla, mais efetiva, mais eficaz, mais eficiente, mais conclusiva, mais retumbante (e mais uma porrada de adjetivos igualmente aplicáveis, sem nenhum exagero) pesquisa sobre blogs já feita no universo.

Você tem, já teve, vai ter ou lê sempre ou de vez em quando ou leu uma vez na vida, tipo hoje, blogs, então tem o dever moral de aplicar 5 minutinhos para fazer com que todo o hercúleo esforço dos mandachuvas de Verbeat não seja em vão.

É só clicar aqui e sair manuseando perigosamente o seu mouse.

selo_pesquisa_g.jpeg

Posted by marcol at 6:56 PM | Comments (3)

novembro 9, 2005

Jovem, ao completar 18 anos

Ou mesmo antes e até depois disso, não perca o lançamento do fantástico, lindo, belo, genial, supimpa e superbacaninha Blog de Papel.

Em atenção à Lei Federal que cria cotas em livros coletivos para autores oligofrênicos, colocaram dois textos meus lá. Mas não ligue, o resto do livro é de primeiríssima grandeza. Tem Milton Ribeiro, Nelson ex-da Praia, Inagaki san e outras sumidades da blogosfera tupiniquim.

Tem lançamento dia 12 em Porto Alegre, dia 17 em Curitiba, 18 em Goiânia, o paraíso verde e plano do Brasil, 19 aqui em Sampaulo e 27 no Rio de Janeiro. Compre djá ou apareça lá. Como comprar? Aqui ó.

Agora, em primeira (tá bom, quinta ou sexta, na verdade) mão, a capa do livro, pra todo mundo que acompanhou o concurso de capas de livro mais emocionante desde o concurso para a capa de "Os vermes comeram meu esôfago", de Zíbia Carburetto.

Bdp

Posted by marcol at 8:24 PM | Comments (9)

novembro 7, 2005

Timing

Inagaki san tem um texto muito do bom, onde explora a questão do timing, de como um reles instante pode fazer uma diferença brutal, por vezes até mesmo fatal.

Veja o caso do meu sogro, por exemplo. No domingo, casaria a última filha (é o penúltimo casamento do ano em que o meu guri faz as vezes de pajem - vide dois posts abaixo). Tudo ótimo, tudo bom. No sábado ele averigua o resultado duma rigorosa dieta e percebe com máxima satisfação que entra no melhor termo, aposentado há eras. À tarde, sai pra caminhar pra perder mais algumas gramas, se possível. Está animado e não consegue esconder a expectativa.

Aí vem o tal do momento. Dentro dele, um garoto sem habilitação, uma menina de joelhos no banco de passageiro conversando com outra no banco de trás, decerto alta velocidade e manobras perigosas e um impacto. O carro subiu na calçada e atingiu meu sogro causando duas fraturas expostas, esmigalhando seu cotovelo e seu joelho direitos e manchando o final de semana que era de festa e de festa só.

O casamento sem o pai parecia um velório. Ninguém dançava. Os rostos de todos exibiam as marcas de uma noite pouco e mal dormida.

Ele agora está em observação. Decerto vai passar por uma série de cirurgias além das emergenciais que já foram feitas.

E tudo isso por um instantezinho só.

**************

Naquela manhã o ainda muito jovem pastor Denisson Reis pregava sobre a questão do sofrimento e do porque ele atinge pessoas boas. Ao fim, exibiu um videoclipe de uma canção belíssima do grupo Novo Tom. A canção tem letra de meu primo Valdecir Lima, sempre muito inspirado, e o coro diz que "a glória dessa Terra é passageira/a vida passa e tudo o que ela traz/não temo o futuro pois tenho Deus comigo/pode cair o mundo/que estou em paz". No videoclipe, imagens do 11 de setembro, de pessoas perplexas e marcadas pelo impacto de um momento.

Na verdade, penso que é para isso que existem todos os outros momentos. Para nos preparar para aquele, o transformador. Jesus conta a parábola de dois caras que constroem casas, um sobre a areia e outro sobre a pedra. A tempestade vem e a casa construída sobre a areia cai. Máxima atenção agora, portanto, colega. Porque a vida é frágil e é tempo de construir sobre a pedra. A única coisa que acontece aos dois construtores, indiferentemente, é a tempestade. Ela vem.

Posted by marcol at 2:25 PM | Comments (5)

novembro 1, 2005

Por cortes no orçamento, resolvemos abduzir este post de Helio Serafino do finado Ernestinho.

Enquanto isso, na Sala de Justiça...

Tudo calmo no quartel-general dos Super Amigos. Aliás, calmo até demais. Com Lex Luthor, Sinestro, Brainiac, Solomon Grundy, Espantalho, Bizarro e Manta Negra finalmente fora de ação, confinados no Asilo Arkham, sobra muito tempo e pouca coisa para um herói fazer.
Por conta do marasmo das atividades criminais, quase todos os super-heróis resolveram se afastar temporariamente da Liga. Super-homem, por exemplo, voltou a Metrópolis para responder um processo por falsidade ideológica movido contra ele pela promotoria da cidade, depois que o Planeta Diário, num incrível furo de reportagem, revelou ao mundo inteiro a identidade secreta do Homem de Aço.
Batman e Robin, por sua vez, tiraram merecidas férias, após ininterruptas décadas de combate incansável ao crime, e foram fazer um romântico cruzeiro pelas ilhas gregas.
Já a Mulher-maravilha, aproveitou a calmaria para dar uma levantada no visual. Foi para a clínica do Ivo Pitanguy e fez uma plástica completa. Colocou silicone nos seios, fez lipo-escultura, tirou a papada, deu uma arrebitada no nariz e se livrou daqueles incômodos pés-de-galinha que emolduravam, já há algum tempo, seus belos olhos azuis. Dizem que ficou irreconhecível.

De volta à pacata Sala de Justiça, entre espreguiçadas e bocejos involuntários, os super-mega-híper-ultra-entediados super-gêmeos realizam mais uma "empolgante" partida de buraco, enquanto Gleek, seu inseparável macaquinho espacial, delicia-se com um cacho de bananas pendurado em um lustre.

Quase afogados em sua própria modorra, Zan e Jayna decidem fazer algo antes que seja tarde demais. Jogam as cartas de baralho na mesa, pulam das cadeiras, unem seus anéis e pronunciam as palavras mágicas:

- Super-gêmeos ativar!
- Forma de uma jaguatirica mutante alada! - exclama Jayna
- Forma de um picador de gelo de gelo gigante! - emenda Zan

Depois de transformados, os dois saltam um sobre o outro e iniciam um sangrento duelo. Por um instante, Gleek pára com suas macaquices e olha com curiosidade para os dois, mas logo se desinteressa e volta a se entreter com suas bananas. Em meio a dentes arrancados, jugulares jorrando sangue, unhas rachadas, micoses no sovaco e ao som das onomatopéias mais estapafúrdias e toscas já ouvidas na blogosfera [Bléim, Pluc, Fuééé, Sangra, Fura, Rasga, Nheco-nheco!!!!], os super-gêmeos vão sucessivamente assumindo as mais variadas e bizarras formas: um ornitorrinco albino neozelandês e um monjolo de gelo; um babuíno africano com hemorróidas e uma estrela ninja de gelo; um mamute siberiano hermafrodita e um aspirador de pó Black&Decker de gelo; e assim por diante...
Até que, exaustos e com quatro litros de sangue a menos cada um, Zan e Jayna tentam uma cartada final:

- Forma de um Tiranossauro Rex ensandecido! - anuncia Jayna
- Forma de uma bala Soft de gelo! - replica Zan

Então Jayna, já metamorfoseada em tiranossauro, ao ouvir a opção ridícula do irmão, dá uma risada zombeteira e, sem perder tempo, agarra-o, abre a assustadora bocarra e joga-o goela abaixo, ainda às gargalhadas. De repente, algo inusitado acontece: a descomunal Tiranossauro Rex Jayna pára de rir, arregala os olhos e começa a arroxear. Cambaleante e inesperadamente sufocada com a bala Soft Zan entalada na garganta, Jayna tenta em vão aplicar em si mesma a manobra de Heimlich para evitar a asfixia, mas infelizmente seus curtos braços tiranossáuricos não ajudam muito na operação.
Já quase a ponto de perder os sentidos, Jayna tira então seu anel do dedo e leva-o a boca, trêmula, para numa última e desesperada tentativa de salvação, engoli-lo e assim reverter a transformação. Contudo, um capricho do destino faz o anel escorregar de sua mão e rolar direto para dentro de um pequeno buraco de rato na parede. Jayna ainda ensaia um esboço de reação, mas logo em seguida cai inconsciente por terra, com seu irmão bala Soft Zan preso em sua garganta.
Deitado sobre a mesa de reunião da Sala de Justiça, alheio a todos os dramas da humanidade, Gleek, o macaquinho espacial, saboreia tranqüilamente sua última banana.

Posted by marcol at 6:44 PM | Comments (7)