outubro 10, 2005
Ouço o troar de motores. Sirenes. Helicópteros. Ouço a campainha enervante do telefone. Ouço a fumaça e o abafamento. Turbinas de avião e explicações sobre como usar a máscara de gás. Ouço a vida passando a rente. E motos, muitas motos, passando rente também.
Se fecho os olhos, contudo, e espero sumirem os números e palavras que se projetam contra minhas pálpebras, aos poucos, bem ao longe, ouço o velho discurso do mar de uma praia vazia enquanto aquela brisa específica sibila morna. Ouço a gargalhada do meu filho. Ouço borbulhar a água de um mergulho que funciona como um pause no Universo, que amortece a consciência e faz a noção de tempo perder o chão. Ouço as pontas dos dedos de minha esposa roçando minhas têmporas - distraída.
É raro, mas eu ouço. E lembro deste poema de Octavio Mora:
Porque vias o mar (tinhas o mar
no olhar) fechando os olhos. E defronte
o víamos surgir. Bastava olhar
que tudo era horizonte."
Posted by marcol at outubro 10, 2005 9:30 PM
Comments
A vida anda carente de pausas...
[]´s
Posted by: Baiano at outubro 13, 2005 3:18 PM
oi meu amigo...
como é bom saber ouvir... porém quantas vezes somos tão surdos que não conseguimos ouvir os mais belos e simples sons... como a voz de uma amigo...
Posted by: najla at outubro 12, 2005 8:12 PM
Sorte de quem sabe ouvir assim.
Um beijo daqui, Marco.
Posted by: Márcia at outubro 12, 2005 6:11 PM
Pois é, Marco, é uma das coisas boas da vida. Dessas é que vivem os poemas :) Beijo, boa semana.
Posted by: adelaide at outubro 10, 2005 10:06 PM