setembro 19, 2005
Esse negócio de virtual
Comadre Luciana Dantas Teixeira terminou um e-mail dia desses dizendo que pelo sumiço da blogosfera e internetices em geral induz-se que a vida "de verdade" anda a mil.
Comprovei o fato com esse negócio de andar a mil eu também. Sumi daqui, não li nada, não sei de nada, necas. Pode ser até mesmo que o Tiagón tenha saído na G Magazine ou o Nelson tenha sido indicado para substituir o Nuno Leal Maia na próxima novela das 28 e eu mais por fora que cotovelo de chofer.
Essa dicotomia entre virtualidades e realidades é velha como o quê. A vida interior parece pulular - bombar, pra usar um termo mais up to date - no peito dos que têm os olhos parados ou perdidos, dos que olham e a vida parece estática. E quando as coisas acontecem de fato a vida interior vai encolhendo, encolhendo, até ser uma lembrança indesejada no mais das vezes. Longínqua.
Blogs têm muito de vida interior. Comecei a escrever este blog num outro tempo. Em maio de 2003 eu ainda não era pai, havia acabado de sair de uma situação de stress cavalar profissional e partido para um emprego melhor em todos os sentidos. Estava apaziguado por fora e a mil por dentro. Meus primeiros posts são todos muito bem humorados, veja você.
Aí, não sei bem em que dia isso foi acontecer, mas o caldo entornou. Isso poderia ter um tom de lamento se eu lamentasse. Ainda não sei dizer se o faço. Como disse, quando a vida interior se espreme e implode, geralmente deixa uma lembrança indesejada. A vida urge, diziam os antigos. Primo vivere, deinde filosofare.
Ok, lamentar não lamento, mas vivo na esperança e na crença de que um dia vem e essa rosa torna a brotar do improvável chão. A minúscula e indesejada lembrança serve como semente e quando eu menos esperar estarei cavalgando estepes interiores, respirando ares com cheiro de livro velho, sorrindo sorrisos com gosto de. De quê mesmo?
Posted by marcol at setembro 19, 2005 7:12 PM