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setembro 29, 2005

Drops

Eu estou aqui lendo um livro de direito cibernético, mudanças de paradigmas absurdas da nova economia e coisas assim e aí lembrei de minha primeira experiência com computador. O cara chegou na escola e falou: "ganhei um computador". Fui lá na casa dele ver. "Olha só o que ele faz", ele disse todo empolgado. Aí ele ficou uns vinte minutos escrevendo uma seqüências de caracteres enorme que ele ia copiando de um livrinho. Ao final, deu enter e começou a surgir na tela uma animação de linhas retas verdes (aqueles monitores das antigas) se contorcendo. Aí eu pensei: ah, é pra isso que serve computador?

A experiência atrasou minha inclusão digital em pelo menos uns cinco anos.

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Ainda neste drops, na outra vez o meu amigo digitalmente incluído, o único da classe, parou uma festinha todo empolgado pra pedir para colocarem a fita k7 que ele tinha gravado e que era muito, MUITO legal, tinha umas músicas duca. Colocamos, todo mundo parado pra ouvir e o que se ouviu foi uma sucessão de apitos digitais. Ele, sem querer, tinha trocado a fita muito, MUITO legal e trazido uma fita com um de seus programas de computador.

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Mudando de bala, segundo Macaco Simão, está inaugurado um novo programa social com a grife Maluf: o Programa Leve Kibe.

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Andei tanto tempo de ônibus, e em condições que as associações de proteção dos direitos humanos deveriam intervir, que quando comprei o primeiro carro desenvolvi uma tese meio teologia da libertação, reconhecendo o "fim social do carro". Segundo a tese, o proprietário de carro deveria dar carona pra todo mundo tanto quanto possível. Cansei de andar com mais de cinco pessoas no uninho (que mais tarde foi roubado em experiência traumática mas miraculosa), os vidros embaçados, sob chuva torrencial e com aquele frescor de barbeiro de quem acabou de tirar carta. Os anjos trabalham, enfim. Agora voltei ao transporte coletivo, feliz porque isso me fez retomar as leituras, coisa que o carro havia matado e enterrado sem dó nem piedade. Mas mais que nunca a tese do "fim social do carro" me parece que deveria ser insculpida na constituição federal. Ou seja, feliz, mas uma caroninha de quando em vez não fariam mal ninhum não senhor.

Posted by marcol at 9:11 AM | Comments (5)

setembro 19, 2005

Esse negócio de virtual

Comadre Luciana Dantas Teixeira terminou um e-mail dia desses dizendo que pelo sumiço da blogosfera e internetices em geral induz-se que a vida "de verdade" anda a mil.

Comprovei o fato com esse negócio de andar a mil eu também. Sumi daqui, não li nada, não sei de nada, necas. Pode ser até mesmo que o Tiagón tenha saído na G Magazine ou o Nelson tenha sido indicado para substituir o Nuno Leal Maia na próxima novela das 28 e eu mais por fora que cotovelo de chofer.

Essa dicotomia entre virtualidades e realidades é velha como o quê. A vida interior parece pulular - bombar, pra usar um termo mais up to date - no peito dos que têm os olhos parados ou perdidos, dos que olham e a vida parece estática. E quando as coisas acontecem de fato a vida interior vai encolhendo, encolhendo, até ser uma lembrança indesejada no mais das vezes. Longínqua.

Blogs têm muito de vida interior. Comecei a escrever este blog num outro tempo. Em maio de 2003 eu ainda não era pai, havia acabado de sair de uma situação de stress cavalar profissional e partido para um emprego melhor em todos os sentidos. Estava apaziguado por fora e a mil por dentro. Meus primeiros posts são todos muito bem humorados, veja você.

Aí, não sei bem em que dia isso foi acontecer, mas o caldo entornou. Isso poderia ter um tom de lamento se eu lamentasse. Ainda não sei dizer se o faço. Como disse, quando a vida interior se espreme e implode, geralmente deixa uma lembrança indesejada. A vida urge, diziam os antigos. Primo vivere, deinde filosofare.

Ok, lamentar não lamento, mas vivo na esperança e na crença de que um dia vem e essa rosa torna a brotar do improvável chão. A minúscula e indesejada lembrança serve como semente e quando eu menos esperar estarei cavalgando estepes interiores, respirando ares com cheiro de livro velho, sorrindo sorrisos com gosto de. De quê mesmo?

Posted by marcol at 7:12 PM | Comments (9)

setembro 11, 2005

Aparentemente sobrevivi à semana. Motivos que conspiravam contra isso:

1. um bum de trabalho, muito além de qualquer previsão e controle;
2. uma estagiária que picou a mula de repente;
3. uma assistente que resolveu pegar pneumonia;
4. a mesma estagiária querendo voltar arrependida;
5. viagens inadiáveis;
6. bye bye domingos e feriados;
7. péssima alimentação por causa da correria;
8. obrigações extra-profissionais inapeláveis;
9. uma batida de carro horrorível por culpa minha.
10. prova na pós graduação e nada de tempo pra estudar.

Bom, dez motivos tão suficientes pro meu gosto.

Nem o São Paulo ganhar do freguês Corinthians serviu de consolo, pra você ver só. O que consolou de fato foi que na sexta-feira o sol apareceu, o carro reserva saiu, consegui comer direito, fui bem na prova e chegou o sábado, o dia do descanso, thanks God.

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Uma fonte de muita endorfina do final de semana foi descobrir que o blog Ernestinho e suas mulatas besuntadas ainda está no ar. Achei que o Blogger já ia ter chutado pro espaço sideral, já que não o atualizamos há eras. Reler a saga do agente secreto albanês Janjão Jones, as emoções de Maria de Auschwitz (a única novela mexicana ambientada num campo de concentração nazista de que se tem notícia), minha própria saga em busca da cuia sagrada do alto Xingu, o concurso POPwritersSTARS e até mesmo as biografias desautorizadas do Ernestinho que empresta o nome ao blogue, enfim, reler todo aquele trem teve um fantástico efeito terapêutico. Good times, babe.

Posted by marcol at 11:33 AM | Comments (9)

setembro 6, 2005

Neste final de semana estava em Monteiro Lobato-SP, um bonito entre-morros serranos. Estava no alto dum monte com meu rebento, chamando sua atenção pra beleza da Criação de Deus mas ele queria que eu contasse uma história de heróis. Perguntei se podia ser de heróis da Bíblia, mas ele queria história de "heróis bravos". Como contar história dos heróis bravos sem contar as histórias dos heróis bravos?

Falei, com muitas mudanças de entonação e timbre de voz, que o Batman e o Homem-Aranha se encontraram nos altos dum prédio e um perguntou pro outro aonde estava indo, ao que ficou sabendo que o destino era uma festinha. Aí foram os dois juntos.

Ao chegar lá o Homem-Aranha teve problemas pra comer docinhos, porque a máscara dele cobre a boca, e o Batman tirou sarro. Aí eles deram um jeito e encheram a barriga de bolos e docinhos e brincaram na piscina de bolinhas e aí quando foram embora caíram de cima dos prédios porque tinham a barriga muito cheia.

O Dudu ficou um tempo pensativo depois começou a dar risada e disse que adorou a história.

Espero que ele nunca peça a fonte.

Posted by marcol at 5:16 PM | Comments (5)

setembro 5, 2005

Ao passares pelas águas...

Fiquei muito impressionado com o relato da jornalista brasileira ilhada em New Orleans que ouvi pelo rádio. Contou da provisão de água pelo fim, do meio saco de pão que tinha para comer, de metade do seu apartamento estar destelhado e de não poder sair por ter a cidade entregue a pilhadores, estupradores e que tais.

Os noticiários destacaram a semelhança das cenas com outras que estamos bem acostumados a ver, mas não associadas aos EUA.

Pra mim foi extremamente didático. Me lembrou que o ser humano é o mesmíssimo, viva onde viva. Basta um estado sem lei, ou quem sabe a possibilidade de ganhar algum por fora, ou ainda a ocasião de exercer algum tipo de poder sobre outro ser humano e revelamos nossa natureza.

Nessas horas que não dá pra não falar sério a Bíblia só se ratifica.

Posted by marcol at 6:00 PM | Comments (3)

setembro 1, 2005

A morte da velinha de Taubaté

Luís Fernando Verissimo matou há alguns dias uma de suas personagens mais antigas, a velinha de Taubaté, uma dócil senhora que se destacava por ser a última a acreditar no governo, qualquer que fosse ele.

Não lembro de um caso em que uma crônica repercutisse tanto. A morte da velinha de Taubaté virou notícia, foi comentada em várias outras crônicas (até no jornal Lance!, esportivo, citou-se o "fato") e acabou servindo para os vereadores de Taubaté realizarem um bem humorado enterro da sua mais célebre cidadã, com direito a caixão com a bandeira nacional e mais pompa e circunstância.

Hoje LFV publicou uma crônica relatando investigações do MP para apurar a morte da nonagenária velinha. Numa tacada genial ele usa a manchete, ou melhor, como título da crônica: "Velinha tinha conta no exterior". No corpo da crônica diz que foi achado em sua casa um papel com números e a palavra "off-shore", mas na verdade se tratava de números de um jogo na Loteria e da palavra "oxalá". Ele arremata dizendo que provavelmente alguém vá publicar em manchetes que a velinha tinha contas no exteriores, só para chamar a atenção e no texto desmentir tudo, como a imprensa costuma fazer.

Não fosse a realidade tão triste, haveria coisas tão engraçadas?

Posted by marcol at 12:50 PM | Comments (7)