agosto 28, 2005
Quinta passada me vi com um tempo que não estava no programa, em Recife. Lembrei, então, de haver lido alguma coisa sobre a descoberta por ali pelo centro histórico da cidade da primeira sinagoga das américas. Fui atrás.
A sinagoga Kahal Zur Israel, fundada ali por 1639 na então Rua dos Judeus, hoje Rua do Bom Jesus, encerra detalhes até pouco tempo desconhecidos desse interessantíssimo período da história do Brasil. Foi bem no período da dominação holandesa no lugar, capitaneada por Maurício de Nassau. A gente adora imaginar como seríamos se a colonização fosse não portuguesa, mas holandesa, como esteve perto de acontecer.
Além disso, o lugar, restaurado com o apoio do Banco Safra, cheio de informações interessantes e uma apresentação estética primorosa, mostrando detalhes de achados de uma escavação arqueológica feita no solo da sinagoga, lança luzes sobre a questão da Inquisição católica no Brasil, fato histórico que preferimos negar na história oficial.
Os judeus eram obrigados a converter-se na porrada, sendo chamados "novos cristãos". Nunca adquiriam o status de 100% cristãos e comumente eram queimados vivos, torturados, trucidados e aí afora.
Gostei da história de Branca Dias. Era uma moradora de Olinda que mantinha um badalado curso de prendas domésticas para filhas de senhores de engenho. Ela foi denunciada pelas próprias alunas por "práticas judaizantes", já que limpava e tomava banho às sextas, servia um jantar especial nesse dia e negava-se a trabalhar no sábado. Morreu queimada na fogueira do Santo Ofício.
O que me fez saber que meu destino, se habitasse esse tempo, seria também servir de combustível pra fogueira, já que meu sábado é igual o dela. Graças, pois, a Deus, pela frágil mas ainda assim fruível liberdade religiosa que respiramos.
O lugar vale uma visita.
Posted by marcol at agosto 28, 2005 4:52 PM