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agosto 4, 2005

Coisa boa no ar e uma confissão

Passa aos domingos, às 21h30. Exato, bem na hora do bode, quando a lembrança da semana por vir dá coceiras e bate aquela irrefreável vontade de tomar um porre de fanta uva. Chama-se Entrelinhas e vai ao ar pela TV Cultura de São Paulo.

Trata-se de um programa tocado com leveza, graça (culpa da ótima apresentadora) e agilidade, sem perder ou diminuir o objeto de que trata: literatura. Matérias com estudiosos de autores estrangeiros, entrevistas antigas de escritores brasileiros, caças a escritores sociofóbicos (como Dalton Trevisan, o vampiro de Curitiba que nunca é visto em canto algum)e outras coisas deliciosas, incluindo até leituras de pequenos trechos de ótimos livros.

Nos últimos dois domingos, pra você ter uma idéia, nem lembrei da Fanta Uva. Recomendo.

Agora, a confissão. Acabei mais uma vez picado pelo vício dO Aprendiz. Resisti o quanto pude e só peguei o programa nos últimos três episódios, mas não largo mais.

A despeito do merchant onipresente, do apresentador canastrão e de algumas deficiências técnicas, o programa continua com os atrativos que o diferenciam. Pra começar, é um reality show com concorrentes minimamente inteligentes. Em segundo lugar, o programa não explora absolutamente nada da vida pessoal dos candidatos. Portanto, nada de melodramas com histórias de dificuldades no passado ou pais e namorados chorosos. Isso tem a ver com o slogan "Não é nada pessoal, são só negócios" e causa uma certa aflição, porque dá vontade de conhecer um pouco mais os tipos, mas a proposta acaba mais encantando que espantando. Sem melodrama, fica o aspecto meramente profissional, o que de cara o diferencia de todos os outros reallity shows. E, pra terminar, o último encanto está nas provas bem sacadas. Elas geralmente dão espaço para o brilhantismo pessoal dos candidatos, sem falar nas clássicas rusgas e nos confrontos sem o que nenhum reallity show seria reallity.

Minha aposta vai pro Porcel. As mulheres que restaram não têm o carisma pessoal da vencedora da primeira edição do programa, e dos gajos, esse tal de Porcel parece ser o mais forte.

Céus, a que ponto cheguei? Até aposta tô fazendo!

Posted by marcol at agosto 4, 2005 1:03 PM

Comments

Entrelinhas? Vou procurar. Acho impossível alguém desgrudar daquela merda de Aprendiz. Não procuro ver, mas se a coisa está no ar, fico ali, vendo até o fim. Sim, eu escrevi merda!

Grande abraço.

Posted by: Milton Ribeiro at agosto 8, 2005 4:00 PM

Olha só: no úico episódio da série que vi, o último, sinceramente não vejo vencedores naquele grupo. Um mais fracote que o outro. Coitado do Justus, que deve estar pensando nos 250 mil que vão ralo abaixo... Se bem que a fortuna que ele está ganhando com todos aqueles merchandisings não é pouca bosta...

Posted by: Rafael Reinehr at agosto 7, 2005 11:15 AM

Dalton Trevisan nunca existiu. Trata-se de um personagem de Dyonélio Machado que Rubem Fonseca pegou para criar e depois deu em adoção. Aí deu no que deu.

Posted by: Nelson Moraes at agosto 5, 2005 2:26 PM

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