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julho 8, 2005

O homem de trinta anos

Agora que estou rumando a passos firmes para os 32, já dá pra ter uma idéia do que é viver nessa década da existência humana.

Assim, ter 30 anos é fazer algum esforço para ter o mesmo tipo de arrebatamento que uma música, um quadro ou um livro, às vezes só uma poesia, podiam provocar há alguns anos. A excelência técnica, a genialidade da idéia, do arranjo, da cor, está tudo ali, e eu sei, mas a experiência de gozo dos sentidos não vem mais tão fácil.

Ter 30 anos é redescobrir sentimentos que julgava superados, como o medo. Você começa a perceber uns tilts na máquina e nota que é por puro uso. Você é confrontado, se bem que de forma ainda sutil e leve, com a finitude desta coisa aqui. Sem falar no maior e mais aterrorizante de todos os medos, que é saber que seu filho e sua esposa estão lá fora, na selva de pedra e alumínio e chumbo.

Ter 30 anos é encontrar um tipo de contentamento diferente, mais difícil e suado, como, por exemplo, o de estudar. Argh, quando é que eu ia poder dizer que tiraria prazer de estudar? Mas é, isso é ter 30 anos.

É ver que você é bem pequeno e que os teus sonhos de moleque podem não ter-se realizado totalmente e certamente nunca serão, porque, afinal de contas, teus sonhos mudaram e você fica feliz com isso.

Ter 30 anos é meditar se você nunca vai ter tanto dinheiro quanto gostaria, é entender que o tempo é o maior dos dons, é entender que não se pode descurar de relacionamentos - porque é entender que pessoas são as coisas mais importantes que existem. Ter 30 anos é começar a ter avisos do espelho, é odiar não ser ainda plenamente capaz de domar alguns impulsos incovenientes e é ter um calendário sempre à mão. É tudo isso, mas é mais, claro, e pretendo descobrir enquanto caminho por eles, os 30 anos.

Pelo menos, esta é a minha experiência com a quarta década de planeta Terra.

Posted by marcol at julho 8, 2005 9:41 AM

Comments

Muito legal ler isso tudo! Descobri que aos quase 26 tenho alguns pensamentos de 30. Acho que eu gostei. =)

abs

Posted by: Diego at julho 20, 2005 11:19 PM

Pôrra...

Posted by: Sergio at julho 11, 2005 8:13 PM

Caramba! Parece que você adivinhou. Estou falando sobre os 30 anos que vivi até agora. relembrando alguns fatos anos após ano dessa minha estadia na Terra.
Esse seu poste veio bem a acalhar. Preciso refetir mais sobre os 30... Putz! Tô ficando usado!

Posted by: Vanildo at julho 9, 2005 7:06 PM

Só não pode deixar que as limitações superem os sonhos. Garoto! Está na flor da idade! Bom fim de semana! Beijus

Posted by: Luma at julho 9, 2005 4:23 PM

Belo post, Marcão. Me fez lembrar vagamente de quando eu tinha 32 anos. :-P

Posted by: Renato K. at julho 8, 2005 9:35 PM

Olá,Marco.Se é por aí que vai pra lá eu não sei,mas se quiser seguir em direção ao lamaçal,basta pegar o atalho!
Em tempo:Conheço uma blogueira chamada Marcia Brasil...por acaso é parente?Visite o Pântano e pegue o link do Contramão(ops,ainda por cima o título do blog tem conotações transitórias!)...
Abraços lamacentos!

Posted by: Sarneba at julho 8, 2005 8:14 PM

É...do lado direito.

Posted by: Willy at julho 8, 2005 2:06 PM

Marcão, o XML Feed, esse baguím laranja e cinza que tem do lado esquerdo, está com algum problema. O último post que aparece pra mim no Bloglines é de 11 de maio.

Enfim, excelente post, faço 25 esse mês e já tenho alguns sintomas...

Posted by: Willy at julho 8, 2005 2:05 PM

Belíssimo post, Marcão. Daqui a pouco eu chego aos 30, conversava com o Gejfin sobre isso dia desses - ontem? Me parece não fazer diferença alguma, porque aos 15, ter 20, 25 ou 30 era imaginar ficção científica. Só agora me dou conta de que nossas transformações são quase invisíveis, e que a transição é suave para quem está atento.

De novo, belo e instrutivo post. Me deu até umas idéias. Em breve :)

Posted by: tiagón at julho 8, 2005 1:26 PM

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