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junho 6, 2005

Ludopédio Como outros tantos, passei

Ludopédio

Como outros tantos, passei a gostar de futebol quando o time com o qual até então eu só simpatizava começou a arrebentar a boca do balão. Calhou de essa fase áurea do São Paulo F.C. coincidir com meu ingresso na faculdade, onde para ter alguma vida social eu precisava necessariamente estar a par do que ocorria nos gramados. O mix duma coisa com a outra me tornou um apaixonado - pero sin fanatismo - pelo esporte bretão.

Ver um goleiro fazer dois golaços de falta em um mesmo jogo, ver um garoto esquálido passar o pé sobre a bola repetidas vezes deixando o marcador desnorteado, ver um outro menino conduzir a bola na cabeça por longos metros ou até mesmo um volante interromper o curso de um atacante num momento totalmente inusitado - e sem falta, of course - são exemplos recentes da beleza desse esporte. Essa beleza está, em grande parte, no inusitado. No inesperado. Na liberdade de criação que nem técnicos retranqueiros são capazes de sufocar.

Quem não gosta ou admira decerto jamais tentou fazer um passe de três metros com o pé pra ver o quão difícil é. Eu, que atingi a marca máxima na escala de descoordenação motora da OMS, fico pasmo quando vejo coisas como as acima nominadas, mais o lençol do Kaká, os passes sem olhar do Gaúcho, a puxeta do Zé Roberto.

Mas não se trata apenas de coordenação motora. Não fossem as mil possibilidades do esporte, ainda não totalmente exploradas, como se nota nos bons jogos como o de ontem e o de quarta-feira passada, a empolgação não seria tão grande. Quem imaginou que veria um goleiro artilheiro? Quem sonhava com uma geração como essa um dia?

Passa o tempo e cada apito inicial continua sendo uma promessa de que algo genial pode acontecer. O futebol não se esgota e eu sou brasileiro. Tenho muito que agradecer.

* * * * *
Engraçadíssima a incapacidade dos globais Falcão, CasaGrande e Galvão de prestarem as lôas que merece um jogador como Kaká. O Brasil com um a menos, ele pega a bola e, de costas, faz um lançamento milimétrico para Robinho marcar seu gol. Incensa-se Robinho, chama-se de gênio e outras coisas - merecidas, todas, por supuesto - e, sem nenhum destaque à jogada realmente estupenda do meiocampista do Milan, o narrador acrescenta: "o Kaká não faz jogadas brilhantes, mas tem um posicionamento tático importante". Da onde sai essa atitude? Seria decorrência do avesso à confissão religiosa do rapaz e à sua estrita coerência com ela? Kaká aproveita toda oportunidade para enaltecer sua formação evangélica e cita a Bíblia a torto e a direito. Não se acham deslizes em sua vida extra-campo. Ele não tem prazer algum em posar de esperto ou bad boy. Diferentemente de outros tantos evangélicos, Kaká é coerente. E isso incomoda. Ou ou que mais explicaria tanta miopia? Em tempo e à guisa de desagravo: Kaká é absolutamente genial. Se tivesse dinheiro para trazer um único medalhão do futebol mundial para meu time, não pestanejaria: seria ele.

Posted by marcol at junho 6, 2005 1:15 PM

Comments

I can't believe it, my co-worker just bought a car for $44814. Isn't that crazy!

Posted by: Betsy Markum at fevereiro 26, 2006 10:38 AM

Meu caro MARCÃO,
E o RUY Goiaba ainda diz não gostar (nem entender) de futebol. Idelber é quem tem razão Louis Armstrong neles, d'après Milton...never know!!
Amitiés, BetoQ.
P.S.: Confesso não ter entendido nada do negócio de rádio...(AQ)

Posted by: Zadig at junho 8, 2005 5:50 PM

Marcão, o Kaká já foi do nosso tricolor e demos ele de presente pro Milan. Se um Adriano vale 100 milhões de Euros, quanto vale um Kaká ?

Posted by: Renato K. at junho 8, 2005 7:27 AM

Tô ligado que você gosta é de Kaká, Diego, Raí e... peraí.

***

- Amor, qual é o outro que você fica assanhada?

****

E Júlio César!

[]´s

Posted by: Baiano at junho 7, 2005 12:20 PM

Kaká é gênio, mas Ronaldinho é mais pirotécnico, aparece mais. Se tivesse que escolher entre um dos dois, escolheria Kaká em dias de realismo e Ronaldinho em dias de fantasia.

O Idelber Avelar disse fez uma analogia genial entre o futebol e o jazz, usando uma frase de Louis Armstrong. Para quem não consegue reconhecer a beleza de algumas jogadas e nos pergunta o que vemos de tão maravilhoso naqueles marmanjos correndo atrás da bola, só há uma resposta:

If you gotta ask, you`ll never know.

Louis Armstrong, ao responder sobre o que é e o que via no jazz.

Grande abraço, Marcão.

Posted by: Milton Ribeiro at junho 7, 2005 10:01 AM

NÃO!

Você ALGUMA VEZ teve ALGUMA DÚVIDA de que passaria o resto da vida escrevendo?! Eis a sua arte!

(por sinal estou adicionando seu blog ao narghee-la, não o fiz antes por pura SEQÜELA!)

Posted by: Joana at junho 7, 2005 8:30 AM

Parei de acompanhar futebol já faz algum tempo, mas aconteceram algumas discussões e eu percebi o quanto me lembro dos jogos. Quantas jogadas que não me saem da cabeça, como as embaixadas do Edilson na final do paulista, Corinthians e Palmeiras, os penaltis de duas Libertadores, duas em que o Corinthians saiu, e eu chorei em ambas (e não chorei na Copa, porque corintiano é mais corintiano do que brasileiro) e tantas outras. Me deu vontade de fazer posts sobre isso, até.

Posted by: b.m. at junho 7, 2005 12:04 AM

Eu tenho plena consciência das dificuldades em se fazer um passe. Na verdade, para mim, chutar uma bola é sempre emocionante, na medida em que nunca sei para onde ela irá, se vai acertar alguém ou se não perderei o equilíbrio e pisarei nela...

Por anos a fio, usei minha descendência nipônica como álibi para explicar tamanha incompetência com a bola, mas daí as novas gerações de japoneses acabaram se aperfeiçoando e agora não dá mais para negar que EU é que sou um grande perna de pau.

Bem, tudo isso para justificar que futebol também não é muito minha praia, mas assim como você, também admiro a habilidade dos jogadores com a bola nos pés.

Esse seu comentário sobre o Kaká é bem interessante. Nunca tinha visto sob este ângulo.

Um grande abraço!

Posted by: Roberto Sasaki at junho 6, 2005 4:54 PM

Onde "abeaço" se lê "abraço". :D

Posted by: Gejfin at junho 6, 2005 4:27 PM

Eu não sou assim um apaixonado por futebol. Na família esse posto é da minha mãe e ninguém tasca. Mas mesmo sem ser apaixonado, não dá para não ficar de queixo caído vendo esses caras fazendo essas maravilhas, bem como não odiar Galvão Bueno. ehhe :)

Abeaço!

Posted by: Gejfin at junho 6, 2005 4:27 PM

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