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junho 21, 2005
Jungianas Este final de semana
Jungianas
Este final de semana tive um sonho perturbador. É coisa rara de me ocorrer e por isso mesmo optei por registrar o efeito que me causou. Sonhei que uma conhecida, que freqüenta a mesma igreja que eu, me convenceu a juntar-se a ela e mais seis "irmãos" para juntos roubarmos não sei o quê dentro de um shopping. Não sei bem o que aconteceu, sei que não fiz bem a minha parte do plano, e que a coisa não deu certo, dois do bando foram presos e começaram a delatar os demais.
Sem tiros ou perigos físicos, o elemento aterrorizante do sonho estava em me ver naquela situação. Eu me perguntava o que estava fazendo no meio de ladrões e morria de medo da diluição da minha imagem perante minha família e igreja. Primeiro tentei por toda sorte dissimular minha participação, negava tudo a quem me interpelava. Depois disse que meu advogado havia orientado a não falar se era ou não verdade meu envolvimento. Por fim, qual um Michael Jackson às vésperas do veredito, comecei a imaginar a vida na prisão e fugir de todo e qualquer contato social que poderia apresentar uma ameaça de julgamento na cabeça de meus interlocutores.
Por mais que eu acordasse e dissesse a mim mesmo que não passava de um sonho, tornava a sonhar com aquela situação labiríntica.
* * * * * * *
O pavor de descobrirem manchas de caráter insuspeitadas em mim serviu de metáfora para um pavor bem real e que eu desconhecia, relacionado com as manchas que realmente existem.
Coincidentemente, li ontem em "Rumores de outro Mundo", de Philip Yancey:
Quero aparentar respeitabilidade e que estou no controle da situação, uma aparência que o arrependimento faz em pedaços. Ele exige de mim o reconhecimento, abertamente, da falha e da fraqueza que normalmente procuro esconder.
Yancey descreve a reação de Nixon e Clinton quando foram colocados contra a parede. O primeiro, no Watergate, jamais confessou culpa, referiu-se a "erros de interpretação" e coisas vagas do gênero. O segundo negou tudo até que as evidências do caso Lewinski o deixaram cas calças na mão e ele foi forçado a admitir a culpa ante a nação.
Saber de minha reação ao flagrante exposta nessa projeção de meu subconsciente me deixou cá pensando: o que zelo mais? Minha imagem e reputação ou a verdade? E o que seria mais correto: zelar por uns ou pela outra?
O Sombra sabe.
Posted by marcol at junho 21, 2005 11:56 AM
Comments
Mas não deixa de notar que fostes "arrastado" para a ação - e ela é alguém da tua igreja. Será que a igreja não está roubando algo de ti?
Isso também é perturbador.
Posted by: tiagón at junho 24, 2005 1:16 PM
Por coincidência dia destes pensava na vergonha que o ex-diretor dos Correios (aquele filmado recebendo a propina de 3,000 reais) "deveria" estar sentido ao depor, aparecendo novamente em rede nacional.
Mas ele, "bravamente", não perdeu a pose e afirmou, convicto, que não era corrupto.
Para algumas pessoas (que acham que não se deve sujar se for por por pouca coisa) corrupção só pode ser assim enquadrada quando ultrapassa um certo valor.
Para estas, um sonho como o seu não seria tão angustiante. Talvez elas se frustrassem mais pela falha ocorrida durante a execução do "serviço" do que pela falha moral.
Posted by: paulo roberto at junho 24, 2005 4:06 AM
Tá vendo já estou preocupada com o que você vai pensar dos meus erros de Português. O ser humano realmente é muito preocupado com tudo.
Posted by: Simy at junho 23, 2005 10:22 AM
Desculpe os erros.
Posted by: Simy at junho 23, 2005 10:19 AM
Voc~e me parece um cara muito preocupado com a reação das pessoas ao seu redo em relação ao seu caráter. "o que os 'irmãos' da igreja iriam pensar?", "o que aminha família pensaria?". Preocupações desse tipo impedem que você viva de acordo com suas necessidades. O que é errado para você, pode não ser errado para mim. Manchas de carater a que você se refere são coisas relacionadas com sua personalidade? Ou os ditos "pecados"? Eu não sei, mas eu não entendo muito bem comportamentos como este. Eu acho que as pessoas zelam mais sua ima gem e sua reputação do que a verdade e consequentemente seu próprio bem estar. As pessoas estão muito preocupadas com o que pensarão ou o que dirão se souberem disto ou daquilo ao meu respeito. As pessoas deveriam se preocupar mais com sua felicidade, e aquilo que é certo para você mesmo do que com o grupo ou sociedade onde vive. Claro que tudo isso sem ultrapassar o limite de sobrevivência entre voc~e e o seu próximo. Bjus Simy.
Posted by: Simy at junho 23, 2005 10:17 AM
E não somos/sentimos um pouco todos assim? Ainda mais num pesadelo como esse seu.
Beijo,
Posted by: Márcia at junho 22, 2005 1:42 PM
Estou fazendo esta pergunta a mim. Neste momento.
Teu sonho deve ter sido aterrorizante. Esta coisa do gênero "meu mundo caiu" e que envolve, filhos, família, convicções é aterrador.
Abraço.
Posted by: Milton Ribeiro at junho 22, 2005 11:38 AM