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junho 27, 2005

"Idiotice cresce perigosamente no Brasil",

"Idiotice cresce perigosamente no Brasil", diz Chico
da BBC Brasil

Em entrevista ao jornal "La Vanguardia", de Barcelona, o cantor Chico Buarque diz que "a idiotice vem crescendo perigosamente" no Brasil nos últimos 15 anos.

Ele faz a declaração ao responder a uma pergunta a respeito da busca pela fama no país, acrescentando que foi na década de 1990 que "começou a idiotice".

Ele afirma ainda que muita gente no Brasil "anda cercada de guarda-costas, sobretudo os famosos, porque ter guarda-costas te torna ainda mais famoso".

O cantor também ironiza na entrevista sua inclusão em listas dos brasileiros mais "sexy" da atualidade. "Isso é ridículo, esta lista é ridícula. Eu tenho 60 anos, você não está vendo?"

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Quando ele fala bom seria darmo-nos ao luxo de não acrescentar mais nada.

Posted by marcol at 2:35 PM | Comments (10)

junho 24, 2005

Rápidas Pra quem não conhece

Rápidas

Pra quem não conhece ainda o Blog de Papel, demorô. Trata-se da reunião de alguns blogueiros do balacobaco (permitiram minha inclusão não sei ainda porque exercício de graça) com o fito de montar um blog a muitas mãos e transformá-lo em papel, como o nome prenuncia. Lançamento previsto para agosto próximo.

Pois bem, está lançado o concurso pela capa do dito cujo. Vocé é ilustrador e diagramador ou conhece quem seja? Aprume-se e apresse-se. Os trabalhos devem ser enviados em JPG 300 DPI.

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Estive no Rio e em Volta Redonda nos últimos dias. Ambas belas cidades, embora só uma seja de fato maravilhosa. O legal de dirgir com meu carro pelas ruas de Volta Redonda foi que passei um mês lá quando tinha 15 anos e você sabe como essa fase dos 14 aos 16 anos é circundada por um halo de magia ímpar. Revi esquinas que estavam esquecidas, relembrei fatos e revisitei experiências que ajudaram a talhar o que sou.

O legal de dirigir com meu carro pelas ruas do Rio foi não ter entrado por engano em nenhuma favela.

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R$ 67,20. Foi o que paguei de pedágio nessa viagem, indo pela Rodovia Carvalho Pinto.

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Se alguma coisa dá errada nos últimos dias eu lembro logo do futebol e aí dou gargalhadas pois as coisas se colocam em perspectiva.

Posted by marcol at 1:55 PM | Comments (4)

junho 21, 2005

Jungianas Este final de semana

Jungianas

Este final de semana tive um sonho perturbador. É coisa rara de me ocorrer e por isso mesmo optei por registrar o efeito que me causou. Sonhei que uma conhecida, que freqüenta a mesma igreja que eu, me convenceu a juntar-se a ela e mais seis "irmãos" para juntos roubarmos não sei o quê dentro de um shopping. Não sei bem o que aconteceu, sei que não fiz bem a minha parte do plano, e que a coisa não deu certo, dois do bando foram presos e começaram a delatar os demais.

Sem tiros ou perigos físicos, o elemento aterrorizante do sonho estava em me ver naquela situação. Eu me perguntava o que estava fazendo no meio de ladrões e morria de medo da diluição da minha imagem perante minha família e igreja. Primeiro tentei por toda sorte dissimular minha participação, negava tudo a quem me interpelava. Depois disse que meu advogado havia orientado a não falar se era ou não verdade meu envolvimento. Por fim, qual um Michael Jackson às vésperas do veredito, comecei a imaginar a vida na prisão e fugir de todo e qualquer contato social que poderia apresentar uma ameaça de julgamento na cabeça de meus interlocutores.

Por mais que eu acordasse e dissesse a mim mesmo que não passava de um sonho, tornava a sonhar com aquela situação labiríntica.

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O pavor de descobrirem manchas de caráter insuspeitadas em mim serviu de metáfora para um pavor bem real e que eu desconhecia, relacionado com as manchas que realmente existem.

Coincidentemente, li ontem em "Rumores de outro Mundo", de Philip Yancey:

Quero aparentar respeitabilidade e que estou no controle da situação, uma aparência que o arrependimento faz em pedaços. Ele exige de mim o reconhecimento, abertamente, da falha e da fraqueza que normalmente procuro esconder.

Yancey descreve a reação de Nixon e Clinton quando foram colocados contra a parede. O primeiro, no Watergate, jamais confessou culpa, referiu-se a "erros de interpretação" e coisas vagas do gênero. O segundo negou tudo até que as evidências do caso Lewinski o deixaram cas calças na mão e ele foi forçado a admitir a culpa ante a nação.

Saber de minha reação ao flagrante exposta nessa projeção de meu subconsciente me deixou cá pensando: o que zelo mais? Minha imagem e reputação ou a verdade? E o que seria mais correto: zelar por uns ou pela outra?

O Sombra sabe.

Posted by marcol at 11:56 AM | Comments (7)

junho 14, 2005

Sem sentido A noite ia

Sem sentido

A noite ia alta quando finalmente lhe ocorreu levantar-se. Firmou-se nas pernas com alguma dificuldade e saiu passando sobre seus homens vencidos pelo sono e pelo álcool espalhados pelo salão do templo. Logo estava passando não mais sobre homens adormecidos, mas sobre cadáveres, a maioria esmagadora dos derrotados. O pátio do templo estava cheio deles. Seus pés chapinhavam no sangue que se ia juntando sobre as crostas de coágulos negros enquanto a brisa fresca da noite inoculava alguma lucidez em sua mente.

Na sacada, admirou o espetáculo sob a luz da lua. A cidade ardia em chamas. Logo abaixo da sacada alguns de seus homens ainda violentavam uma mulher que ele logo notou já estar morta. Eles contudo, não pareciam dar conta do fato e repetiam-se sobre ela, o que devia estar acontecendo havia pelo menos seis horas.

Curvando-se para ver melhor, resvalou em algo que caiu sobre seu pé. Era o corpo de uma criança de três ou quatro anos com o crânio aberto. Tinha os miolos expostos e a boca contraída num rictus estranho que dava um aspecto de hilaridade desesperada.

Alguma lucidez. A garganta raspava, estava rouco de gritar de ódio e depois de júbilo. A mão direita se contraía como que ainda empunhando a espada, involuntariamente de tempos em tempos. Seus olhos ardiam. As chamas ardiam. A cidade ardia e o peito dele. Não, gelava. Com alguma dificuldade formulou uma pergunta que na seqüência, como que para enfatizar a necessidade de resposta, repetiu em voz alta: o que se faz quando se conquista o inimigo?

Repeliu com um chute o corpo da criança, abriu os braços para a cidade que agora era sua e gritou, interrompendo a atividade que ocorria abaixo da sacada: e agora?! O que é que eu faço com isso?!

E passou a viver sem sentido.

Posted by marcol at 6:31 PM | Comments (7)

junho 9, 2005

As pompas do mundo "Enfrentamos

As pompas do mundo

"Enfrentamos cadeia, tortura e exílio e, de certa forma, sobrevivemos moralmente inteiros. A experiência do poder quebrou mais nossa vontade do que todos os paus-de-arara; os holofotes e o cordão de puxa-sacos nos confundiram mais do que choques elétricos. Amigos que enfrentaram horas de tortura para salvar os outros hoje se dedicam a produzir notinhas, uns contra os outros".

Fernando Gabeira (ex-PT, de volta hoje ao PV)

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"As pompas do mundo" é o título de um excelente livro de contos de Otto Lara Resende. Sacou a frase, se a memória não me engana, de uma prece ou apótema do missário católico.

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Esse binômio poder/corrupção, prosperidade/decadência moral é talvez a mais constante das certezas históricas.

Me fez pensar no objeto dos postes abaixo, na sede por aplausos e reconhecimento. Enfim, objeto de temores sinceros.

Posted by marcol at 11:56 AM | Comments (5)

junho 8, 2005

Sanduíche-íche-íche II Faltou dizer que

Sanduíche-íche-íche II

Faltou dizer que a tal parada é uma cartilha de dicas para consumidores que compram pela internet. Pra dar o bom exemplo às criancinhas, esqueci completamente desse negócio e dormi até as sete e pouco. Mas apareceu lá (SBT, 6 e 15 da matina), eu falando metade de um terço duma frase. Outra experiência curiosa mas também aflitiva foi falar ao vivo pra rádio Bandeirantes ontem. Tirando o fato de eu chamar o âncora do programa de Fernando, quando era Felipe, parece que a coisa fluiu bem. Foi o que me disse um amigo desocupado que tava ouvindo rádio AM às 14h00 e que chorou de emoção ao ouvir minha voz tonitruante surfando nas ondas do rádio. Daqui a pouco falo pra CBN. Faço todo esse relato pra você ter mais respeito, leitor bissexto. Eu sou uma pessoa importante. Ao menos mamãe jura que sou, e ela jamais mentiu pra mim.

Posted by marcol at 12:46 PM | Comments (1)

junho 7, 2005

Sanduíche-ícheí-che, eu? É que uma

Sanduíche-ícheí-che, eu?

É que uma parada que eu estava coordenando foi lançada hoje, com direito a coletiva de imprensa e o escambau. Aí me entrevistaram pro SBT. Você quer ouvir minha voz aveludada e conferir meu perfil clássico e jucundo? Vai rolar numa chamadinha rápida às 17h00, depois no jornal da meia-noite, pros notívagos, e no jornal de amanhã das 06 da matina, pros que madrugam.

Experiência interessante, craro, mas, creia-me, extremamente constrangedora.

Posted by marcol at 1:09 PM | Comments (3)

junho 6, 2005

Ludopédio Como outros tantos, passei

Ludopédio

Como outros tantos, passei a gostar de futebol quando o time com o qual até então eu só simpatizava começou a arrebentar a boca do balão. Calhou de essa fase áurea do São Paulo F.C. coincidir com meu ingresso na faculdade, onde para ter alguma vida social eu precisava necessariamente estar a par do que ocorria nos gramados. O mix duma coisa com a outra me tornou um apaixonado - pero sin fanatismo - pelo esporte bretão.

Ver um goleiro fazer dois golaços de falta em um mesmo jogo, ver um garoto esquálido passar o pé sobre a bola repetidas vezes deixando o marcador desnorteado, ver um outro menino conduzir a bola na cabeça por longos metros ou até mesmo um volante interromper o curso de um atacante num momento totalmente inusitado - e sem falta, of course - são exemplos recentes da beleza desse esporte. Essa beleza está, em grande parte, no inusitado. No inesperado. Na liberdade de criação que nem técnicos retranqueiros são capazes de sufocar.

Quem não gosta ou admira decerto jamais tentou fazer um passe de três metros com o pé pra ver o quão difícil é. Eu, que atingi a marca máxima na escala de descoordenação motora da OMS, fico pasmo quando vejo coisas como as acima nominadas, mais o lençol do Kaká, os passes sem olhar do Gaúcho, a puxeta do Zé Roberto.

Mas não se trata apenas de coordenação motora. Não fossem as mil possibilidades do esporte, ainda não totalmente exploradas, como se nota nos bons jogos como o de ontem e o de quarta-feira passada, a empolgação não seria tão grande. Quem imaginou que veria um goleiro artilheiro? Quem sonhava com uma geração como essa um dia?

Passa o tempo e cada apito inicial continua sendo uma promessa de que algo genial pode acontecer. O futebol não se esgota e eu sou brasileiro. Tenho muito que agradecer.

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Engraçadíssima a incapacidade dos globais Falcão, CasaGrande e Galvão de prestarem as lôas que merece um jogador como Kaká. O Brasil com um a menos, ele pega a bola e, de costas, faz um lançamento milimétrico para Robinho marcar seu gol. Incensa-se Robinho, chama-se de gênio e outras coisas - merecidas, todas, por supuesto - e, sem nenhum destaque à jogada realmente estupenda do meiocampista do Milan, o narrador acrescenta: "o Kaká não faz jogadas brilhantes, mas tem um posicionamento tático importante". Da onde sai essa atitude? Seria decorrência do avesso à confissão religiosa do rapaz e à sua estrita coerência com ela? Kaká aproveita toda oportunidade para enaltecer sua formação evangélica e cita a Bíblia a torto e a direito. Não se acham deslizes em sua vida extra-campo. Ele não tem prazer algum em posar de esperto ou bad boy. Diferentemente de outros tantos evangélicos, Kaká é coerente. E isso incomoda. Ou ou que mais explicaria tanta miopia? Em tempo e à guisa de desagravo: Kaká é absolutamente genial. Se tivesse dinheiro para trazer um único medalhão do futebol mundial para meu time, não pestanejaria: seria ele.

Posted by marcol at 1:15 PM | Comments (10)

junho 1, 2005

De repente Bateu uma vontade

De repente

Bateu uma vontade de engasgar ao ouvir "Vento no Litoral". Uma vontade de sentir o coração disparar sem mais nem mais ante a visão de alguma garota imberbe tamaqueando pelas calçadas duma cidade litorânea. De olhar para o mundo à minha volta e morrer de insegurança pelo que ele pensava de mim. De sorrir ante a mínima expressão de espirituosidade. De apagar a luz e botar Waiting for the night, do Depeche Mode, ou Niagara, do Inspiral Carpets, no meio da noite da casa vazia. No máximo volume. Com um travesseiro na cara. De escrever e desenhar um diário. De hesitar ante a pergunta sobre o que eu seria quando crescesse. De ler Ana Karenina recostado no meu travesseiro de solteiro, torcendo pra ninguém lembrar que eu existia pelas horas seguintes. Deu, de repente, uma nostalgia.

Que passa logo, porque a vida insiste.

Posted by marcol at 6:35 PM | Comments (9)