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maio 31, 2005
A incrível e inacreditável história
A incrível e inacreditável história de Andrzej
Recebi uma bolsa do Instituto Indiana Jones para efetuar pesquisas relevantíssimas sobre o comportamento escolar das crianças paraibanas na década de quarenta. A missão era difícil mas altamente recompensadora, já que eu teria uma bolsa de R$ 60,00 por semana, paga em espécie (rapadura). Peguei um ita no norte, seja lá o que isso queira dizer, e fui dar, ops, cheguei à ensolarada Paraíba em 18/03/1999.
Minhas credenciais do IIJ abriram muitas portas, de modo que tive acesso a farta documentação, tais como anais escolares, cópias de boletins, cópias mimeografadas de provas e do Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Independência, Hino da República, Hino da Paraíba e de um certo "Pequeno Tratado sobre Como o Consumo de Charque Pode Dar Cabo das Mazelas da Humanidade", de Emílio Assado.
Foi ali que tomei conhecimento da incrível história de Andrzej Wojciechowski, um garoto filho de imigrantes poloneses que inclusive recebeu esse nome em homenagem a um grande herói de guerra polonês, Andrzej, que, sozinho e armado apenas com uma baioneta e uma partitura da Marselhesa, impediu a invasão russa em Praga em 1867. Mas isso não vem ao caso. A história de nosso Andrzej é que interessa, e conta ela que este garoto sofreu horríveis maus tratos por parte de seus coleguinhas do agreste, devido à alvura de sua pele. Apelidaram-no de Baba de Bode e aplicaram-lhe surras sistemáticas até que ele se tornou um temível cangaceiro, revoltado contra tudo e contra todos. Agia sozinho e consta que após dizimar uma cidade inteira, cantava uma melancólica canção polonesa sobre uma menina que perdeu seu barquinho de madeira nas correntezas do rio Pó.
Andrzej teria sido morto tocaiado. Quase o não reconheceram, já que o sol da caatinga mudara-lhe terrivelmente o aspecto, crestando-lhe a alva pele. Mas o ardiloso tenente Capristano, responsável pela tocaia, fê-lo soletrar Androceu, Nefelibata, Draconiano, Resma, Zabumba, Ernestinho e Jactância, pegando o jovem cangaceiro em seu ponto fraco. Foi só quando ele foi incapaz de dizer Chibolete é que veio a ordem para atirar. Até lá os soldados tinham se divertido, rindo estrepitosamente.
Andrzej morreu com apenas treze anos, mas tornou-se uma lenda no sertão. Ninguém nunca pronuncia as palavras acima juntamente, pois reza a lenda que, se assim o fizerem, o espírito de Andrzej aparece e dá na cabeça do cabra da peste com um nacão de charque.
Êita, que cheiro de carne seca é esse?... TAPLEFT!
Posted by marcol at 12:28 PM | Comments (4)
maio 25, 2005
Além da imaginêichan Era um
Além da imaginêichan
Era um daqueles dias. A mão dele suava no balaústre do ônibus lotado. Lá fora a borrasca não dava trégua e o trânsito não desatava. Todo mundo que tinha celular - ou seja, todo mundo - se entretinha ligando pros respectivos patrões e dizendo da dureza que estava chegar no serviço aquele dia. Ele evitava fazê-lo. Se entretinha olhando os narizes das pessoas. Aquele ali é chato demais. O do lado é batatinha. Aquele outro é estranho, não combina com o rosto. Grande demais. Opa, aquele ali é bem bonitinho.
De repente viram-se cercados por luz e a temperatura também aumentou considerávelmente e de repente. O ônibus estava, sem mais nem mais, no meio de uma selva. Após os gritos de susto e a primeira perplexidade o motorista abriu as portas e todos desceram. Olhavam-se em busca de uma explicação, mas ninguém a possuía.
Descobriram-se numa ilha deserta, daquelas. Aprenderam a construir cabanas. A pescar. A comer côcos. Com o tempo foram perdendo os pudores, passando a andar de roupas íntimas, apenas, por conta do calor. Tiveram de criar leis para o bom relacionamento. Definir a área que serviria para banheiro.
E ele se viu líder daquele grupo. Os romances já pipocavam fazia tempo quando ele enfim cedeu à própria carência, à pressão do grupo e, sobretudo, à beleza daquele narizinho. Numa outra situação jamais teria se envolvido com ela. Era um tanto vulgar, nunca havia lido um livro, aparentemente. Mas ali os predicados que melhor dispunha sobressaíam. Eram o casal perfeito para aquela situação: o líder e a bela. Outros tentaram mas ela soube rechaçar, afiar os ardis e esperar. Até que ele cedeu. Jogou a aliança e a memória da família feliz que outrora tivera, com os três filhos, ao mar.
Teve outros dois filhos ali. Até o dia em que decidiram fazer uma festa dentro do ônibus, que estava todo estropiado lá, no meio da ilha. Foi o último colocar o pé ali dentro e viram-se outra vez no mesmo ponto da avenida parada naquele dia chuvoso. Agora bronzeados, barbados, cabelos compridos. Alguém olhou o relógio, que não funcionava mais fazia tempo, mas agora funcionava, e notou que não havia passado mais do que dois minutos desde o momento do "teletransporte".
Todos olharam para ele em busca de uma explicação. Mas não havia.
* * * * * * *
Evidentemente este conto foi cunhado embaixo d'água que cai sobre São Paulo. Como tantos, não consegui chegar ao trabalho hoje, dei meia volta volver e de fato volví. Nem por isso a história chega a ser baseada em fatos reais, como você já deveria imaginar.
Posted by marcol at 4:47 PM | Comments (5)
maio 20, 2005
Outro questionário A febre dos
Outro questionário
A febre dos questionários continua.
P.: Que livro você deveria ter escrito e que filme devera ter feito mas algum sem graça chegou antes?
R.: Livro: Abdias, do Cyro dos Anjos. Filme: Morangos Silvestres.
P.: Que livro/filme você acha que foi injustamente menosprezado pela crítica?
R.: Não acompanho muito crítica literária, mas gostei muito de "À espera dos Bárbaros", do agora nobel J.M.Coetzee e que não vi ninguém comentar. Quanto a filmes, dos recentes, gostei, por exemplo, duma comedinha romântica despretensiosa que se chama Alex & Emma e da qual nem ouvi falar pela mídia. Mas é Bob Reiner, que é sempre interessante.
P.: E vice-versa?
R.: O melhor exemplo dum filme que achei podre e que foi incensado pela mídia é O Marido da Cabeleireira. Consegui arrancar um amigo que estava até verde de tanto estudar pro vestibular e fomos ver esse filme. Ele ficou com a nítida impressão de que deveria ter continuado decorando fórmulas de física. Quanto a livros, devo confessar que uma série de clássicos não me dizem patavinas. O Vermelho e o Negro, de Stendhal, e Madame Bovary, do festejadíssimo Flaubert, por exemplo. Esta semana terminei A Montanha Mágica, do Thomas Mann. Excelente aula de redação, mas... qual a razão das quase 900 páginas mesmo? Deve haver alguma metáfora brilhante escondida ali, mas confesso que passou léguas acima de mim.
P.: Que filmes mudaria o final?
R.: Um sonho de liberdade, por exemplo, poderia ficar sem a última sequência. Se fechasse em Morgan Freeman no ônibus, teria valorizado bem mais o final.
P.: Qual o melhor final de filme/livro de que vc se lembra?
R.: O melhor é dureza. Antes do Por-do-Sol, entre os recentes, ganha fácil. Meu, que final foi aquele?! O final de Abdias retro mencionado é belíssimo, o de Olhai os Lírios do Campo também. Ninguém perguntou, mas e o final de Watchmen, a mini-série em quadrinhos que revolucionou as HQs? Lembrei agora também dum filme muito bonito, embora pouco comentado, chamado Inimigo Meu. Uma ficção científica que funciona como libelo anti-racismo. Grande final. Pra dar um final apoteótico a essa resposta: Cinema Paradiso. O melhor final-que-não-diz-nada-mas-que-significa-muito de todos os tempos.
E vosmecê? Far-me-ia (urgh) a fineza de responder também, pra eu ver?
Posted by marcol at 10:43 AM | Comments (8)
maio 17, 2005
Minha lista, Ridley Scott e
Minha lista, Ridley Scott e a ausência de biscoitudas
1. O povo perguntou: e a tua lista, cadê? Digo, das dez coisas que preciso fazer antes que o primeiro verme rôa as frias carnes de meu cadáver. Acredita que nem tinha pensado em eu fazer uma lista? Mas seria algo assim:
1- Ter uma filha chamada Clara. De preferência com a cara da mãe dela.
2- Andar de bicicleta pelo bairro da Chácara da Flora com meus dois filhos e depois tomar caldo de cana não catarinense no mercadão de Santo Amaro.
3- Ver meu pai mandar às favas o entulho que amontoou para não crer, e ajoelhar-se e orar comigo.
4- Comer um fondue com a Tatiana nos Alpes Suíços (tem isso lá?).
5- Mergulhar num daqueles mares Lagoa Azul, pode ser na Tailândia, pode ser em Cancun, tá valendo.
6- Terminar Em Busca do Tempo Perdido.
7- Publicar um livro de cunho cristão.
8- Publicar um livro de ficção.
9- Aprender a gostar de música erudita além do Fauré e do Barber.
10- Andar na praia, velhinho, segurando as sandálias da Tatiana.
************
2. Estou em Vitória e pra matar tempo ontem fui assistir a Cruzada, num cinema mais ou menos aqui. Ridley Scott, que andou por Blade Runner e Gladiador desta vez optou por uma narrativa diferente, de ritmo e continuismo estranho. Isso chega a ser uma virtude. É bom ver um cara que não pára no tempo, não se repete toda hora. Mas o filme tem um defeito que considero grande: excesso de close ups. Cansei de ver cada ruga do Orlando Bloom e da bela atriz que faz as vezes da irmã do rei de Jerusalém.
No mais, a história é boa e lança os holofotes sobre um tempo fascinante. Tem, é claro, um monte de coisas típicas da mentalidade de século XXI, mas ainda assim o grosso da história parece ter sido respeitado, o roteiro é fiel.
Não empolga mas ainda assim é muito melhor de se ver do que qualquer abobrol que grassa por aí.
(em tempo: abobrol é ótimo quando é abobrol assumido. Quando não, como é o caso da maior parte dos filmes de ação, meleca total)
************
3. Completei 40.000 visitas e não postei nenhuma biscoituda. Mal, sapão. Tencionava buscar alguma pra não deixar a data passar in albis, mas viajei, quando voltei à página já tinha estourado a marca e agora fica pros 50.000. Desculpa aí, Baiano, seu tarado.
Posted by marcol at 9:37 AM | Comments (0)
Minha lista, Ridley Scott e
Minha lista, Ridley Scott e a ausência de biscoitudas
1. O povo perguntou: e a tua lista, cadê? Digo, das dez coisas que preciso fazer antes que o primeiro verme rôa as frias carnes de meu cadáver. Acredita que nem tinha pensado em eu fazer uma lista? Mas seria algo assim:
1- Ter uma filha chamada Clara. De preferência com a cara da mãe dela.
2- Andar de bicicleta pelo bairro da Chácara Flora com meus dois filhos e depois tomar caldo de cana não catarinense no mercadão de Santo Amaro.
3- Ver meu pai mandar às favas o entulho que amontoou para não crer, e ajoelhar-se e orar comigo.
4- Comer um fondue com a Tatiana nos Alpes Suíços (tem isso lá?).
5- Mergulhar num daqueles mares Lagoa Azul, pode ser na Tailândia, pode ser em Cancun, tá valendo.
6- Terminar Em Busca do Tempo Perdido.
7- Publicar um livro de cunho cristão.
8- Publicar um livro de ficção.
9- Aprender a gostar de música erudita além do Fauré e do Barber.
10- Andar na praia, velhinho, segurando as sandálias da Tatiana.
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2. Estou em Vitória e pra matar tempo ontem fui assistir a Cruzada, num cinema mais ou menos aqui. Ridley Scott, que andou por Blade Runner e Gladiador desta vez optou por uma narrativa diferente, de ritmo e continuismo estranho. Isso chega a ser uma virtude. É bom ver um cara que não pára no tempo, não se repete toda hora. Mas o filme tem um defeito que considero grande: excesso de close ups. Cansei de ver cada ruga do Orlando Bloom e da bela atriz que faz as vezes da irmã do rei de Jerusalém.
No mais, a história é boa e lança os holofotes sobre um tempo fascinante. Tem, é claro, um monte de coisas típicas da mentalidade de século XXI, mas ainda assim o grosso da história parece ter sido respeitado, o roteiro é fiel.
Não empolga mas ainda assim é muito melhor de se ver do que qualquer abobrol que grassa por aí.
(em tempo: abobrol é ótimo quando é abobrol assumido. Quando não, como é o caso da maior parte dos filmes de ação, meleca total)
************
3. Completei 40.000 visitas e não postei nenhuma biscoituda. Mal, sapão. Tencionava buscar alguma pra não deixar a data passar in albis, mas viajei, quando voltei à página já tinha estourado a marca e agora fica pros 50.000. Desculpa aí, Baiano, seu tarado.
Posted by marcol at 9:37 AM | Comments (7)
maio 11, 2005
10 coisas que eu preciso
10 coisas que eu preciso fazer antes que a indesejada das gentes me visite
Perguntei a quatro blogueiros que eu admiro muito as 10 coisas que precisavam fazer antes de bater as botas. Meio macabra, a pergunta? Nem tanto. A idéia é focar no sonho, nas aspirações que temos pra esse troço fugaz a que chamamos, talvez um pouco arrogantemente, de existência.
As respostas deles revelam espirituosidade, humor, inteligência, cultura, mas, sobretudo, o reconhecimento de que há na vida ainda uma penca de possibilidades e alvos que valem a pena sangrar pra alcançar. Sem essa fome, que sentido faz tudo isto? Confira:
From Alexandre Inagaki-San:
1- Namorar uma ruiva legítima;
2- Me perder dentro da Sagrada Família do Gaudi em Barcelona;
3- Escrever um livro bom o suficiente para não ir parar no balcão de encalhes 6 meses depois do lançamento;
4- Ter dinheiro suficiente para não precisar mais vender meu corpo no submundo paulistano sob a alcunha de "Kamizake do Amor";
5- Viver numa casa de praia que tenha piscina (posto que detesto água salgada), curtindo a brisa do mar enquanto leio meus Manns, Goethes e Borges sossegadamente;
6- Aprender a tocar pelo menos um destes instrumentos: harpa, violino, cello ou theremin;
7- Pular de pára-quedas;
8- Transar no topo de um prédio e lançar meu gozo no espaço (pobre dos incautos que estiverem transitando na hora);
9- Ser fluente em outro idioma que não seja portunhol ou língua do pê;
10- Cair de Amor e ser reerguido por ele.
Do Milton Ribeiro:
1.Ter um filho com a Claudia.
2.Ficar com ela para sempre.
3.Viver muitos anos.
4.Morrer antes de meus filhos e amigos.
5.Ir a um puteiro dos bons para fazer tudo o que desejar. Nunca fui num.
6.Escrever um livro.
7.Publicar um livro.
8.Comprar um Karmann-Ghia.
9.Ganhar dinheiro para viver e não depender de outros.
10.Trabalhar sempre.
Do Nelson Moraes:
1.Terminar de ler “Em Busca do Tempo Perdido” (hum, acho que essa eu poderia ter deixado por último...)
2.Conhecer a Itália de cabo a rabo
3.Conhecer a França (mas como a viagem à Itália talvez tomasse muito tempo, talvez só o sudoeste francês: mais precisamente Bordeaux, terra de meu ídolo Montaigne)
4.Aproveitar que a visita a Bourdeaux foi rápida e ir comer pistaches ao rum em uma estalagem suja da Bretanha (ou você acha que o nome do meu blog é aleatório, marujo?)
5.Aproveitar que continuo na Europa e dar um pulo em Strattford-Upon-Avon para cuspir no túmulo de Shakespeare (quem aquele careca pensa que é?)
6.Na saída pela península ibérica, tomar um porre de Dão Grão Vasco, em Sintra
7.No desembarque no Brasil, comprar uma casa de praia em Porto de Galinhas, Pernambuco
8.Vender a casa de praia, ao descobrir que não existe hospital por perto (afinal eu também não preciso apressar a Indesejada das Gentes, não é?)
9.Recomeçar a ler “Em Busca do Tempo Perdido”(comemorando porque consegui tempo regulamentar para isso!)
10.Ainda que não seja necessário, explicar com todas as letras que no item 4 I was just kidding, babes.
From Tiago Casagrande, el Tiagón:
1.Escrever uma comédia para o cinema
2.Arranjar uma namorada francesa
3.Fazer snowboarding
4.Incentivar a arte como uma expressão possível de todas as pessoas
5.Levar o(s) filho(s) ao Estádio Olímpico Monumental
6.Tatuar um dragão chinês no braço
7.Passar uma temporada em Chicago pra curtir todos os clubes de jazz
8.Sair para uma noite completa sem me preocupar com a gastança
9.Fazer um stage diving/moshpit
10.Morar num loft que tenha uma bateria e um forno de pizza
Posted by marcol at 4:34 PM | Comments (14)
maio 9, 2005
Visitando Milton Ribeiro foi que
Visitando Milton Ribeiro foi que descobri o questionário abaixo. Além de me lembrar os velhos cadernos de perguntas da sétima série do ensino fundamental, este questionário em especial fala de livros, uma coisa que tenho na conta de alta paixão. O problema é que todo mundo que respondeu a este questionário foi desafiado a fazê-lo por um outro blogueiro e ninguém me desafiou a nada. Whatever!
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
A pergunta, formulada em tom lusitano, é bastante difícil. Quer dizer, responder é fácil: Abdias, de Cyro dos Anjos, meu romance predileto, o único livro que li duas vezes, obra prima de um mestre pouco ou nada conhecido em seu país e muito menos fora dele. A pergunta é difícil porque difícil é eu decorar um livro inteiro, como acontece no Fahrenheit 451. A memória não ajuda. Se ajudasse, aliás, eu escolheria outro: O Desejado de Todas as Nações, o melhor livro sobre a vida de Jesus Cristo que eu acredito tenha sido escrito. Por Ellen Gould White, no caso.
2. Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Apanhadinho, explica Milton Ribeiro, é a mesma coisa que apaixonar-se, ficar caidinho. Well, temos Kitty Tchierbatsky, de Ana Karenina, do Tolstoi, que foi uma criatura encantadora. Mas a Olivia de Olhai os Lírios do Campo, do Erico Verissimo, sempre me tocou profundamente. A ponto de eu querer ir lá abraçar e consolar um pouco.
3. Qual foi o último livro que compraste?
O último livro que comprei foi The Tale of Two Cities, do Dickens. Em inglês. Tomei na cabeça, o inglês de mr. Dickens é difícil demais, tou pastando muito pra avançar na leitura.
4. Qual o último livro que leste?
Na última sexta-feira terminei "O Deus (in)visível", de Philip Yancey. Yancey é um jornalista norte-americano, cristão, que aborda os temas dos quais todos os teólogos fogem, como "por que a gente sofre?", "será que Deus existe mesmo?", "como se relacionar com um Deus que não se pode tocar?", "por que acontecem coisas ruins a pessoas boas?" etc. Ele o faz com uma sinceridade e um arsenal de idéias impressionante. Neste último livro dele que li, aborda o mistério que é alguém ter fé no tempo em que a gente vive. É impressionante, um livro realmente genial e inspiradíssimo.
5. Que livros estás a ler?
Além do já mencionado Conto de Duas Cidades, o que tem me tomado mais tempo é A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Uma delícia.
6. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
É claro que um deles seria um livro que jamais se esgota, ou seja, a Bíblia. Levaria também O Grande Conflito, da já citada Ellen White, A Crítica da Razão Pura, de Kant (porque, numa ilha deserta, eu não teria como escapar à leitura), alguma compilação bem grossa do Luis Fernando Verissimo para contrabalançar e, por fim, No caminho de Guermantes, que é o próximo volume de Em busca do Tempo Perdido, do Proust, que eu preciso ler.
* * * * * * * *
Estou preparando uma versão consolidada de O Diário de Macondo, porque uma parcela expressiva de meu "leitorado" (duas pessoas, a Nora e a Adelaide Amorim - e duas pessoas é quase maioria absoluta do tal leitorado) confessaram que não leram a seqüência toda e gostariam de fazê-lo. Botar tudo num canto só ajudaria bastante e me daria a chance que eu precisava para repensar aquele final, que não convenceu ninguém. A ver. Para os próximos dias.
Posted by marcol at 12:53 PM | Comments (5)
maio 5, 2005
Enquanto isso, naquele almoço de
Enquanto isso, naquele almoço de negócios
A conversa transcorria bem tranqüila. Adaílton dizia, ajeitando o guardanapo sobre o colo:
- Pois é, Florêncio, o projeto não andou um pouco por culpa minha. Eu deixei a coisa em banho maria e...
Poft. Florêncio tascou-lhe um murro no meio do queixo. O corpo de Adaílton projetado para trás derrubou a cadeira do cara que estava na outra mesa, um garçom e dois copos com Coca-cola light.
- Se o que é importante pra mim não é importante pra você - disse Florêncio com insuspeitada ira - coisas que para você são importantes, como seu rosto, não são para mim.
Todos fizeram "oh".
Posted by marcol at 1:58 PM | Comments (6)
maio 3, 2005
Instantâneo sorridente Aí eu chego
Instantâneo sorridente
Aí eu chego em casa numa segundona modorrenta e encontro lá meu melhor amigo e sua dileta esposa. Fato que haveria de ser pouco digno de nota, não estivesse meu amigo até dois dias antes em Maputo, Moçambique. Chegaram sem avisar ninguém e vieram matar a gente do coração de susto e de alegria.
Ele de barba e meio corcunda pelo estress que passou lá como gerente financeiro de uma ONG benemerente atrelada à igreja adventista, ela com rugas do sol que tinha que enfrentar no trabalho de coodenadora de projetos de alfabetização de adultos e de saúde pública. Eu, mais careca, minha esposa mais linda e meu filho maior, um gigante. A gente fica se olhando um tempão sem dizer nada.
Aí diz uma enxurrada de coisas, na trôpega tentativa de se atualizar. E entra madrugada e a gente tem que se despedir outra vez, mas resta o consolo de que agora é um até breve realmente breve.
No dia seguinte lembramos cristalinamente de histórias extraordinárias de choques de culturas, vitórias e fracassos. E resumimos asseverando de si pra si: boa coisa é termos amigos.
* * * * * *
Aliás, amizade é troço que rima muito mal com distância. Só acrescentando saudade é que o poema fica justo e exato. Triste, mas justo e exato.
Posted by marcol at 12:56 PM | Comments (4)