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abril 12, 2005

História Fiz meu então chamado

História

Fiz meu então chamado segundo grau no então chamado Instituto Adventista de Ensino. Hoje ele se chama Centro Universitário Adventista de São Paulo, mas se você falar Unasp ele olha, sem frescuras. Apesar de me haver formado há quinze anos (catzo!) nunca desatei os nós com a instituição. Cantei em corais lá um bom tempo e hoje em dia me limito a visitá-la aos sábados, já que sou membro da igreja que congrega ali.

Pois bem, o dito cujo está completando 90 anos de existência. Vão fazer um programa musical (música é o forte do lugar) para comemorar a data e me pediram pra revisar os textos. Me diverti de montes fazendo a coisa, porque mergulhei na riquíssima história desse solo e descobri coisas que nem imaginava.

Que, por exemplo, o Unasp, então Colégio Adventista, foi invadido pelo exército brasileiro em 1917, já que um jornal paulistano publicou artigo defendendo a teoria de que o Colégio era na verdade uma base avançada dos alemães, então em guerra. Descobri que a estrada que liga São Paulo a Itapecerica da Serra foi cascalhada e teve seu traçado definido pelos alunos do Colégio, cansados de ficarem ilhados a cada temporada de chuvas. Descobri que foi o excedente da produção da fazenda do colégio que criou a Superbom, a fábrica de alimentos naturais adventista. Aliás, o nome Superbom foi dado por ninguém menos que Getúlio Vargas, que ao provar do famoso suco de uva do colégio disse que era - dãr - super bom. Tem a história do casal de missionários que em 37 voltou do Araguaia com um filhote de anta, que cresceu, chegou a quase 200 quilos e passeava pelos dormitórios do internato como se fosse um gato. Na época da segunda guerra a coisa apertou e vários professores foram presos graças a sermões mal interpretados ou simplesmente por terem ascedência alemã ou japonesa.

Eu sou a quinta geração de alunos dali. Meu filho, que já estuda musicalização infantil lá, é a sexta. No entanto, não sabemos nada sobre o que nos cerca. O passado ainda é um borrão, umas fotos amareladas em paredes cada vez menos visitadas. Só recuperei esse naco da história porque há no Unasp um professor de história obcecado pela memória da instituição. Temos sorte de tê-lo e ainda é muito, muito pouco.

Fiquei pensando em quanta coisa deste país está relegado ao silêncio pela falta de quem reúna os papéis e conte as histórias. Falta a este país, sem dúvida alguma, quem conte as histórias.

Posted by marcol at abril 12, 2005 2:22 PM

Comments

Gostei do texto. Estou em busca de historias sobre o IAE - SP. Eu morei nas proximidades e aquele colegio tinha uma influencia magnifica sobre as pessoas que moravam por ali.

Se tiver mais novidades me mande. Estou preparando um projeto de pesquisa historica.
ficarei eternamente agradecido.

um abraco

Posted by: joao gomes at março 24, 2006 6:50 PM

Será que o blog não é A ferramenta que veio salvar A história?

Posted by: Edu at abril 20, 2005 6:48 PM

Vai ver o exército achou que era um reduto do exército alemão quando percebeu que, já em 1917, o Nevil Gorski estava por lá...

Posted by: Ale at abril 15, 2005 9:15 PM

Pois é, sempre me intrigou isso das coisas acontecerem e ninguém reparar nelas por muito tempo. Se for esquadrinhar, quanto de história se perde com cada ser humano? Depois não sabem porque escrevo tanto! (e olhe que não escrevo nem um décimo do que você escreve, meu querido contador de histórias!) Abraço.

Posted by: Luna at abril 13, 2005 8:33 PM

Uau, Marco, que legal estas velhas historias do IAE! Lamentavel que o Brasil parece ser mesmo um "pais sem memoria". Ja aqui nos States tudo eh super bem documentado. Cada cidadezinha (pelo menos no Massachusetts e aqui na Pennsylvania) tem na entrada dela (mesmo em regioes metropolitanas) uma placa com a data de sua fundacao, soh para dar um examplinho...

Posted by: Lilian at abril 12, 2005 10:21 PM

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