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março 29, 2005
Pascoalina Ontem no fim da
Pascoalina
Ontem no fim da tarde, cumpadre B.M. me chamou a atenção pra uma iniciativa sua a que chamou Operação Ovo de Páscoa. A idéia era pedir a vários blogueiros de diversas colorações religiosas e ideológicas que escrevessem sobre a páscoa em seus blogs. Ele, a partir do seu, centralizaria indicações para os diversos posts.
Eu não poderia participar por só tomar conhecimento agora e também porque semana passada estava de férias, a milhas e milhas da blogosfera, mas ele me instou a escrever mesmo que atrasado. Nem precisou muito latim, adoro o tema e por isso postergo pra amanhã a prometida continuação do Diário de Macondo. Se você não agüenta mais esse papo pascal, prometo tentar fugir do lugar comum e acrescentar informações raramente abordadas sobre a origem da festa.
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Operação Ovo de Páscoa
Os hebreus eram escravos no Egito havia já 400 anos quando Moisés apareceu e intimou o Faraó a deixar o povo ir. O cabeça-dura respondeu não e repetiu a resposta mesmo após cada uma das nove terríveis pragas que caíram sobre o país na seqüência. Restava uma última. Moisés avisou, o Faraó fez um muxoxo e disse não, nem que a vaca tussa.
O recado de Deus era o seguinte: no dia 14 daquele mês cada primogênito (o primeiro filho da prole), seja de homem ou de animal, morreria à meia-noite. Mas nada de pânico, para que o anjo de Deus passasse por cima da casa e não matasse ninguém (páscoa significa justamente "passar por cima")bastaria que o pai da família, mesmo egípcio, separasse quatro dias antes um cordeiro sem defeito. No cair da noite do dia 14, teria que matar o bichinho, tirar seu sangue e o assar. O sangue deveria ser pincelado nos batentes da porta da casa. Aí todo mundo tinha que comer o cordeiro já preparado para sair.
Depois da meia-noite, então, em meio aos gritos de angústia de toda a nação que descobriu seus filhos mortos e com o próprio filho mais velho morto nos braços, pressionado pelo clamor popular, o Faraó enfim liberou o povo hebreu para ir embora. Aquela libertação fantástica, com mais o que se seguiu (Mar Vermelho se abrindo, etc) passaram a ser comemorados todo ano, integrando o calendário hebreu como a mais importante das sete festas rituais.
A Páscoa sempre foi entendida como uma figura de linguagem de Deus que metaforizava belamente a libertação de cada ser humano da escravidão do pecado. Assim, a páscoa apontava a uma libertação passada no Egito e a uma futura, quando o Messias viesse. Vindo o Messias, portanto, a páscoa perde a razão de ser.
"Jesus Cristo, páscoa nossa" diz a Bíblia, de modo que não há mais sentido em comemorar a páscoa em si, embora católicos gostem de comemorar morte e ressurreição de Cristo com a semana santa, que, aliás, não coincide com a data da páscoa judia, que foi quando Jesus foi morto de fato. Cristo substituiu a matança de cordeiros e tudo o mais que a data envolvia pelo ritual da santa ceia, ou santa comunhão, que é praticada com mais freqüência do que eu entendo necessária por boa parte da cristandade, banalizando um pouco o rito.
Toda essa recordação da história da páscoa, além de jogar ovos, chocolates e coelhos no campo dos enxertos exóticos, me ajuda a entender o mais importante da páscoa, embore eu não a comemore junto da massa, pelas razões já expostas. E o mais importante é isto: para quem vivia no Egito à época da primeira páscoa, não importava apenas haver matado um cordeiro sem defeito (como sem defeito, ou pecado, era Cristo). Ele precisava colocar o sangue na porta, do lado de fora, onde todo mundo pudesse ver.
Da mesma forma, para mim e para você pouco importa haja o Cordeiro de Deus sido morto há coisa de quase 2000 anos. É preciso fazer uma aplicação pessoal daquele sangue, tomá-lo com as mãos e pincelar as portas, onde todos possam ver. É preciso aceitar.
Importante é saber que por trás dos ritos frios há profundidades que precisam ser sondadas.
Posted by marcol at março 29, 2005 9:22 AM
Comments
Só hoje tive tempo & calma & conexão rápida (ontem estava uma tartaruga) para acessar outras páginas; e vim ler a sua, tendo lido o seu recado no b.m.
Gostei; é mais uma contribuição - com ângulo diferente - para a O.O.P.
Gosto do seu tom leve; precisamos disso entre cristãos - seriedade no essencial, mas sabendo ser divertido tb...
Posted by: Claire at abril 1, 2005 6:14 AM
Não sou cristã, mas, adoro ir aos supermercados e ver como ficam enfeitados com ovos de chocolate pendurados até o teto. Aham, espero que não me açoitem, depois dessa confissão...
Posted by: Sakana at março 29, 2005 4:22 PM