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fevereiro 4, 2005

Postício * Arranjei um jeito

Postício

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Arranjei um jeito fantástico de fazer musculação e aula de redação ao mesmo tempo. É só pegar pra ler A Montanha Mágica, de Thomas Mann, que, se num volume só, deve ter umas quase 900 páginas de pura virtuose estilística.

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Descobri aquilo no que se encaixa mais perfeitamente a gíria da moda "ninguém merece": ao viajar de avião, ter nas adjacências alguém com problemas de gases odoríferos, perfumando sem cerimônias o exíguo espaço coletivo. Não, não, no one deserves, como diziam os bretões.

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Era aquele meu amigo verborrágico, magricela, de face oblonga e voz tonitruante e ele estava pegando o ônibus pra ir pra casa do trabalho. Ao chegar perto da catraca, notou que estava sem um tostão furado. O jeito seria pedir ao cobrador que o deixasse passar por baixo da catraca, no tempo em que isso era possível, mas quando abriu a boca para o fazer, viu lá no último banco, e acenando para ele, ninguém menos que o vigia da empresa em que trabalhava. Decidiu sentar ali pela frente mesmo, até pensar numa saída. Uns dois pontos antes de sua casa, o velhinho do primeiro banco levantou-se pra descer e ele, sem pestanejar, levantou-se e sob o pretexto de ajudar o ancião a descer, tomando-o pelo braço, viu-se fora. Do ônibus e da situação aflitiva.

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É como dizia o Millor Fernandes: a diferença entre viver e existir é mais ou menos dez salários mínimos.

Posted by marcol at fevereiro 4, 2005 8:41 AM

Comments

Eu hein?! Falta de educação do cidadão do avião...ninguém merece! E, bem espertinho o moço do ônibus, hein?!

Posted by: Day at fevereiro 10, 2005 5:44 PM

Hm, ficou estranho. De novo: a gente entregava a fichinha da passagem escolar e o cobrador devolvia metade do valor.

Ah, agora sim :)

Posted by: tiagón at fevereiro 10, 2005 4:36 PM

No meu tempo de segundo grau, eu estudava num colégio técnico atrás duma vila bem pobre (que é vista nas locações de Meu Tio Matou um Cara, inclusive). Pra chegar lá, eu pegava o ônibus Linha 03 - Vila Farrapos. E os cobradores instituiram o chamado "pulinho"; no meio da vila, longe dos fiscais, a gente pagava só meia passagem e pulava a roleta; a outra metade provavelmente era rachada entre o cobrador e o motorista...

Enfim, tive uma reminiscência, compartilhei-a. Uuuuh.

Posted by: tiagón at fevereiro 10, 2005 4:35 PM

Musculação e redação... Tá bom. Meu amigo Herbert Caro deve estar feliz na tumba por tuas referências à redação. Sabia que meu primeiro post, lá em 21 de maio de 2003, era sobre A Montanha Mágica? Pois é.

Bá, esta coisa de guerra química dentro de aviões e elevadores... Andaste viajando de avião ultimamente?

Abraço.

Posted by: Milton Ribeiro at fevereiro 4, 2005 4:41 PM

Mas você pode driblar os exércicios deixando o livro de pé. Devia arrumar alguém pra vigiar enquanto lia e dava voltas pela sala.

Posted by: b.m. at fevereiro 4, 2005 4:35 PM

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