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fevereiro 1, 2005
Notas de viagem Minha vida
Notas de viagem
Minha vida de caixeiro viajante já reatou. Dessa vez, a idéia parecia ótima: tendo que pegar o avião para Vitória às 17h30 do domingo, compromisso no dia seguinte às 08h00, retorno às 15h00, tomei um belo banho, fiz e escanhoei a barba, botei roupa de audiência (uma calça e uma camisa), tasquei só uma camiseta na pasta, além da escova de dentes, e fui todo feliz de não ter que carregar outra mala.
O dia em Vitória, me garantiram, fora excelente. Verãozão, praia, carnaval de rua. Mas eu, que passara uma semana mofada em São Paulo, levei a chuva. O tempo começou a fechar ali mais ou menos na hora que pisei o chão capixaba. Larguei a pasta no hotel e saí pra ver um restaurante árabe que anunciava nas costas do mapa da cidade. Estava fechado. Refiz meus cálculos e pedi pro taxista me deixar numa certa "Pizzaria Paulista" que havia ali a algumas quadras do hotel, mesmo. A idéia era traçar uma brotinho e andar de volta ao hotel a tempo de pegar o Brasil X Colômbia do mundial sub-20.
Enquanto eu dava as últimas mastigadas, contudo, a chuva começou. Uma pancada que logo passou, ficando só uns respingos que eu constatei dava pra encarar.
Saí, portanto, pela praia de Camburi, andando serodiamente enquanto suaves gotas me orvalhavam; me refrescavam; me umedeciam; CATZO, tão é me molhando todo e eu só tenho essa roupa! Comecei a correr. Quando pisei o chão coberto por um toldo de uma grande sorveteria, o mundo caiu. Uma chuva fortíssima. "Pancada de verão", pensei entrando na lojinha de artesanato pra comprar um imã de geladeira de Vitória. Demorei bastante pra escolher umas carambolas, saí e passei uma hora e quarenta e cinco minutos parado, de pé. Eventualmente, ao passar um táxi com a luz ligada, eu dançava uma rumba pra chamar a atenção, mas ninguém me via, decerto achavam que eu era um folião retardatário.
Gostaria de poder dizer que durante todo aquele tempo, vendo a chuva inclemente entre mim e a bela praia, eu repensei meus valores, revisitei memórias negligenciadas, reencetei projetos de vida, mas a verdade é que eu só conseguia pensar no jogo que eu estava perdendo (no que fui poupado, parece que foi péssimo)e na minha calça encharcada.
Geralmente eu nunca esperaria uma chuva, por forte que seja, passar, mas a roupa... Enfim um taxista mais sóbrio me enxergou. E por sorte havia uma geladeira atrás da qual botei minha calça, que no dia seguinte estava sequinha. E por sorte a audiência terminou cedo e eu pude antecipar o vôo das três pro meio dia.
Mas a chuva só deixou o avião sair às 3 mesmo.
Posted by marcol at fevereiro 1, 2005 8:30 AM
Comments
Perdão Marco, não resisti e caí na gargalhada ao ler seu relato...
Abraços saudosos!!!
Posted by: Fernando Fagundes at fevereiro 11, 2005 11:21 AM
Caçamba, fio! Sabe que Tiba mandou o currículo para uma obra em Alagoas, e o que me consolou foi o pensamento de que você e Tati tem sobrevivido a distâncias maiores? Pois é, pois é, pois é... abração!
Posted by: Luciana at fevereiro 1, 2005 10:13 PM