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janeiro 6, 2005

Ásia, Eisner, Linklatter

Ásia

O Jornaleco publica na sua capa, sob uma excelente citação de John Donne, diretrizes para quem se sente movido a ajudar os países atingidos pelos desastres dessa virada de ano.

Grande iniciativa da Mécia e Cia..

Eisner

Morreu um pequeno gênio do século XX. Will Eisner, conhecido como o criador do Spirit, foi um dos cartunistas que melhor entendeu as potencialidades da história em quadrinhos, uma forma de expressão artística tipicamente século XX, embora os primeiros rabiscos datem do final do século XIX. Cada quadrinho seu era um estudo de expressividade gráfica. Eisner é autor também de diversos livros sobre a arte, mas sobretudo de crônicas sobre sua infância em Nova Yorke e sobre a realidade que o cercava. O trabalho mais belo que conheço dele saiu no Brasil com o nome de O Edifício, pela Editora Abril, uma sinfonia urbana sobre personagens ligados de uma forma ou de outra a um Edifício de NY que vive apogeu e declínio ao logo das décadas. Fantastique, mon ami.

Linklatter

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Como fantastique é Antes do Por-do-sol, a continuação de Antes do Amanhecer, sobre o qual falei ontem. Fui ver com a patroa e saímos ambos em estado de graça.

Li por aí depoimentos de pessoas frustradas. Diziam, a maioria, que este segundo filme não repete os diálogos profundos do primeiro, e que desperdiça a fotografia de Paris focando demais nos personagens.

Ora, eu apartearia que, primeiramente, o diálogo de pessoas de 32 anos (o filme se passa 9 anos depois do primeiro)é fatalmente diferente do de pessoas de 23. É absolutamente natural que Jesse e Celine abandonem preocupações com "as verdades profundas" da vida e se concentrem no que elas mesmas fizeram de suas vidas, sobretudo em como o decurso do tempo frustrou expecativas e demonstrou que alguns sonhos eram inviáveis. Linklatter, o diretor e autor, opta pela verossimilhança, pela possibilidade. Acaba pagando esse preço, de frustrar pessoas que esperavam o mesmíssimo tipo de filme. Há muitas conexões, entretanto: são as mesmas personagens, mas amadurecidas. Lutando para esconder um certo amargor (essa pontinha de melancolia fica na boca da gente e não me deixa parar de pensar em galhos sendo carregados pela correnteza - gente que insiste em manter-se longe de Deus por extremo amor à imagem do que convém a pessoas adultas e cultas do século XXI).

Quanto à segunda crítica, bá, nem merece muito latim. A opção por enquadrar Julie Delpy em lugar de esquinas velhuscas me parece razoável, e quem há de dizer que a atriz francesa não é uma parte considerável do brilho da cidade? Não por ser maravilhosa, mas porque Paris é feito desse tipo de fulgor.

Claro, opinião de quem nunca esteve lá.

O clímax do filme acontece dentro do carro, enquanto Jesse dá uma carona a Celine. Nessa seqüência, longa como todas nesse filme-diálogo, o coração quase me sai pela boca. Arremate-se com um final perfeito e, voilá, mais um filme pra pequena lista de prediletos.

Não assista sem ver ou rever Antes do Amanhecer. Ter assistido aos dois na mesma semana foi. Hã. Sublime. Isso.

Posted by marcol at janeiro 6, 2005 9:43 AM