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novembro 30, 2004
Persélicas
Persela, a Vesga, vive!
Não deixe de perder!
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Miniconto número c:
Afrânio Emilênio alcançou fama, glória e prestígio em meados do século XXIIIIV, com seu revolucionário estudo sobre os efeitos do brócolis na corrente sangüínea. Só ele sabia, contudo, que sempre que se publicava algum estudo sobre brócolis na corrente sangüínea, ele tremia de medo.
Posted by marcol at 6:43 PM | Comments (10)
novembro 29, 2004
Alguém aí viu o James
Alguém aí viu o James Ivory? Cadê ele? Não ouço falar de um filme dele desde o excelente Vestígios do Dia. Será que acabou o suprimento de ótimos roteiros ambientados na Inglaterra vitoriana?
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Neste deserto de idéias do fim de ano (alguém deveria estudar o efeito nefasto do acúmulo de papais noel, decorações metidas a bonitinhas, trânsito intenso, comerciais das casas bahia e a sensação de que o ano tá acabando e falta fazer um monte de coisas sobre a criatividade do ser humano), foi um pouco divertido visitar, numa de minhas hoje em dia raras entradinhas ali no Orkut, os testimonials ue escrevi sobre outras figuras.
Olhas esses dois aqui, ambos pro Inagaki, por exemplo:
Inagaki nasceu em 17 de agosto de 1896, numa pequena vila de pescadores do interior do Japão. Determinado, desde os tenros anos, a descobrir o sentido mais profundo da existência, fundou a primeira casa de tintas de Okaido, que tinha uma sessão dedicada apenas a artigos para presépios. O sucesso o sufocava, contudo, e ele largou tudo para iniciar-se na arte zen milenar de fazer posts para blogues. Muitos anos depois, alcançou a maior glória de sua caminhada: ter-me como seu pupilo, a quem chama carinhosa mas pervesamente de Pequeno Gafanhoto. Aí mostra mais um de seus muitos sentidos meta-humanos: ele, sem me conhecer, pressente que eu esteja caminhando para ser tão careca quanto David Carradine nos primeiros episódios da série Kung Fu.
O outro:
Alexandre Inagaki tem uma incomum inabilidade com a perna esquerda, domina todos os fundamentos, lança em profundidade, às vezes nas profundezas mesmo. Além de tudo, é uma ótima pessoa a nível de ser humano, assim, um cara generoso, capaz de usar a palavra "incauto" sem gaguejar e em profusão. Ele é tudo isso e muito mais.
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Os testimonials podem não testemunhar nada, mas ajudam a ocupar o tempo entre partida de Aquaplay.
Posted by marcol at 3:13 PM | Comments (8)
novembro 26, 2004
Notas de viagem Como havia
Notas de viagem
Como havia adiantado, voltei esta semana a Natal, a noiva do sol. Como na primeira viagem, ao chegar lá, de madrugada, aluguei um carro, procurei sonâmbulo pelo hotel e caí na cama, de onde levantei poucas horas depois pra tomar a estrada pra Assu.
Na primeira visita, peguei a época das chuvas, quando a paisagem até que era verde. Dessa vez, contudo, tudo seco, riachos desaparecidos, um quase sertão mesmo. Só a vegetação morta e cabritos. Ar condicionado no carro, ítem de primeira necessidade.
A viagem de 200 km cansou, mas consegui ao final do dia estar de volta em Natal e com uma réstia de sol cair no mar da praia da Ponta Negra. Depois encarei uma tapioca divinal e desabei na cama às 8 da noite, para dela sair às 4 da matina e reiniciar a viagem de volta, que, graças ao pinga pinga do avião, durou 6 horas.
Só tem pena de mim que não conhece a praia de Ponta Negra.
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A pintora do momento em Nova York é Marla Olmstead. Seus quadros já valem bem mais de 15 mil dólares e são disputadíssimos.
Dizem que ela é até acessível, você consegue falar com ela, mas tem que ser de manhã, porque ao meio dia ela vai pro jardim da infância.
Podes crer, ela tem 4 anos. Um dia chegou pro pai, que estava pintando, por hobby, e pediu uma tela pra ela. Um amigo da família, dono de galeria, viu, adorou e começou a expor os quadros. Sucesso instantâneo.
Aí vão dizer: tão vendo? esse negócio de arte abstrata é enganation total, qualquer criança com a mão lambusada de tinta faz igual. O New York Times também achou, e por isso botou trocentas crianças pra pintar, mas nenhuma delas chegou ao resultado de Marla, que realmente pinta quadros excelentes.
Ora, os precursores do modernismo não diziam que a arte perfeita é o resgate da infância? Marla recupera a dela sem precisar tê-la deixado!
Hoje, seus quadros saem até com assinatura (Marla - grafada com caracteres bem infantis). Confira no site dela e saboreie esta palhinha:

Posted by marcol at 5:09 PM | Comments (8)
novembro 24, 2004
São Salvador Fazia dez anos
São Salvador
Fazia dez anos que eu não pisava lá. Ratificou-se a impressão de que Salvador é o maior pedaço de Brasil do Universo, ou seja, aquele caos instalado sorridentemente ao lado do belo natural. Palafitas, barracos e um mar sublime.
Dei azar porque no dia livre o tempo não colaborou. Pior pra silhueta, já que me levaram pra comer e comer em alguns cantos sensacionais da cidade. Comi e comi. Não deixa de ser paradoxal eu haver comido crepe de shitake em salvador. Quando eu digo que essa globaliação é coisa do Tinhoso...
Mas anote aí, o único sorvete do mundo capaz de fazer frente ao Hagen Danz (sei lá como é que se escreve): Frio Gostoso, no shopping Iguatemi.
Aliás, Shopping Iguatemi merece menção à parte: é divido em castas. Na de baixo, Casas Bahia, Habibs e coisas assim. Esse piso estava abarrotado, plena quarta-feira às 14h00. O segundo piso tem livrarias e lojas de roupa para classe média e o terceiro as lojas mais caras e menos gente, é claro. É onde o ar condicionado funciona, também.
Hoje bato perna outra vez. Vou a Natal, ou melhor, ao interior do Rio Grande do Norte. Sexta-feira volto, pelo menos em corpo.
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Isso me faz lembrar a história do Matias, que parou a planilha de contas a pagar que estava fazendo pra ir no banheiro dar uma mijadinha. Mas aí tinha mais coisas na bexiga do que julgava sua vã filosofia, e acabou saindo de lá só 14 anos e 6 meses depois. Encontrou tudo mudado do lado de fora.
Posted by marcol at 2:45 PM | Comments (6)
novembro 22, 2004
Depois de dias em Salvador,
Depois de dias em Salvador, onde meu cérebro deu tilts sucessivos (por isso digo que ver mar demais faz mal), pensava em dizer um oi cercado de amenidades por todos os lados, mas um trecho de Auto engano (do Eduardo Gianetti) que eu vim lendo entre sacolejos do ônibus, me forçaram a optar por um tema mais espinhoso.
O tal trecho hablava o seguinte: "Com o avanço do conhecimento, alarga-se o desconhecido. 'Com o saber cresce a dúvida'. Qualquer que seja o objeto do conhecimento - uma floresta ou uma indústria, um texto clássico ou um neurotransmissor -, uma coisa é certa. Por mais que se conheça, sempre será possível conhecer mais." E seguia por aí.
Lembrei das paradoxais palavras do cara que a Bíblia afirma ser quem mais "conheceu" em todos os tempos, o rei Salomão, que, não lembro se nos Provérbios ou no Eclesiastes, diz que "quem aumenta seu conhecimento aumenta sua tristeza".
Talvez seja por isso. O desconhecido é infinito e andar na direção do infinito é sempre entristecedor. Lembro do tempo em que treinava remo na USP e o treinador nos obrigava a correr em volta da raia olímpica. Preferíamos mil vezes correr duas vezes aquela distância pelo campus da universidade do que correr na raia, porque ali não se enxergava o fim das retas e parecia que não saíamos do lugar.
Por outro lado, parar é retroceder, quando se tem um infinito a palmilhar. A aparente ausência de tristeza da estática não é alternativa, é um sedativo.
Torno à Bíblia para citar o profeta Oséias, quando diz "conheçamos nosso Deus, prossigamos em conhecê-lO". Ou seja, não se contente em achar que conhece o suficiente. Especialmente daquilo que transcende. Prosseguir é um imperativo, por mais que a ausência de um porto no horizonte deprima.
Daí porque não abro mão da fé. Eu não vejo o porto, mas acredito que ele exista (um porto satisfatório). Sem a crença não há norte.
Posted by marcol at 12:22 PM | Comments (48)
novembro 10, 2004
Fantastique, mon ami, fantastique! Terminei
Fantastique, mon ami, fantastique!
Terminei ontem de ler a seleção que o Italo Calvino fez de contos fantásticos do século XIX e que a Companhia das Letras publicou por aqui. Uma experiência deliciosa. Eu ia escrever fantástica, mas o cesto de lixo grunhiu e eu achei melhor evitar o trocadroga de dilho.
A edição brasileira organizou os textos como uma antologia, começando então com as histórias fantasmagóricas do começo do século XIX, onde o terror era visível e escancaradamente sobrenatural, e terminou no final do século, onde o fantástico estava muitas vezes na mente, ou escondido por trás do estranhamento do progresso (trens, pontes imensas, a ciência).
Como o próprio Italo Calvino fala, o fantástico tem uma riqueza de símbolos do inconsciente coletivo, e ver as melhores obras nesse filão ajudam a entender o tempo.
Mas afora esse papo metido a besta, o fato é que a maior parte dos contos é muito bacana, inventiva, divertida.
Meu joinha joinha vai para os contos de Charles Dickens (sua descrição da história soturna do cara cuja profissão era passar as noites na beira da estrada de ferro, sozinho, sinalizando para os maquinistas que passavam, é erregelante), para o conto de Henry James (escrito na primeira pessoa por uma mulher enamorada, com dosagem magistral de sentimentos se acumulando e uma sutileza narrativa de cair o queixo), para o de Rudyard Kipling (de final um tanto frustrante, infelizmente, mas o indo-britânico é bom no ofício) e para o absolutamente genial "Em terra de cego", de H.G. Wells.
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Ontem peguei um avião pra Porto Alegre com Guilherme Afif Domingos. Vendo-o entrar no ônibus para embarcar, já imaginei o cara sentado do meu lado e eu criando coragem pra dizer que tirei o título de eleitor aos 16 por causa dele (eleições presidenciais de 89), pra perguntar se os caminhos tomados pelo seu Partido Liberal o frustram, pra perguntar se o Quércia de fato puxou bunito o seu tapete, a ponto de ele se retirar da vida pública.
Mas ele sentou lá atrás, longe de mim. Passei por ele, mas a timidez impediu até mesmo uma olhada mais de perto. Me pareceu envelhecido e cansado.
Mudei muito de idéia desde os 16, é óbvio, e hoje não votaria no PL pra nada, mas a admiração pelo Afif ficou. E se... Ah, sei lá. Mas é bom ao menos desconfiar que há gente íntegra neste mundo.
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Saindo da sala de desembarque, entre as plaquinhas com nomes, um carinha empunha uma escrito "Adriana DM&A". Deu vontade de chegar, dizer pro cara, sorrindo, que eu sou Adriana da DM&A. Fiquei imaginando sua reação.
Posted by marcol at 1:15 PM | Comments (22)
novembro 8, 2004
Cola na grade, mano!
Cola na grade, mano!
Ah, enfim casa nova. Tire os sapatos, a geladeira vazia é serventia da casa.
Para começar esta nova vida, nada mais lógico do que uma imagem do elenco de Daniel Boone.

Posted by marcol at 1:12 PM | Comments (17)