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outubro 20, 2004
Teoria da conspiração Eu não
Teoria da conspiração
Eu não tenho mais dúvidas. Relutei muito antes de abordar este assunto aqui, mas os últimos acontecimentos me compeliram a tornar público o óbvio que as grandes massas insistem em ignorar. Chega! A estrepitosa popularidade de É Por Aqui Que Vai Pra Lá? dará ao fato a notoriedade de direito e abrirá os olhos da população. Sim, quebro meu silêncio dos últimos dias para dar esta advertência ao mundo.
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É simples: autoridades constituídas (e mesmo os postulantes aos cargos eletivos), imprensa, igreja e, claro, compositores cariocas de funk estão mancomunados para distrair a atenção geral e criar um clima de paz e segurança, como se tudo estivesse como sempre esteve desde a criação. Fala-se de eleições municipais, de novelas que estreiam, de campeonatos de futebol, de assassinatos covardes cometidos há trinta anos, tudo com o fito único e exclusivo de desviar a atenção do que realmente importa: a revolta da natureza.
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Foram milênios de subserviência ao gênero humano apenas interrompidas por ranca-rabos ocasionais (um dilúvio aqui, um terremoto de Lisboa ali, um tsunami mais lã adiante...), mas paciência tem limite. A natureza, vituperada e fustigada sem dó todo esse tempo, já orquestra sua vingança macabra.
Você assistiu a "O Dia Depois de Amanhã"? Nem eu, mas o que quero dizer que aquilo lá tem duas funções básicas: dar a idéia de que o caos é coisa de ficção e a idéia de que o caos é só aquilo lá.
Ah, sim, quem viver verá.
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Você pode estar se perguntando: quais os tais recentes acontecimentos que me constrangeram a essa atitude temerária? Bem, explico: há dois dias fui covardemente atacado por um abacate. Sim. Um abacate. Ele desprendeu-se do galho e, visando atingir minha preciosa caixa craniana, lançou-se no ar.
Não era um abacate qualquer, era um SENHOR abacate. Gordo, parrudo, do tipo que o Bernardo, meu cachorro, adora pegar quando cai no chão. Acontece que este errou a mira e foi dar no pára-brisa do meu carro. Um prejuízo enorme, sim, e um recado soturno também.
Cuidado, amigo, cuidado! Vejo pés de alface voando no pescoço de velhinhas incautas (o emprego do termo "incauto" é uma homenagem a Alexandre Inagaki. Não creio que meu encontro casual com ele outro dia haja sido coincidência...). vejo unhas de gato avançando casas adentro e sufocando bebezinhos, vejo pedras rolando nas estradas, relâmpagos cortando ao meio atores globais em pleno baile de 15 anos. Vejo horror, desgraça, chamas e unhas encravadas. Vejo isso tudo isso, e veria muito mais, caso minha mulher me deixasse continuar vendo aqueles filmes que passam na Bandeirantes de vez em quando.
Abra o olho. Incauto!
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Posted by marcol at outubro 20, 2004 1:42 PM