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agosto 26, 2004
Uma autobiografia Dá pra contar
Uma autobiografia
Dá pra contar uma história olhando os diários de alguém, olhando as fotos de alguém, olhando o guarda-roupa de alguém e sua evolução (ou involução, claro) ao longo do tempo, olhando as pessoas ao seu redor, o tipo de comida, o jeito de andar. E dá pra contar minha história, por exemplo, partindo das coleções de livros sobre as quais me debrucei.
Ela começaria por uma série de livros que tinha como personagem principal um certo Cachorrinho Samba (Cachorrinho Samba, Cachorrinho Samba na Floresta, Cachorrinho Samba na Fazenda e Cachorrinho Samba em algum outro buraco que eu não lembro). Mr. Google me lembra aqui que eram editados pela Ática e escritos pela Maria José Dupré, responsável por muitos dos bons momentos da molecada dos anos 80.
Depois comecei a ler uma coleção de livros de capa dura, cada uma de uma cor, com uma gravura na frente. Não lembro a editora e sequer o título da coleção exato, que seria algo como "Grandes Aventuras". Foi dali que tirei, por exemplo, "Rei Artur e Seus Cavaleiros", "Simbad, o marujo" e "Capitão Tormenta". Mais ou menos contemporânea a esta coleção havia uma outra, também com livros desse estilão mas de capa mole e, salvo engano, editada pela Ediouro. Foi dessa coleção que tirei o primeiro grande impacto de minha vida de leitor: "Os três mosqueteiros", de Alexandre Dumas, título que levei por muito tempo como "o melhor livro que eu já li".
Na seqüência comecei a me encantar com aquela que talvez seja a coleção clássica da minha geração, a Coleção Vaga Lume, também editada pela Ática, que tem mesmo um faro apuradíssimo para literatura brasileira infanto-juvenil de alta qualidade. Difícil destacar o melhor título da Vaga-Lume 80's, mas eu apontaria os clássicos "O mistério do 5 estrelas" (Marcos Rey em grande forma), "Um cadáver ouve rádio" (idem), "O escaravelho do diabo" (Lúcia Machado de Almeida) e "Coração de onça" (Narbal e Ofélia Fontes). Mas a coleção também tem uns títulos deprê, tipo o desenho do Pinóquio que passava então, como "Menino de Asas", "Spharion" e "O feijão e o sonho".
Depois da Vaga-lume foi a vez de eu começar a pegar livros de Agatha Christie pra ler. Sem dúvida alguma, o melhor deles é "O assassinato de Dan Ayckroid", um clássico absoluto da literatura policial.
Pouco a pouco foram-se insinuando por sobre meu criado mudo uns livros de capa dura vermelha com caracteres em dourado. Eram os Grandes Clássicos da Literatura Universal, recentemente reeditados. Foi por ali que travei contato com tipos como Balzac, Victor Hugo, Nikos Kazantzakis, Tolstoi, Dostoievski, Oscar Wilde, Somerset Maugham e Charles Dickens. Até hoje chamo esses caras por apelidos, mó intimidade. Destaques para "Ana Karenina", do camarada Tolstoi, "O retrato de Dorian Grey", de sir Wilde, e "Os trabalhadores do mar", de micieur Hugo.
Coleções coleções mesmo acho que eu só vim a pegar nas mãos de novo muito recentemente, nos bons tempos do dólar 1 por 1 em que um leitor proletário como eu podia encontrar edições de bolso da Penguin Colection por R$ 3,00 na Martins Fontes da Paulista. Foi assim que li "Judas, o Obscuro", de Thomas Hardy e "A woman of no importance", do Oscar Wilde.
Atualmente tenho feito a festa é com a coleção de títulos populares da L&PM. Essa editora gaúcha tem uma trajetória bem interessante. Por muito tempo era a única a trazer pra cá uns títulos descolados de quadrinhos não americanos. Isso, contudo, não era pro meu bico, caros que eram. Nessa minha vida de sobe e desce por aeroportos, contudo, descobri sua coleção de edições de bolso recheada de títulos que já caíram no domínio público e de autores gaúchos, mostrando que dá pra levar literatura de qualidade sem cobrar os olhos da cara. Suas iniciativas têm sido imitadas por outras editoras, pra meu deleite. São da L&PM, por exemplo, títulos citados aqui nos últimos tempos como "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdam, e "Nada de novo no front", de Erich Maria Remarque.
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Minha última aquisição da L&PM foi um tal de "A Bíblia do Caos". Nada menos que 5.000 e tantas frases extraídas da obra do geinal Millor Fernandes. Ideal para blogueiros sem imaginação, quer ver um exemplo? Você chega aqui no meio da semana, sem uma mísera idéia, e tasca tão somente o seguinte:
Nada é menor do que a medida com a qual avaliamos nossa própria insignificância- Millor Fernandes.
Dá ou não dá o maior cartaz?
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Senhores e senhoras, esta é (uma das) minha(s) história(s).
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Posted by marcol at agosto 26, 2004 9:19 AM