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agosto 31, 2004
Tornei a pisar a belíssima
Tornei a pisar a belíssima Campo Grande. É uma cidade deliciosa, provinciana, verde e ampla. Os críticos aparteariam que é uma cidade sem nada pra fazer, mas a eles eu replicaria que vivo na cidade que mais tem coisas pra se fazer, mas que eu não faço nada porque tudo demora 2 horas pra chegar, custa os olhos da cara (que já estão, infelizmente, empenhados para sobreviver) e periga ser assaltado, como foi, por exemplo, meu colega aqui de escritório, anteontem.
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O aeroporto de Campo Grande está numa fenda mística universal. Só pode ser porque lá presenciei duas cenas absolutamente surreais:
I.
Um padre franciscano, de batina marrom, havaianas e com a cabeça raspada à moda, parou no box da Kopenhagen e torrou uma grana.
II.
Uma excursão escolar. Criaturas de, creio eu, doze anos. E, no entanto, nada de muito barulho, nada de amontoamentos para tirar fotos, gritos, neguinho querendo aparecer. Em lugar disso, criaturas muito urbanas e civilizadas, muitas delas com apostilas abertas, escrevendo, algumas conversando em tom baixo. Nada de professores esbravejando, a garotada parecia que viajava toda semana, porque à chamada para o vôo compuseram fila naturalmente, cada um com sua passagem em mãos, e assentaram-se com o mesmo ar adulto. Perguntei para um se estavam indo visitar São Paulo, ele disse que não, que eram de São Paulo e estavam voltando. Decerto foram visitar o Pantanal, sei lá.
Descobri que comparando os meus doze anos com os deles, não apenas os cabelos mudaram radicalmente. Essas novas gerações me metem medo. Quando eu era "nova geração" só punha medo nos sessentões. Credo.
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Todo mundo que já jogou vôlei minimamente a sério sabe como esse esporte é dificílimo. Requer uma coordenação motora finíssima, uma atenção constante, uma agilidade incomum. Ver um time como o do Brasil jogando só pode, então, inspirar uma profunda admiração.
Apesar de Giba ser o protagonista maior, não creio que haja esporte mais radicalmente coletivo que o vôlei. Se um cidadão ali não domina um dos fundamentos, a falha será explorada à exaustão pelo adversário, isso pode ser fatal e certamente é quando se fala de seleções nacionais em nível de Olimpíada. Assim, a glória é dos doze. Treze, aliás, incluamos aí o Bernardinho.
Entretanto, o jogador que maior admiração me provocou foi o líbero Serginho. Qualquer um que tenha tentado defender uma batida dum grande atacante sabe como é difícil. Ele faz isso, mas não só: bota a bola na mão do levantador. Catzo! Esse cara não é deste mundo.
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Ao fim da Olimpíada, ouvi em mais de um lugar comentaristas esportivos compulsando o quadro de medalhas e, descontente com nossa 18ª posição, atrás de Noruega, Coréia e outros países um tantinho menores e menos populosos que o nosso, se perguntando o que precisamos fazer pra mudar a história em futuras olimpíadas. Todos eles dizem que o esporte tem que ser política de Estado, que temos que gastar mais dinheiro pra ter mais campeões olímpicos.
Perguntar não ofende: medalha enche barriga de alguém (tirando o próprio laureado, que faz comercial de casa de móveis, depois)? Isso é realmente importante? Não é complexo de inferioridade típico de subdesenvolvido?
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Vai aí um Millor pra terminar:
O coração tem imbecilidades que a estupidez desconhece.
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Posted by marcol at agosto 31, 2004 8:54 AM