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agosto 23, 2004
Segundo minha agenda, que traz
Segundo minha agenda, que traz em cada folha as sempre muito edificantes informações sobre o que se comemora a cada dia, ontem, 23, foi do famoso Dia da injustiça. Tá lá, aparentemente sem qualquer erro de revisão. Dia da injustiça.
Quem, raios, perdeu tempo e esforços preciosos para consagrar um dia em homenagem à injustiça? Desconfio seriamente de um conluio de desembargadores.
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O Brasil já conseguiu empatar com a Bélgica no quadro de medalhas. Uhu. Grande glória nacional.
Mas pense um pouco, deve ser monótono ser medalhista de ouro pelos EUA ou pela China, não? Você deve tropeçar em medalhistas olímpicos em qualquer esquina lá, coisa mais sem graça. Até aquele monte de obeso americano; correm o sério risco de serem campeões de arremesso de peso. Aqui não, aqui é outra coisa. O judoca Aurélio Miguel, por exemplo, 12 anos depois de receber a sua medalhinha, ainda usa o prestígio do fato para candidatar-se a vereador em São Paulo. Imagina um judoca americano tentando algo assim, rá.
Em terra de cego, tanto bate até que fura.
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Conto sem título nâmber um
A menina ia distraída no metrô, com a testa encostada no vidro da porta, a cabeça viajando por campos distantes enquanto aguardava o trem partir. Quando o movimento começou, olhou para cima e deu com um cara lindo de morrer apoiado à mureta da estação, olhando para baixo com um meio sorriso. Ele a olhava. E lhe mandou um beijo.
Ela sentiu o coração disparar e o suor espoucou nas palmas das mãos, na testa. Na estação seguinte desceu correndo, pulou pro lado de lá da plataforma, pegou o trem que voltava. Nervosa. Chegou, a porta abriu, subiu desabaladamente a escada e chorou de emoção ao ver que o tal cara lindo ainda estava lá, olhando o movimento lá embaixo. Atirou-se aos pés dele e falou que ela estava ali, pronto. Ele não entendeu, ela repetiu e perguntou se ele não a amava. O cara lindo ficou triste, a levantou tomando-a pelos ombros e lhe disse, com ar grave, que não havia amor à primeira vista. Pensou melhor e disse que possivelmente não existisse amor nem à milésima vista. E, com uma ponta de crueldade, afirmou que as revistas que ela lia estavam erradas.
Anos mais tarde, ao ser abordada no aeroporto por um tipo tentando vender assinatura de revista, desferiu-lhe um murro no olho esquerdo e sorriu.
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Posted by marcol at agosto 23, 2004 2:24 PM