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julho 7, 2004

Running Man Minha viagem no

Running Man

Minha viagem no Gol alugado da Hertz fez um corte longitudinal no estado do Rio Grande do Norte, pela estrada que liga Natal a Fortaleza. A paisagem começa bonita, exuberante, mas o verde vai rareando e o solo arenoso transparecendo. Num determinado momento aparecem pedras, muitas pedras, que servem, à beira da estrada, como outdoors naturais para anúncio do Café Kimimo ou do Frigorífico Sócabritos. Ao sul da estrada, uma serra baixa me acompanha, com belos montes parecidos com paredes de um canyon. Quando ela acaba, a paisagem é tomada por uns montes pontudos.

Durante todo o trajeto, borboletinhas brancas ficam pululando de um lado para o outro da estrada e, eventualmente, alguma delas resolve matar-se contra o pára-brisas, num inócuo protesto contra a globalização. Até um passarinho eu atropelei, coitado. O carro acabou todo pintado.

Viajei quase três horas e cruzei por nada mais que umas quatro cidades. No mais, deserto total. Mesmo as cidades, só o são no mapa que eu comprei em Natal. As placas "perímetro urbano" e "fim do perímetro urbano" distam uns dez metros uma da outra, geralmente.

Assu, não, é maiorzinha e à entrada um pórtico de ferro me faz saber que estou chegando ao "São João mais Antigo do Brasil", pois ali se comemora a festa do santo há 278 anos. A decoração típica ainda enfeita postes e fachadas: bandeirolas e balões coloridos. Mesmo sendo, como eu disse, maiorzinha, Assu (que sofre de uma terrível crise de identidade, não sabe se é Assu ou Açu, encontrei o nome grafado dos dois jeitos numa porção de lugares) se resume a duas avenidas asfaltadas cercada por ruas de paralelepípedo apertadas.

A audiência aconteceu num tipo de PoupaTempo de lá, muito ajeitadinho, com funcionários uniformizados que prestam um atendimento excelente.

Na volta, uma charrete puxada por um jegue quase me faz bater num simpático caminhão que vinha a milhão em sentido contrário. É que o jegue empacou no meio da estrada. Além disso, tive problemas com uns urubus, que traçavam um boi atropelado à beira da estrada. Outra coisa que compunha a paisagem, eram os cabritos, pastando ali bem ao lado.

Como ninguém é de ferro, consegui chegar a Natal com tempo suficiente para dar uma passada na praia de Ponta Negra e tomar uma água de coco. Deixei a meia e o sapato no carro, dobrei a calça e tasquei o pezão branquelo na areia. Foram 25 minutos de graça.

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De um Rio Grande para o outro. Amanhã tô me bandeando pra Porto Alegre. Como teria outro compromisso por lá na segunda, vou tentar me espraiar em Gramado este final de semana. Não admire se eu andar meio distante.


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Posted by marcol at julho 7, 2004 3:34 PM