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maio 10, 2004

Lacuna imperdoável Foi o comentário

Lacuna imperdoável

Foi o comentário do Hélio Serafino no poste anterior que me fez notar a ausência do Milton Ribeiro na lista de melhores postes dos blogues que visito diariamente. Isso me fez notar que a lista foi feita com pressa e mal explicada. Na verdade, já tinha em mente o poste do mestre Milton que ia eleger, mas na hora de escrever, falhô. Vai aí, pois, o primeiro poste da série "O Milton de Março de 2001 Entrevista o Milton de Hoje". Trata-se de um excelente exercício de imaginação memorialista, uma reflexão sobre a efemeridade das dores e o imperativo de acreditar-se na vida, contra toda evidência. Se você não conhece, faz mal em não conhecer.

Mano Alê Spissoto chama a atenção para a falta de um poste de outro blogue visitado religiosamente todo dia, Ernestinho e Suas Mulatas Besuntadas. No caso não foi lapso, mas pudores em colocar no mesmo nível dos demais um blogue no qual também boto meus dedos, mas se tivesse que eleger o melhor poste de Ernestinho, passaria uns oito anos meditando. Provavelmente optaria afinal por um dos episódios de POPwritersSTARS, sátira ao POPstars do SBT, ou o poste que dá as coordenadas para chegar-se à sede de Ernestinho, escrito pelo Helio. Pra não passar oito anos pensando num único poste, reafirmo minha isenção jornalística e mantenho Ernestinho fora do alvo dessa lista.

Dos blogues visitados todo dia faltou apenas algo do Ipsis Literis, porque os postes da amiga Denise Juhasz são, em sua maioria, citações e promoções de conteúdo alheio. Há uma dúzia de outros blogues que não visito todo dia porque eles não são atualizados com tanta freqüência, duas entradinhas semanais me põem a par do que acontece. Figuras como mano Tiago Jokura e Vanildo O. deveriam escrever mais amiúde, ora pois.

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Maluf: será que ele é?

Muitos blogueiros de boa cepa, além de cronistas e comentaristas de substância, têm identificado o senhor Paulo Maluf como sendo a encarnação do coisa ruim, do tinhoso, do cão. Hemos de convir que o tal fornece material suficiente para embasar tal assertiva. Esses dias eu assistia ao noticiário e o via discursar num encontro de seu partido, falando que um dia ele vai estar na presença de Deus e então vai ocupar uns dois meses dEle só pra fazer uma lista de tudo o que já fez nessa vida. Ao cabo dos dois meses, Deus certamente o absolveria de seus "pecadinhos", já que o que ele fez foi muito mais, Maluf passaria dez minutos no purgatório e estaria liberado. Logicamente, os militantes do PP aplaudiram efusivamente.

Curioso o conceito teológico popular que o Maluf usa pra mais uma vez valer-se da mística do "rouba mas faz": o de que o julgamento divino é feito numa espécie de balança, em que se temos mais boas obras que más, estamos salvos. Em suma, nossa salvação é obrada por nós mesmos, temos que fazer coisas boas para compensar as ruins, e no fim somos capazes de convencer a Deus de que somos dignos de estar no paraíso. Além de esse conceito ser equivocado, de tornar inócuo o sacrifício de Cristo em nosso favor, é mesmo enojante que o cidadão queira vender esse mesmo peixe populista e demagogo ainda outra vez. Ninguém mais engole, seu Maluf, ninguém mais!

No entanto, é ainda mais curioso notar o tempo exato em que, de repente não mais que de repente, aparecem centenas de provas da existência de contas correntes no exterior. Justamente no ano eleitoral em que Maluf poderia sagrar-se prefeito de São Paulo outra vez. Santa coincidência, Batman!
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Posted by marcol at maio 10, 2004 1:39 PM